Exibição de documentário encerra projeto 'Vou sair pra catar gente'

O vídeo será exibido neste sábado, dia 7, no auditório Jornalista Carlos Mauri Alexandrino

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04 DEZ 2019Por Da Reportagem14h55
As fotos do projeto sintetizam o desejo de Biga Appes em capturar a beleza da diversidade étnica e socialFoto: Divulgação
A exibição de um documentário sobre o projeto de ocupação fotográfica “Vou sair pra catar gente” marca o encerramento dessa iniciativa artística, contemplada no 7° Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes de Santos (Facult). O projeto consistiu na colagem de cartazes com imagens da fotógrafa Biga Appes em diversos pontos da cidade, além da realização gratuita de oficinas de sensibilização fotográfica para as comunidades da Vila Progresso, Morro da Penha e Morro da Nova Cintra.  
 
O vídeo será exibido neste sábado, dia 7, a partir das 16 horas, no auditório Jornalista Carlos Mauri Alexandrino, na sede da Vila Criativa do Morro da Penha. Também está prevista a exibição do doc no próximo dia 20, a partir das 14 horas, no Museu da Imagem e do Som (MIS) e depois estará acessível ao público no youtube e em outras mídias sociais. 
 
As fotos do projeto sintetizam o desejo de Biga Appes em capturar a beleza da diversidade étnica e social, marca de sua trajetória profissional de mais de 30 anos. 
 
Consciente de que a arte de rua é efêmera, a fotógrafa uniu essa intervenção fotográfica à produção do documentário, com a finalidade de registrar todas as atividades de colagem dos cartazes, conhecidos como lambes, além de colher depoimentos de outros artistas que foram modelos em ensaios produzidos especialmente para o projeto. Além de várias fotos do acervo da fotógrafa, os lambes apresentam imagens das atrizes Renata Carvalho e Priscila Ribeiro, da rapper Preta Rara, do músico Mauro Mariano (“Maurão”), da fotógrafa Lúcia Lux, do ambientalista Geraldo Varjabedian e do escultor Chico Melo.  
 
Para Biga Appes, “Vou sair pra catar gente” cumpre dois propósitos importantes: “A exposição de fotos a céu aberto permite que pessoas que não frequentam galerias de arte e não têm acesso à cultura possam usufruir da manifestação artística e tenham condições de refletir sobre a importância de convivermos com a diversidade. Além disso, áreas urbanas degradadas e espaços coletivos recebem imagens que trazem cor a esses ambientes, revitalizando-os”.
 
Já as oficinas fotográficas sobre autorretrato, destinadas às comunidades dos morros da Penha, Nova Cintra e Vila Progresso tiveram como objetivo fazer uma contraposição conceitual ao hábito de tirar selfies. “A partir das noções de composição fotográfica transmitidas durante as oficinas, os participantes puderam ultrapassar o território do simples exibicionismo e cultivar um olhar que desperte a autoestima, autoconhecimento e a sensação de identidade social e de pertencimento ao ambiente onde vivem”, afirma a fotógrafa. 
 
Biga Appes
 
Formada pela Escola Panamericana de Arte e pelo Museu Lasar Segall, em São Paulo, Biga Appes iniciou sua carreira como repórter fotográfica de “O Globo”, “Agência Estado”, “Jornal da Orla” e “Diário do Litoral”. Também coordenou oficinas de fotografia para diversas instituições, como Sesc/Santos, Secretaria de Cultura de Santos, Universidade Católica de Santos, Cosipa, e Delegacia Regional de Cultura/Oficinas Pagu. 
Em 1998, seu ensaio fotográfico “Flores Loucas”, sobre grupo de mulheres pacientes psiquiátricas da periferia de São Vicente, foi exposto no Encontro Internacional de Mulheres, em Cuba,.
 
Em 1999, foi a única representante da América do Sul selecionada para a II Mostra Internacional de Fotografia Humanitária Luis Valtueña, com uma foto sobre catadores do lixão de São Vicente. Os trabalhos desta mostra foram publicados em um livro e expostos na Espanha e em outros países da Europa. 
 
Em 2003, produziu as fotos que ilustraram o livro “Direitos Humanos – Aqui e Agora”, editado pela Câmara Municipal de Santos e UniSantos.  Participou ainda da campanha fotográfica “África Em Nós” do Museu África Brasil em São Paulo, em 2009, que resultou em exposição e livro.
 
Realizou, entre os anos de 2011 e 2015, a documentação fotográfica de centenas de usuários da rede de saúde de São Bernardo do Campo para painéis instalados em dezenas de unidades de saúde daquele município, em uma parceria da prefeitura local com o Ministério da Saúde. Mais recentemente, produziu fotos para a websérie “Nossa voz ecoa”, para a capa do CD “Audácia”, da rapper Preta Rara, e para a empresa de ecogastronomia Menina Brasileira.  
 
Atualmente, produz fotos promocionais para grupos de teatro e de dança, bandas de música, produtores de video e artistas plásticos da região.
 
Onde encontrar as fotos do projeto:
 
Pompeia - Rua Marquês de São Vicente, no trajeto do VLT, próximo ao canal 1 
Morro da Penha - Vila Criativa do Morro da Penha – Rua Newton Braga, 39
Vila Progresso - Vila Criativa da Vila Progresso – Rua Três, s/nº
Vila Mathias - Rua Anhanguera, 20, ao lado do ateliê Gravurar, de Márcia Santtos
Boqueirão - Rua Liberdade, 44, no ateliê 44. 
José Menino - Rua Gaspar Ricardo, no trajeto do VLT, próximo à UME José da Costa Sobrinho  
Encruzilhada - Rua Carvalho de Mendonça, esquina com a rua Pérsio de Queiroz Filho
Gonzaga – Avenida Washington Luiz com rua Alexandre Herculano
Valongo – Rua Marquês de Herval com rua São Bento (em frente ao Burako´s Bar) e rua Visconde de Vergueiro com rua São Bento (ao lado do Boteco Valongo