Cotidiano
Antes de vestir o hábito, Kamila Cardoso foi modelo e venceu concurso de beleza; hoje arrecada fundos para projetos sociais e diz que 'ali é onde Cristo mais deseja estar'
Natural de Patos de Minas (MG), Kamila entrou para a vida religiosa ainda jovem / Arquivo Pessoal/ Kamila Cardoso
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Uma cena inesperada em Goiânia (GO) chamou a atenção da internet no ano passado: uma freira brasileira, conhecida como irmã Eva, foi filmada vendendo artigos religiosos dentro de um bar. O vídeo rapidamente viralizou e despertou curiosidade nacional — não apenas pela abordagem inusitada, mas também pela história por trás da religiosa.
Antes de entrar para a vida religiosa, irmã Eva se chamava Kamila Cardoso e tinha uma trajetória bem diferente da atual: ela foi modelo e miss, chegando a conquistar o título de Miss Continente Teen Sol Nascente. Com o título em mãos, Kamila estava prestes a disputar um concurso nacional, mas tomou uma decisão que mudou o rumo da sua vida.
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Um dia antes da final, ela desistiu do evento para seguir a fé e se dedicar integralmente à missão religiosa.
Natural de Patos de Minas (MG), Kamila entrou para a vida religiosa ainda jovem. Aos 18 anos, passou a integrar uma congregação ligada à fé ortodoxa, não pertencente à estrutura da Igreja Católica Apostólica Romana.
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Atualmente, irmã Eva faz parte da Congregação Sancta Dei Genitrix, uma comunidade religiosa independente registrada como Igreja Católica Orotodoxa Siriana Renovada — com sede em Brasília (DF) e liderada pelo Padre José Ribamar R. Dias.
Segundo apuração do g1, a comunidade religiosa participa e mantém mais de 18 projetos sociais espalhados por:
Brasília
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entorno do Distrito Federal
Goiás
Entre as ações realizadas estão iniciativas voltadas a famílias em vulnerabilidade, com serviços como:
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reforço escolar para crianças
atendimentos psicológicos
atendimentos odontológicos
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visitas a penitenciárias
visitas a hospitais e apoio a pacientes
A venda dos itens religiosos, portanto, vai além da evangelização: também é uma forma de arrecadar recursos para manter esses projetos funcionando.
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A presença da freira em um bar, vendendo artigos religiosos, foi interpretada por muita gente como algo fora do padrão — mas, para irmã Eva, a escolha tem sentido profundo e está ligada diretamente ao objetivo da missão.
Em entrevista ao g1, ela explicou que o local simboliza onde pretende estar com sua atuação:
'Ali, entre pessoas comuns, muitas vezes feridas, é onde Cristo mais deseja estar, além de espalharmos a caridade arrecadando fundos para nossa comunidade. Como já fui modelo, eu quero que nosso projeto ganhe fama e não só para mim'.
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De acordo com a Folha de S.Paulo, Kamila afirma que o trabalho com os produtos religiosos não se resume ao comércio em si, mas integra uma estratégia de evangelização, com foco na aproximação com as pessoas em ambientes cotidianos.
Além disso, os recursos obtidos servem para sustentar a atuação social da congregação, reforçando o caráter comunitário do trabalho.
A trajetória de irmã Eva — saindo do universo dos concursos de beleza e migrando para a vida religiosa — gerou grande repercussão justamente por romper estereótipos.
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O vídeo no bar não apenas colocou o nome dela em evidência nas redes, como também abriu debate sobre novas formas de evangelização, caridade e presença religiosa fora dos espaços tradicionais.