Cotidiano

EUA e aliados buscam estratégia para pôr fim a guerra civil na Síria

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, assegurou que o presidente Barack Obama não autorizará o envio de tropas ao país

Pedro Henrique Fonseca

Publicado em 22/05/2013 às 19:24

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Os Estados Unidos e diversos de seus aliados buscavam nesta quarta-feira em Amã, na Jordânia, uma estratégia conjunta para pôr fim à guerra civil que há mais de dois anos assola a Síria.

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O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, assegurou que o presidente Barack Obama não autorizará o envio de tropas ao país, ao mesmo tempo em que se recusa a fornecer armas aos rebeldes.

Apesar disso, Kerry deixou claro que os EUA poderão aumentar a ajuda aos insurgentes que tentam depor o presidente Bashar Assad se Damasco rechaçar os esforços internacionais, que deverão ser retomados no mês que vem em Genebra, para a formação de um governo de transição no país.

"Caso não consigamos encontrar um meio de seguir adiante, caso o regime de Assad não esteja disposto a negociar de boa-fé em Genebra, também falaremos de nosso contínuo e crescente apoio à oposição com o objetivo de permitir que ela continue a lutar pela liberdade em seu país, declarou Kerry em uma entrevista coletiva concedida ao lado do ministro das Relações Exteriores da Jordânia Nasser Judeh, antes de um encontro com os chanceleres de dez países aliados dos EUA.

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A reunião ocorre após semanas de sucessivos avanços militares por parte das forças do governo sírio, inclusive a recuperação do controle de uma importante estrada que leva à Jordânia e a retomada parcial de uma cidade estratégica na região central do país.

Kerry, Judeh e os chanceleres de Turquia, Emirados Árabes Unidos, Catar, Egito, Reino Unido, França, Alemanha e Itália debateram durante mais de duas horas em Amã. O encontro foi anunciado como uma preparação para as negociações apoiadas por EUA e Rússia planejadas para junho em Genebra.

Barack Obama não autorizará o envio de tropas ao país (Foto: Charles Dharapak/Associated Press)

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O embaixador da Síria em Amã, Bahjat Suleiman, denunciou a reunião, definindo o encontro como parte da campanha de Israel e dos EUA para destruir seu país.

Em Bruxelas, enquanto isso, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que a União Europeia (UE) deve se preparar para "mudar" seu embargo ao fornecimento de armas para a Síria, para "manter a pressão" sobre Assad.

Falando a jornalistas após um encontro de cúpula europeu em Bruxelas, Cameron afirmou que apoia o plano de realizar uma conferência internacional de paz sobre a Síria o mais cedo possível, mas que isso não deve servir de desculpa para uma redução da pressão sobre o governo sírio.

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"É por isso que é certo mostrar que nós, aqui na União Europeia, estamos preparados para mudar o embargo ao envio de armas, de modo que possamos fazer mais para formar a oposição moderada e aumentar a pressão sobre Assad", acrescentou.

O embargo ao fornecimento de armas a todas as partes envolvidas no conflito sírio vigora até o fim do mês e será discutido em uma reunião dos ministros das Relações Exteriores dos países da UE na próxima semana; para ser prorrogado, ele precisa do apoio de todos os 27 países membros da UE.

O Reino Unido, principal aliado dos EUA na Europa, vem defendendo um relaxamento do embargo para que possa passar a fornecer armas abertamente aos grupos que combatem o governo de Assad; outros países europeus, entre eles a Alemanha, são contra

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Em Moscou, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, elogiou a "reação construtiva" do governo sírio à proposta de uma conferência internacional de paz sobre a Síria. Em entrevista coletiva ao lado do vice-ministro das Relações Exteriores da Síria, Faisal Muqdad, ressalvou que a iniciativa russo-americana "está sendo minada pelas ações da oposição síria".

Nesta terça-feira, representantes da oposição síria exigiram garantias internacionais de que Assad renunciará como parte de qualquer acordo de paz. "Até agora, toda vez que aparece uma fagulha de esperança, vemos os esforços de forças bem conhecidas para arruinar qualquer movimento na direção de uma solução política. Entre essas ações está o sequestro de seu pai", disse Lavrov a Muqdad, cujo pai foi sequestrado pela oposição síria no último sábado.

A conferência internacional sobre a síria foi proposta pelos EUA, que estão treinando combatentes da oposição síria na Jordânia, e pela Rússia. Os EUA já declararam que são contra a participação do Irã, que é aliado de Assad; já a Rússia é a favor.

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Enquanto isso, o líder da oposição na Síria, George Sabra, pressionou os rebeldes do país a "correrem ao resgate" do bastião rebelde de Qusayr, sob ataque de tropas do governo e do grupo guerrilheiro pró-iraniano Hezbollah.

"Vamos correr ao resgate de Qusayr e Homs", conclamou ele, em comunicado, pedindo o envio de homens e armas, "por menores que sejam".

Sabra também pediu que a comunidade internacional estabeleça um corredor humanitário para ajudar a cidade de Qusayr, onde ocorre uma ferrenha batalha entre tropas do regime e rebeldes.

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"Pedimos à comunidade internacional que abra um corredor humanitário para resgatar os feridos e levar medicamentos e ajuda às 50 mil pessoas de lá", afirmou. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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