Estudo indica seis árvores mais eficientes contra poluentes associados ao câncer

Espécies da Mata Atlântica removem do ar metais pesados, poluentes emitidos pela queima de gasolina e diesel, potenciais causadores de câncer e doenças cardíacas

O estudo analisou 29 espécies e foi realizado em fragmentos da Mata Atlântica

O estudo analisou 29 espécies e foi realizado em fragmentos da Mata Atlântica | Divulgação/PMRJ

Um estudo científico conduzido pelos pesquisadores Marisa Domingos e Ricardo Nakazato identificou seis espécies de árvores nativas da Mata Atlântica que funcionam como filtros contra os metais pesados liberados na atmosfera das grandes cidades. 

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A principal fonte de emissão de metais pesados no ar dos centros urbanos é a queima de combustíveis fósseis, como gasolina, diesel e carvão, seguida da incineração de resíduos.

Essas duas fontes respondem por aproximadamente 70% do total de emissões atmosféricas nos grandes centros. E a exposição a altas concentrações de metais pesados pode causar problemas crônicos de saúde, como câncer, doenças de pele e doenças cardíacas.

A ideia dos pesquisadores foi entender como essas árvores reagem à poluição e se conseguem acumular metais pesados nas folhas sem sofrer danos, além de avaliar sua capacidade de armazenar biomassa, importante para o sequestro de carbono. 

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Marisa integra a equipe do Instituto de Pesquisas Ambientais e Nakazato é professor de Ciências Biológicas e mestrando em Análise Ambiental da Universidade Guarulhos (UNG).

E o estudo concluiu que as espécies Capixingui, Camboatá, Maria-mole, Guamirim, Guamirim-ferro e Pessegueiro-bravo, todas nativas da Mata Atlântica, são as mais resistentes à poluição e as mais eficientes na captura dos metais pesados presentes no ar das grandes cidades. Todas têm em comum folhas mais espessas.

E essa tolerância torna essas árvores importantes candidatas para programas de arborização urbana e em regiões impactadas pela ação humana, como rodovias, áreas industriais ou terrenos desocupados.

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Elas também podem ser relevantes no reflorestamento de áreas degradadas próximas a grandes cidades. Assim, essas espécies contribuem para melhorar a qualidade do ar, atuando como barreiras naturais contra a degradação atmosférica e promovendo benefícios diretos para a saúde ambiental e o bem-estar das pessoas.

O estudo analisou 29 espécies e foi realizado em fragmentos da Mata Atlântica no cinturão verde da cidade de São Paulo. As árvores estudadas compunham quatro áreas com diferentes níveis de urbanização: o Parque Estadual das Fontes do Ipiranga e o Parque Alfredo Volpi, ambos na Capital, além da Floresta Nacional de Ipanema, no município de Iperó, e a floresta no entorno da Estação de Tratamento de Água Morro Grande, em Cotia.

Uma das ferramentas utilizadas pelos pesquisadores foi o Índice de Tolerância à Poluição do Ar (APTI), que ajuda a identificar quais plantas suportam melhor os poluentes. Também foram analisados outros indicadores, como a quantidade de elementos tóxicos (metais pesados) acumulados nas folhas, sinais de estresse oxidativo e a espessura das folhas.

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Sinal de alerta

Por outro lado, o estudo também identificou nove espécies mais sensíveis, que apresentaram sinais de estresse e podem estar em risco nas cidades mais poluídas. Essas árvores podem funcionar como “sinal de alerta”, indicando quando o ar está muito contaminado.

“A pesquisa reforça, portanto, a importância de combinar a seleção criteriosa de espécies com práticas responsáveis de arborização urbana”, resume Nakazato. “Essa integração é essencial para reduzir riscos, aumentar a resiliência das cidades e garantir que as árvores continuem cumprindo seu papel ecológico em meio aos desafios crescentes das mudanças climáticas”, completa o professor e mestrando da UNG.

A cidade de Santos, no litoral de São Paulo, planeja plantar 10 mil árvores em ação ambiental com voluntários.

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Queda de árvores

Na avaliação do professor de Ciências Biológicas, os resultados do estudo também permitem “levantar a hipótese de que essas árvores também possam lidar melhor com condições ambientais adversas, como as provocadas pelas mudanças climáticas”.

No entanto, Nakazato demostra cautela em relação a uma possível maior resiliência das seis espécies em relação aos eventos climáticos extremos, como os ventos fortes que têm derrubado árvores em São Paulo: “Isso ainda precisa ser investigado com mais profundidade”.

Segundo o mestrando da UNG, “o que se pode afirmar com segurança é que a escolha de espécies nativas bem adaptadas ao ambiente urbano, como as identificadas no estudo, é um passo fundamental para tornar as cidades mais verdes e potencialmente mais seguras. Porém, a resistência a quedas causadas por ventos intensos não depende apenas da espécie, mas também de outros fatores, como o tipo de solo, a técnica de plantio, podas adequadas e o manejo correto ao longo do tempo”.