Um novo estudo publicado pela revista científica Nature Geoscience revelou a presença de elementos químicos, manipulados por humanos, em praticamente todo o oceano. Eles apresnetam-se de diferentes formas, como venenos para matar insetos e até fármacos.
A problemática está no quão prejudiciais eles são para os ecossistemas. Poluentes comuns como os pesticidas vem sendo detectados em estuários e áreas costeiras. De acordo com os resultados dos cientistas, os compostos químicos estão ainda mais disseminados do que era esperado. Porém, a maior surpresa está na distância que podem atingir, chegando a quilômetros da costa.
“Praticamente não há lugar no oceano onde não exista a ‘mão’ humana, que não tenha um sinal químico de origem xenobiótica”, explica Bruno Costa, pesquisador de pós-doutorado no Instituto de Biociências (IB) da USP e coautor do trabalho.
Os compostos estudados foram divididos em três categorias: industriais, fármacos e pesticidas. Entre eles, os mais encontrados são os com características xenobióticas industriais, que em sua maioria são derivados de produtos petroquímicos e associados a materiais plásticos.
Ameaça aos ecossistemas
Após a análise, os cientistas conseguiram observar que, além do plástico que é possível ver nas praias, por exemplo, existe o plástico “invisível” que se mistura na água. Essas substâncias conseguem se misturar à matéria orgânica dissolvida (MOD), que são restos de seres. Contudo, esses seres vivos que servem de “alimento” para microrganismos e funcionam como a base dos ecossistemas.
A alta concentração dessas substâncias é uma grande ameaça. O motivo disso é pelo fato de que os cientistas ainda não sabem quais serão as consequências reais para a natureza a longo prazo. A pesquisa comparou amostras coletadas de forma idêntica em diferentes ambientes, como costas, recifes de corais e o mar aberto, para garantir que os dados fossem precisos.
Presente em todos os oceanos
Com base no estudo, quanto maior a distância da costa, menores são os sinais químicos de compostos de origem humana. Contudo, é possível encontrar essas substâncias mesmo em regiões muito distantes. Segundo os pesquisadores, os compostos industriais foram os mais encontrados por apresentarem maior resistência e “navegarem” para locais mais distantes.
O resultado demonstrou que até 4% das composições no mar aberto podem ter contribuição de origem humana. Por mais que o número seja baixo, ele significa que praticamente todo o oceano tem uma “pegada” humana, como se, em cada dia de vida do oceano, quase uma hora inteira fosse composta exclusivamente de vestígios da ação humana, principalmente industrial.
Plano nacional
No total, 248 compostos de origem humana foram encontrados pelo o estudo, o que representa 2% de todos os materiais detectados.
Até 2030, o Brasil está sob o decreto que cria a Estratégia Nacional do Oceano Sem Plástico (Enop). O plano tem a finalidade de orientar e coordenar políticas públicas para prevenção, redução e eliminação da poluição por plástico no oceano, por meio de ações estratégicas e sinérgicas.
Importante destacar que o acúmulo de resíduos, especialmente microplásticos, prejudica a capacidade dos mares de absorver carbono e equilibrar a temperatura do planeta, agravando ainda mais os efeitos da crise climática.
