Estudantes resistem e ocupação no Clébulo continua

Defensoria Pública e OAB pedem a suspensão da reintegração de posse

Resistência. A palavra resume a permanência dos estudantes na Escola Estadual Cleóbulo Amazonas Duarte, em Santos. Ontem (25), os alunos que ocupam a unidade há uma semana se recusaram a deixar o local. Oficiais de Justiça, policiais militares e membros do Conselho Tutelar estiveram pela manhã no colégio para cumprir a decisão judicial, que determina a reintegração de posse do colégio. Outras duas escolas também seguem ocupadas na Região: a EE Azevedo Júnior, em Santos, e EE Renê Rodrigues, em Guarujá. 

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“O advogado voluntário fez a intermediação. Pediram para entrar, mas decidimos que só um conselheiro tutelar entraria, porque eles disseram que havia denúncia de maus tratos a menores. Mas isso não acontece aqui. Tem muita atividade. A gente vai resistir até não dar mais”, disse Johni Guedes, de 16 anos, aluno da unidade. 

Na noite de ontem, a Defensoria Pública do Estado e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ingressaram com pedido de suspensão de reintegração de posse até o desfecho do mérito na Justiça da reorganização escolar.

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Comunicado

No início da manhã, os estudantes que participam da ocupação da EE Cleóbulo Amazonas Duarte enviaram ao Diário do Litoral um comunicado explicando alguns pontos da manifestação, entre eles, o processo de reintegração de posse: “Informamos que, caso haja reintegração de posse, sairemos pacificamente, no entanto nos reservamos o direito de permanecemos ocupando o espaço até o último momento”. 

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No comunicado, os estudantes destacaram os motivos pelos quais decidiram ocupar a unidade. “Na noite da assembleia (realizada no primeiro dia da ocupação), foi decidido que o CAD seria ocupado, pois é uma escola que vem sofrendo desmonte e pressão direta da ocupação indevida e autoritária da Diretoria de Ensino da Baixada Santista”. A ocupação teve início no último dia 19, após uma reunião deliberada pelos estudantes na noite anterior no Centro dos Estudantes de Santos (CES).

Segundo os estudantes, os problemas na escola começaram quando a Diretoria de Ensino de Santos decidiu ocupar parte da unidade. “No começo ocuparam somente três salas, mas depois ocuparam um andar inteiro, mudando de lugar a biblioteca e deixando-nos sem sala de jogos e anfiteatro. Houve ainda uma redução e sucateamento dos materiais do laboratório”. Eles reforçaram o intuito do movimento: “Por todo esse prejuízo aos alunos secundaristas e por solidariedade aos movimentos de ocupação das escolas estaduais, abusivamente sendo desmanteladas a mando do Governo do Estado de São Paulo”, diz o comunicado.

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Os estudantes também comentaram sobre o boletim de ocorrência feito pela direção referente ao furto de 14 tablets de uma sala da unidade durante o período da ocupação. “Quanto ao boletim de ocorrência feito por conta do suposto desaparecimento de aparelhos, entendemos como mais uma tentativa de enfraquecer o movimento de ocupação, já que a acusação foi feita sem provas concretas e os próprios alunos do CAD afirmam nunca terem visto os aparelhos nas dependências da escola”. 

Ex-aluno e aposentada da rede relatam desmonte

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Na tarde de ontem, o DL esteve na porta da EE Cléobulo Amazonas Duarte. A Reportagem conversou com um ex-aluno da unidade e uma funcionária aposentada da rede estadual de Educação. Os dois manifestaram apoio à ocupação dos estudantes. 

“Fui das últimas turmas do noturno. A gente tentou convencer a secretaria da necessidade de manter o ensino noturno, pois se cortassem o colégio para ir seria muito longe. Colhemos assinaturas, mas ignoraram as nossas reivindicações. É até errado dizer que a luta começou agora. A luta começou faz tempo, desde que a Diretoria de Ensino chegou aqui dizendo que seria por pouco tempo e ocupando cada vez mais espaço”, lamentou o estudante Mateus William, de 17 anos. Ele deixou a unidade há três anos.

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Tendo que trabalhar, o jovem, que mora na Vila Mathias e pretende ser engenheiro mecânico, precisou buscar vaga em uma unidade com ensino noturno. Ingressou na Escola Estadual Primo Ferreira, na Vila Belmiro, onde cursa atualmente o último ano do Ensino Médio. “Vou de bicicleta porque não tem transporte. Só tem para ir, para voltar o ônibus dá muita volta. Tem gente que parou de estudar”, disse.

Um estudante da unidade, que participava da conversa, também relatou as dificuldades que possivelmente terá com a falta de ensino noturno. “Acabei o curso do Camps e estou esperando uma entrevista de emprego. Passaram nas salas perguntando quem queria estudar à noite já para mandar para outras escolas longe. Vou ter que ir porque preciso trabalhar, mas é muito arriscado. Estudo aqui há muitos anos, meu pai se formou aqui. É muito triste isso o que está acontecendo”, disse o jovem de 15 anos, que mora na Vila Santa Casa, comunidade que fica ao lado da EE Cléobulo Amazonas Duarte.

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Lucy Mendonça dedicou 32 anos de sua vida ao Estado. Servidora de carreira da Secretaria de Educação, ela exerceu diversas funções, sendo a última como secretária escolar. “Eles estão certos. A diretoria não poderia ter tirado o espaço dos alunos. A gente quer que os jovens estudem e não que não tenha vaga. Boa parte dos que estudam aqui são de comunidades carentes. Se não tem educação para oferecer, para onde esses jovens vão?”, questiona.  

Aposentada há 15 anos, ela disse que os problemas na educação de São Paulo são antigos. “Já vem de anos essa situação. A diretoria não pode ficar aqui. Lutamos tanto todos esses anos para ter educação e o que vemos é isso aqui. Trabalhamos muito, cadastrando alunos no zoneamento que tanto eles prezavam e que hoje não dão importância. Sou contra a medida do Governo. Educação tem que ter prioridade”, disse Lucy que dos 32 anos trabalhados, 22 foram dedicados à Escola Estadual Canadá, outros na Escola Estadual Avelino da Paz Vieira, hoje municipalizada, e também na Diretoria de Ensino.

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Vereadores se mobilizam para evitar fechamento da escola Jd. Primavera

Os vereadores Givaldo Feitoza (PSD), Toninho Salgado (PDT) e Nelsinho Filho (PMDB) estiveram, ontem, na E.E Jardim Primavera II, no Jardim Primavera, onde participaram de reunião, convocada por pais de alunos e dirigentes da escola, a fim de discutir o processo de reorganização das unidades, promovido pelo Governo do Estado.

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Cerca de 100 pessoas participaram do encontro. Todas manifestaram contrariedade em relação à transferência dos alunos para a escola vizinha (E.E Tancredo Neves), já confirmada pela Diretoria Regional de Ensino, e pediram apoio dos vereadores, na tentativa de reverter essa decisão. Um abaixo-assinado também foi entregue, de modo a reforçar o pleito.

O principal argumento é de que a unidade em questão já se enquadra aos critérios previstos no plano de reformulação em curso – e, além disso, está estruturada para receber a esse público.Os vereadores apoiaram a reivindicação dos pais e professores, cientes de que não há motivos para a alteração proposta.

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Eles se comprometeram a agendar uma reunião com o responsável pela Diretoria Regional de Ensino, professor João Bosco, a fim de pedir a revisão de tal medida. O encontro deve ser realizado até a semana que vem.