Alunos do curso de Serviço Social e do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Saúde Socioambiental (NEPSSA), da Universidade Federal do Estado de São Paulo (UNIFESP), adotaram uma iniciativa que as autoridades de Santos e região sequer pensaram: montar um projeto para proteger a comunidade de acidentes ocorridos no Porto de Santos.
Os estudantes contam com a parceria da Coalização São Manoel, Piratininga, Alemoa e Vila dos Criadores; da Associação Biblioteca em Contêiner, da Associação de Combate aos Poluentes (ACPO), da Associação de Saúde Socioambiental (ASSA) e outras entidades preocupadas com o meio ambiente da Baixada Santista.
Entre março e abril próximos, eles vão realizar um seminário de saúde socioambiental e vão estrear o filme-documentário Tambores de Fogo, referente ao incêndio ocorrido na empresa Ultracargo, considerado o maior em região industrial do país e o segundo maior do gênero da história mundial, com 197 horas de duração.
Segundo os universitários, o objetivo é debater a insegurança e os impactos relacionados com a saúde socioambiental na Baixada Santista, considerando as consequências ambientais, econômicas e a saúde pública e coletiva, sobretudo das comunidades diretamente impactadas com as emissões insidiosas e dos acidentes ampliados ocorridos na área portuária.
O estudante André Leandro da Silva Nascimento, diretor da Sociedade de Melhoramentos do Jardim São Manoel, explica que as comunidades ficaram à margem do incêndio, sob o argumento que estava tudo sob controle, “quando na verdade não estava. Não houve e ainda não há atenção às comunidades. Reivindicamos alguns procedimentos aos ministérios públicos estadual e federal, mas ainda aguardamos uma análise de risco das áreas no entorno do porto. Antes eu tinha dúvida. Agora, tenho certeza que estou morando ao lado de uma bomba-relógio”, afirma.
Os estudantes não se conformam com a falta de envolvimento dos municípios, de mobilidade urbana e possibilidade de fuga em caso de acidentes. As comunidades, segundo eles, continuam sendo ‘coadjuvantes’ em relação à segurança.
Jeffer Castelo Branco, também aluno e integrante do Núcleo, lembra que o Seminário de Saúde Socioambiental – Acidentes Ampliados no Porto será importante para analisar os últimos ocorridos e lembrar que “o porto é um contumaz agente de emissões de substâncias tóxicas, que acabam afetando as comunidades. É preciso envolver a sociedade e fazer com que ela decida qual o tipo de desenvolvimento escolhido para a Baixada”, afirma. “Será necessário aterrar milhares de metros de mangue para ampliar um porto que mal tem segurança?”, indaga Jeffer.
Para o estudante, até hoje, foi ‘vendida’ a ideia que o Porto de Santos sendo privatizado se tornaria organizado, mas os recentes episódios, entre eles o ocorrido na Localfrio, “mostra que é na verdade uma verdadeira bagunça com péssimas condições de trabalho, demissões em massa e, ainda, completamente inseguro. Portanto, vamos tentar montar um grande projeto de segurança para a população e não para o porto”.
