Estudantes conhecem povos e a cultura indígena da região

O objetivo é proporcionar um contato direto com os indígenas, quebrando estereótipos normalmente vistos nas tradicionais atividades em sala de aula

Comentar
Compartilhar
19 ABR 2018Por Bárbara Farias08h40
Alunos de 4 e 5 anos da EMEI Cidade de Naha vão vivenciar e conhecer de perto costumes indígenas na Aldeia de ParanapuãFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Em vez do cheiro do livro, o da terra batida na aldeia, as cores reais da pintura no corpo no lugar das ilustrações das páginas. Costume, cultura, cor, tudo na pele, na parede da casa simples, na língua do povo, nos “cabelos mais negros que a asa da graúna”, para citar ‘Iracema’, de José de Alencar. Hoje, no Dia do Índio, a “aula” lúdica de história brasileira contemporânea será na Aldeia de Paranapuã, no Parque Estadual Xixová-Japuí, para alunos de 4 e 5 anos de idade, da EMEI Cidade de Naha, localizada no bairro Catiapoã.

Segundo informou a Prefeitura de São Vicente, por meio da assessoria de imprensa, o passeio dos alunos, nesta quinta-feira (19), ocorrerá pela manhã e à tarde. O objetivo é proporcionar um contato direto com os indígenas, quebrando estereótipos normalmente vistos nas tradicionais atividades em sala de aula.

Ainda de acordo com a Administração Municipal, os alunos assistirão a crianças indígenas tocando e dançando e depois participarão de uma roda de conversa aberta para perguntas. A diretora da escola, Lilian Chiquesi, contou que esta é a segunda visita realizada pela escola e, neste ano, a ação engloba 60 alunos.

“A ideia surgiu de levar a criança ao conhecimento real, a vivenciar essa cultura, ver de perto os costumes e até mesmo descaracterizar o estereótipo do índio”. Na visita do ano passado, a criançada brincou com os curumins e visitaram as ocas da aldeia.

Os alunos participam antecipadamente das atividades tradicionais, como música, reconhecimento da oca, pintura de cocar e conversas de roda. “Esse contato é importante no sentido de sair do abstrato e trazer para a realidade da criança algo tão próximo e que parece distante. Há uma importância muito rica no trabalho com valores, solidariedade, humanização e principalmente igualdade racial”, ressaltou Lilian.

Tribo Kariri Xocó

Já a tribo indígena Kariri Xocó está visitando as unidades do Colégio Objetivo de São Vicente e de Santos (Embaré e Ponta da Praia). Cerca de dez índios da tribo prometem encantar o público estudantil com a feira de artesanato e apresentações culturais. As atividades começaram ontem e seguem hoje e amanhã.   

Segundo os organizadores, a iniciativa é uma imersão na cultura indígena para mais de 600 crianças e adolescentes.

No encontro de ontem, foi montada feira de artesanato na unidade da Avenida Epitácio Pessoa. Na programação, houve a dança do toré, dança do casamento, ritual da caça, além de apresentações culturais e uma roda de perguntas e respostas sobre a cultura dos Kariri Xocó. A mesma programação será realizada em todas as unidades até amanhã.  

A tribo Kariri Xocó é uma das maiores reservas indígenas do nosso país. Originários de Alagoas, a tribo vem desenvolvendo um trabalho educacional em escolas, hotéis e espaços culturais. O trabalho consiste em apresentar a cultura de forma geral como danças, pintura corporal e seus significados, objetos patrimoniais e palestras com os estudantes a fim de promover uma interação que transcenda o preconceito e resgate a cultura pertencente a todos os brasileiros.

Durante a conversa assuntos como o ritual de Ouricuri e da dança de Toré, serão alguns dos temas abordados.