Estrutura de Seabrigo é alvo de reclamação de abrigados

Eles afirmam que equipamento não oferece condições adequadas e nem proporciona privacidade

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26 MAI 201510h27

Embora tenha sido inaugurada recentemente – no último dia 5 - a nova sede da Seção Abrigo para Adultos, Idosos e Famílias em Situação de Rua (Seabrigo-AIF) - Monsenhor João Joaquim Vicente Leite, batizada em homenagem ao ex-vigário geral da Diocese de Santos, já é objeto de reclamação dos abrigados. A situação já foi encaminhada ao Ministério Público (MP).

A abrigada Regina Helena Bellin informou à Reportagem que o novo equipamento público, que fica na Rua Manoel Tourinho, 352, no Macuco, não proporciona privacidade aos internos. Os banheiros, segundo conta, “são abertos expondo a intimidade das pessoas na hora do banho. Também não são adaptados para deficientes (faltam barras de apoio) e os chuveiros não esquentam e as pias não têm água”.

“Os quartos são improvisados. Alguns sem janelas” diz Regina (Foto: Luiz Torre/ DL)

“Os quartos são improvisados. Alguns sem janelas. Cerca de nove metros quadrados para quatro pessoas. Temos apenas duas gavetas para colocar todos os nossos pertences, incluindo as roupas. Não há varal e faltam extintores de incêndio”, afirma Regina.

Ela revela que ao invés de copos descartáveis, os internos são obrigados a usar canecas de plástico e que a lavanderia e quartos alagam em dias de chuva. “Cozinha, refeitório e quartos não podem ser abertos porque ficam em frente ao quintal da Associação São Vicente de Paulo. Falta circulação de ar – ambientes permanecem fechados o tempo todo”.

Outro abrigado, Juan Osvaldo Mello Araya, que é portador de necessidades especiais, afirma que a falta de acessibilidade e adaptações dos banheiros vem lhe causando constrangimento. “Meu filho, que é cuidador, é proibido de vir me dar banho. Então, tenho que me arriscar todos os dias”, afirma.

A Reportagem foi até o Seabrigo para tentar, in loco, checar todas as informações dos abrigados. Porém, embora seja um prédio público, foi proibida de entrar, após a Prefeitura justificar que o equipamento é a casa dos abrigados e, neste sentido, a privacidade deles estaria ameaçada.

Reportagem não foi autorizada a entrar para verificar as denúncias (Foto: Luiz Torres/ DL)

Prefeitura

Em nota, Administração afirma que os problemas apontados não procedem.

“O abrigo Monsenhor João Joaquim Vicente Leite é fiscalizado pelo Conselho Municipal de Assistência Social, Ministério Público Estadual e pela Diretoria Regional de Assistência e Desenvolvimento Social (Drads), que são os órgãos competentes para verificar os cumprimentos das normas exigidas para o funcionamento da unidade”, diz a Prefeitura.