Cotidiano

Espécie invasora se espalha pelo litoral brasileiro e ameaça o equilíbrio da biodiversidade marinha

Organismo vindo do Indo-Pacífico ocupa o espaço de corais nativos e prejudica a pesca artesanal entre o Rio de Janeiro e Santa Catarina

Nathalia Alves

Publicado em 10/02/2026 às 12:40

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Alta capacidade de reprodução e ausência de predadores naturais transformam o organismo em um dos maiores desafios para a conservação marinha atual / Reprodução/ Keidy Beranger/Flickr

Continua depois da publicidade

O coral-sol tem se espalhado por diferentes pontos do litoral brasileiro e despertado a atenção, e a preocupação, de especialistas, ambientalistas e pescadores.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Considerada uma das principais espécies marinhas invasoras do país, a presença do organismo é monitorada desde o início dos anos 2000, quando surgiram os primeiros registros.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Pão de centeio: o carboidrato que ajuda a emagrecer e mantém a saciedade por mais tempo no dia

• Cientistas descobrem oásis de vida e 28 novas espécies no mar profundo da América do Sul

• Evidências do impacto real da mineração submarina são descobertas e preocupam cientistas; entenda

Acredita-se que a introdução tenha ocorrido por meio da água de lastro de navios ou pela fixação em cascos de embarcações internacionais, o que facilitou sua rápida disseminação pelas regiões Sudeste e Sul.

Com coloração intensa e aparência que lembra verdadeiros tapetes submersos, o coral-sol ocupa áreas antes dominadas por espécies nativas, alterando significativamente o ecossistema marinho. O avanço da espécie representa um desafio para a conservação da biodiversidade e para a proteção da pesca artesanal, atividade essencial para inúmeras comunidades costeiras.

Continua depois da publicidade

O que é o coral-sol

O coral-sol engloba espécies do gênero Tubastraea, com destaque para Tubastraea tagusensis e Tubastraea coccinea, originárias do Indo-Pacífico. Diferentemente dos corais recifais tradicionais, ele não depende da simbiose com algas para sobreviver, o que lhe confere maior resistência a variações ambientais e permite a colonização de áreas degradadas.

Esses organismos formam colônias extensas em rochas, costões, portos, plataformas de petróleo e estruturas artificiais submersas, como naufrágios.

O contraste visual no fundo do mar A coloração vibrante da espécie invasora esconde um grave perigo para o ecossistema marinho brasileiro, uma vez que o organismo ocupa rapidamente o espaço de corais e esponjas nativas/Giro 10
O contraste visual no fundo do mar A coloração vibrante da espécie invasora esconde um grave perigo para o ecossistema marinho brasileiro, uma vez que o organismo ocupa rapidamente o espaço de corais e esponjas nativas/Giro 10
Tapetes vivos em estruturas artificiais Plataformas de petróleo e cascos de navios servem como vetores de dispersão para a espécie invasora, que forma colônias extensas e de difícil remoção em estruturas submersas/Giro 10
Tapetes vivos em estruturas artificiais Plataformas de petróleo e cascos de navios servem como vetores de dispersão para a espécie invasora, que forma colônias extensas e de difícil remoção em estruturas submersas/Giro 10
Competição por recursos e espaço Sem predadores naturais no litoral do Brasil, a espécie invasora altera a cadeia alimentar local e pode provocar o deslocamento de peixes e crustáceos de interesse comercial/Wikipedia
Competição por recursos e espaço Sem predadores naturais no litoral do Brasil, a espécie invasora altera a cadeia alimentar local e pode provocar o deslocamento de peixes e crustáceos de interesse comercial/Wikipedia
Esforços de controlo e remoção manual Mergulhadores e especialistas realizam o acompanhamento constante das áreas afetadas, utilizando a remoção manual como uma das principais estratégias para tentar conter o avanço do organismo na costa/Wikipedia
Esforços de controlo e remoção manual Mergulhadores e especialistas realizam o acompanhamento constante das áreas afetadas, utilizando a remoção manual como uma das principais estratégias para tentar conter o avanço do organismo na costa/Wikipedia

A combinação entre rápida reprodução assexuada, alta adaptabilidade e ausência de predadores naturais torna o coral-sol uma ameaça ainda maior, colocando-o entre as espécies exóticas marinhas mais problemáticas da atualidade.

Continua depois da publicidade

Impactos no litoral brasileiro

A presença do coral-sol afeta diretamente a biodiversidade ao competir por espaço e recursos com espécies nativas, como esponjas, ascídias e corais locais. Esse processo reduz a diversidade biológica e compromete o equilíbrio dos ecossistemas.

A faixa costeira entre o Rio de Janeiro e Santa Catarina é considerada uma das áreas mais críticas, com monitoramento constante do avanço da espécie.

Os impactos também se refletem na cadeia alimentar e na economia. A diminuição de organismos nativos pode afetar peixes e outros animais marinhos, além de provocar prejuízos à pesca, especialmente quando o coral-sol cobre bancos de moluscos e crustáceos de interesse comercial, levando à migração de espécies exploradas economicamente.

Continua depois da publicidade

Medidas de controle e combate

Para conter a expansão do coral-sol, órgãos ambientais, universidades e comunidades pesqueiras têm atuado de forma integrada. Entre as principais estratégias adotadas estão a remoção manual das colônias por mergulhadores treinados, o monitoramento contínuo de áreas afetadas e ações de educação ambiental voltadas a pescadores, turistas e empresas de navegação.

Especialistas alertam que a erradicação total da espécie é extremamente difícil, já que pequenos fragmentos são capazes de originar novas colônias. Por isso, o controle exige esforços permanentes, planejamento de longo prazo e vigilância constante.

A importância de preservar o equilíbrio marinho

A conservação dos ecossistemas marinhos é fundamental para a manutenção de serviços ambientais essenciais, como a oferta de alimentos, a regulação do clima e a preservação da paisagem natural.

Continua depois da publicidade

O avanço do coral-sol evidencia a necessidade de políticas públicas integradas, investimento contínuo em pesquisa científica e cooperação entre sociedade, governo e setor privado.

Proteger o litoral brasileiro é um desafio coletivo. Considerada uma área estratégica para a biodiversidade global, a costa do país depende de ações coordenadas para conter espécies invasoras e garantir a preservação dos ambientes naturais para as próximas gerações.
 

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software