Cotidiano
Organismo vindo do Indo-Pacífico ocupa o espaço de corais nativos e prejudica a pesca artesanal entre o Rio de Janeiro e Santa Catarina
Alta capacidade de reprodução e ausência de predadores naturais transformam o organismo em um dos maiores desafios para a conservação marinha atual / Reprodução/ Keidy Beranger/Flickr
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O coral-sol tem se espalhado por diferentes pontos do litoral brasileiro e despertado a atenção, e a preocupação, de especialistas, ambientalistas e pescadores.
Considerada uma das principais espécies marinhas invasoras do país, a presença do organismo é monitorada desde o início dos anos 2000, quando surgiram os primeiros registros.
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Acredita-se que a introdução tenha ocorrido por meio da água de lastro de navios ou pela fixação em cascos de embarcações internacionais, o que facilitou sua rápida disseminação pelas regiões Sudeste e Sul.
Com coloração intensa e aparência que lembra verdadeiros tapetes submersos, o coral-sol ocupa áreas antes dominadas por espécies nativas, alterando significativamente o ecossistema marinho. O avanço da espécie representa um desafio para a conservação da biodiversidade e para a proteção da pesca artesanal, atividade essencial para inúmeras comunidades costeiras.
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O coral-sol engloba espécies do gênero Tubastraea, com destaque para Tubastraea tagusensis e Tubastraea coccinea, originárias do Indo-Pacífico. Diferentemente dos corais recifais tradicionais, ele não depende da simbiose com algas para sobreviver, o que lhe confere maior resistência a variações ambientais e permite a colonização de áreas degradadas.
Esses organismos formam colônias extensas em rochas, costões, portos, plataformas de petróleo e estruturas artificiais submersas, como naufrágios.
A combinação entre rápida reprodução assexuada, alta adaptabilidade e ausência de predadores naturais torna o coral-sol uma ameaça ainda maior, colocando-o entre as espécies exóticas marinhas mais problemáticas da atualidade.
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A presença do coral-sol afeta diretamente a biodiversidade ao competir por espaço e recursos com espécies nativas, como esponjas, ascídias e corais locais. Esse processo reduz a diversidade biológica e compromete o equilíbrio dos ecossistemas.
A faixa costeira entre o Rio de Janeiro e Santa Catarina é considerada uma das áreas mais críticas, com monitoramento constante do avanço da espécie.
Os impactos também se refletem na cadeia alimentar e na economia. A diminuição de organismos nativos pode afetar peixes e outros animais marinhos, além de provocar prejuízos à pesca, especialmente quando o coral-sol cobre bancos de moluscos e crustáceos de interesse comercial, levando à migração de espécies exploradas economicamente.
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Para conter a expansão do coral-sol, órgãos ambientais, universidades e comunidades pesqueiras têm atuado de forma integrada. Entre as principais estratégias adotadas estão a remoção manual das colônias por mergulhadores treinados, o monitoramento contínuo de áreas afetadas e ações de educação ambiental voltadas a pescadores, turistas e empresas de navegação.
Especialistas alertam que a erradicação total da espécie é extremamente difícil, já que pequenos fragmentos são capazes de originar novas colônias. Por isso, o controle exige esforços permanentes, planejamento de longo prazo e vigilância constante.
A conservação dos ecossistemas marinhos é fundamental para a manutenção de serviços ambientais essenciais, como a oferta de alimentos, a regulação do clima e a preservação da paisagem natural.
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O avanço do coral-sol evidencia a necessidade de políticas públicas integradas, investimento contínuo em pesquisa científica e cooperação entre sociedade, governo e setor privado.
Proteger o litoral brasileiro é um desafio coletivo. Considerada uma área estratégica para a biodiversidade global, a costa do país depende de ações coordenadas para conter espécies invasoras e garantir a preservação dos ambientes naturais para as próximas gerações.