Cotidiano

Especialistas contestam crença sobre bebês: a crise de natalidade é menor do que se pensava?

O novo estudo desafia a regra de que são necessários 2,1 filhos por mulher para manter a população viva e funcional

Giovanna Camiotto

Publicado em 13/01/2026 às 21:59

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A crise da natalidade tem sido tema de debate há anos / Reprodução/Freepik

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A crise da natalidade tem sido tema de debate há anos, tanto na Finlândia quanto em outros países ocidentais. Por décadas, manteve-se como verdade estabelecida que o número de nascimentos é insuficiente para garantir a vitalidade da população.

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No entanto, especialistas entrevistados pela emissora Yle apresentam agora uma perspectiva diferente: a quantidade de filhos necessária para a renovação populacional pode ter sido superestimada por décadas.

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Na Finlândia, a taxa de natalidade está em queda há muito tempo. Segundo o Statistics Finland, em 2024 a taxa de fertilidade foi de 1,25. Dados preliminares para 2025 indicam uma leve subida, mas o nível permanece baixo. Isso significa que as futuras gerações estão diminuindo, o que afeta o número de pessoas em idade ativa e o sistema previdenciário, que foi construído sob a premissa de que o índice não cairia abaixo de 1,5.

Novas estimativas para um nível sustentável

Embora a crença geral dite que é necessária uma taxa de 2,1 filhos para a renovação populacional, Mikko Myrskylä, diretor do Instituto Max Planck de Pesquisa Demográfica, afirma que isso não reflete mais a realidade atual.

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Ele avaliou à Yle que, para a Finlândia, um nível sustentável poderia ser de até 1,5, levando em conta o aumento da expectativa de vida, a melhora na saúde geral e a imigração. Já Anna Rotkirch, professora de pesquisa da Federação de Famílias, estima que um nível mais seguro seria de, pelo menos, 1,7.

Segundo os pesquisadores, o maior desafio não é a falta de famílias numerosas, mas a queda drástica no número de primogênitos. Sem as taxas de natalidade mais altas de regiões religiosas e focadas na família, os números provavelmente estariam próximos aos níveis do Leste Asiático. A Coreia do Sul, por exemplo, registrou a menor taxa do mundo em 2024: apenas 0,75.

E no Brasil?

A taxa de fecundidade no Brasil vem apresentando uma queda constante nas últimas décadas, refletindo mudanças socioeconômicas e o maior acesso a métodos de planejamento familiar/Pexels
A taxa de fecundidade no Brasil vem apresentando uma queda constante nas últimas décadas, refletindo mudanças socioeconômicas e o maior acesso a métodos de planejamento familiar/Pexels
Atualmente, o índice médio de filhos por mulher no Brasil está abaixo do nível de reposição populacional, que é de 2,1, seguindo uma tendência observada em países desenvolvidos/Pexels
Atualmente, o índice médio de filhos por mulher no Brasil está abaixo do nível de reposição populacional, que é de 2,1, seguindo uma tendência observada em países desenvolvidos/Pexels
O adiamento da maternidade é uma realidade crescente entre as brasileiras, com um aumento significativo no número de mulheres que decidem ter o primeiro filho após os 30 anos/Pexels
O adiamento da maternidade é uma realidade crescente entre as brasileiras, com um aumento significativo no número de mulheres que decidem ter o primeiro filho após os 30 anos/Pexels
Especialistas apontam que a urbanização e a maior inserção da mulher no mercado de trabalho são os principais fatores que influenciaram a redução do tamanho das famílias brasileiras/Pexels
Especialistas apontam que a urbanização e a maior inserção da mulher no mercado de trabalho são os principais fatores que influenciaram a redução do tamanho das famílias brasileiras/Pexels
Com a queda na natalidade e o aumento da expectativa de vida, o Brasil atravessa um rápido processo de envelhecimento populacional, o que traz novos desafios para o sistema de previdência/Pexels
Com a queda na natalidade e o aumento da expectativa de vida, o Brasil atravessa um rápido processo de envelhecimento populacional, o que traz novos desafios para o sistema de previdência/Pexels

Diferenças entre grupos linguísticos diminuem

A natalidade despencou de forma quase contínua após 2010, com uma pequena recuperação apenas durante os anos de pandemia (2020 e 2021). Ainda existem diferenças entre grupos linguísticos: a taxa de fertilidade total das mulheres que falam finlandês tem sido menor do que as de língua sueca ou estrangeira.

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No entanto, essas diferenças estão diminuindo. “A taxa de fertilidade total das mulheres de língua estrangeira foi por muito tempo superior à das falantes de línguas nativas, mas, no início da década de 2020, caiu para o nível da natalidade das falantes de sueco”, explicou Juhana Nordberg, do Statistics Finland.

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