Especialistas estão manifestando preocupação com os riscos de conflitos armados e crises econômicas / Gemini AI
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Centenas de especialistas globais estão manifestando profunda preocupação com os riscos de conflitos armados e crises econômicas entre as nações, prevendo que o mundo está no limiar de um período extremamente instável, segundo dados do World Economic Forum (WEF).
O relatório reuniu percepções de mais de 1.300 analistas sobre os riscos globais de curto e longo prazo, revelando que quase um em cada cinco entrevistados acredita que devemos nos preparar para conflitos econômicos mundiais em larga escala, conforme detalhado no Global Risks Report 2026.
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Conforme as informações, os recursos econômicos serão cada vez mais utilizados como ferramentas para atingir objetivos geopolíticos, sendo este considerado o risco mais provável para uma crise global. Países e grandes blocos de poder estão se voltando para dentro, abandonando a antiga busca pelo crescimento máximo em favor da proteção de seus próprios mercados.
"Eles estão se protegendo, por assim dizer, com barreiras comerciais", observa Henk Volberda, professor de estratégia e inovação da Universidade de Amsterdã e colaborador do relatório. Ele alerta que, para economias abertas, isso representa um duro golpe na prosperidade: "É uma má notícia para o nosso bem-estar", afirma, pontuando que a falta de vantagens comerciais pode encarecer itens básicos, como as compras de supermercado.
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Outro risco crítico é a escalada de confrontos armados, potencializada pela tecnologia. Cerca de 14% dos especialistas acreditam que novas guerras surgirão nos próximos anos, com o agravante de que a Inteligência Artificial pode tornar esses combates muito mais implacáveis.
"Em vez de pessoas reais, enviamos tanques autônomos, drones e navios autônomos para o campo de batalha", explica Volberda. Segundo ele, isso faz com que os conflitos escalem mais rápido e sejam resolvidos com menos agilidade. O professor destaca que já existem "focos de tensão que podem facilmente se transformar em guerras reais entre países", citando a situação volátil em regiões da América do Sul, Irã e Síria.
A evolução tecnológica traz ainda a ameaça do chamado "Q-day", o momento em que a computação quântica será capaz de decifrar senhas e sistemas de segurança atuais com facilidade. Somado a isso, o relatório projeta que, em dez anos, as consequências climáticas, como clima extremo e perda de biodiversidade, serão os perigos dominantes.
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Metade dos consultados espera "um período turbulento ou mesmo tempestuoso" já nos próximos dois anos. Apesar do cenário sombrio, Volberda ressalta que o relatório trata de riscos e não de destinos selados: "Você não deve se deixar abater por essas conversas, mas não sejamos ingênuos", conclui o professor, defendendo que os países devem investir mais em autonomia e defesa para reduzir suas vulnerabilidades.