Cotidiano
Novo estudo analisou 132 mil pessoas ao longo de décadas e aponta a cafeína como componente-chave para preservar a função mental e reduzir a inflamação
Os benefícios foram mais acentuados em quem consome de duas a três xícaras de café por dia / Freepik
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Beber café ou chá diariamente pode ser muito mais do que um hábito de despertar; para a ciência, é uma estratégia de proteção para o cérebro. Uma nova pesquisa publicada no periódico científico JAMA — baseada em dados robustos de estudos como o Nurses' Health Study e o Health Professionals Follow-Up Study — revelou que o consumo moderado dessas bebidas reduz em 18% o risco de desenvolver demência.
O estudo acompanhou quase 132 mil participantes por 40 anos, consolidando a relação entre a cafeína e a saúde cognitiva.
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Os benefícios foram mais acentuados em quem consome de duas a três xícaras de café por dia ou de uma a duas xícaras de chá. Outro estudo indica ainda que o café pode ser benéfico até mesmo para a saúde do fígado.
Segundo os pesquisadores, essa prática ajuda a manter o funcionamento cerebral ideal e retarda o declínio cognitivo, que caiu de 9,5% para 7,8% entre os consumidores habituais. Além do risco menor de doenças, os entusiastas do café apresentaram melhor desempenho em testes que medem a função cerebral geral.
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A grande questão que a ciência começa a responder é como essa proteção ocorre. O estudo destaca que o efeito protetor não foi observado em quem consome café descafeinado, o que aponta a cafeína como o ingrediente principal.
Ela atua na redução da neuroinflamação e do estresse oxidativo, além de melhorar a sensibilidade à insulina — fator crucial, já que o diabetes tipo 2 é um conhecido fator de risco para a demência.
Especialistas como David Pérez, diretor do Instituto de Neurociências do Hospital 12 de Octubre, ressaltam que o café contém compostos bioativos, como polifenóis e ácido clorogênico, que oferecem benefícios antioxidantes e vasculares.
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No entanto, os cientistas fazem um alerta importante: existe um efeito de "teto". Beber quantidades exageradas não aumenta a proteção e pode causar efeitos colaterais como ansiedade, tremores e insônia, que acabam anulando os benefícios neurológicos.
Embora os dados sejam animadores, os médicos enfatizam que o café não é uma poção mágica isolada. Para que o efeito neuroprotetor seja real, ele deve estar inserido em um estilo de vida saudável. Isso inclui alimentação equilibrada, atividade física regular e interação social.
Outro detalhe importante é a forma de consumo: adicionar açúcar e cremes pode diminuir drasticamente os efeitos benéficos. O ideal, segundo a nutrição, é o café preto e puro.
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A pesquisa também trouxe um alento para quem tem histórico familiar: o benefício foi o mesmo para pessoas com alta ou baixa predisposição genética para a demência.
Assim, embora o café não garanta a imunidade contra o Alzheimer, ele se confirma como uma ferramenta acessível e prazerosa na prevenção, ajudando a compor o complexo mosaico da proteção cerebral ao longo do envelhecimento.