Escolta do Acapulco ressalta insegurança

Iniciativa promove sensação de insegurança ao invés de discutir alternativas.

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30 JAN 201309h49

Segundo a Administração Municipal, os recentes feriadões em Guarujá foram os mais tranquilos dos últimos anos. Porém, a iniciativa do luxuoso Condomínio Jardim Acapulco, localizado entre as praias da Enseada e Pernambuco, criando a chamada Operação Especial de Segurança, coloca em xeque o esforço municipal e estadual de, em médio prazo, trazer de volta a sensação de segurança, perdida há anos na Pérola do Atlântico.

Mais do que colocar à prova o poder público, demonstra que, com dinheiro, pode-se “comprar” tranquilidade no que a Administração do condomínio intitula “paraíso”, prometendo preservar a integridade física das pessoas que, sabe-se lá como, conquistaram o privilégio de morar em um local cercado por uma infraestrutura supostamente segura.

Na última sexta-feira (25), dia do aniversário da Cidade de São Paulo, a direção do condomínio voltou a oferecer aos proprietários de imóveis a escolta no trecho que vai da entrada da Cidade, pela Rodovia Cônego Domenico Rangoni (no bairro de Morrinhos) até o túnel da Vila Zilda, que dá acesso à Avenida Dom Pedro.
Mesma operação foi realizada no Natal e no Reveillon. A Administradora já informou, por intermédio da Internet, que pretende continuar com escolta aos moradores todos os finais de semana até o feriado de Carnaval, entre os dias 9 e 12 de fevereiro.

Moradores do Jardim Acapulco dispõem de segurança particular em trechos de maior risco em Guarujá (Foto: Luiz Torres/ DL)

Desviar a atenção

Se passando por um condômino e ligando para o número afixado no panfleto distribuído pelo próprio Jardim Acapulco, a reportagem descobriu que a escolta não é armada e tem como objetivo somente desviar atenção do bandido no momento da abordagem, o que pode ser pior para a vítima, segundo especialistas em segurança.

“Os seguranças podem buzinar, jogar o carro e chamar a polícia. Adotamos essa iniciativa a pedido dos proprietários do condomínio, porque a Polícia Militar não tem projeto de segurança para a área. As autoridades nada fazem também. Não há custo algum para o condômino”, informou um dos responsáveis pela Administração do Acapulco.  

Prefeitura

Procurada, a Prefeitura de Guarujá, por intermédio de sua assessoria de imprensa, entende que esta é uma atitude isolada, que não contribui para os esforços que estão sendo feitos pela Polícia Militar e pela Secretaria Municipal de Defesa Social, no que diz respeito à melhoria das condições de segurança da Cidade. As ações da Administração, em conjunto com o Estado, visam garantir segurança a todos os munícipes e turistas e não só a um grupo específico.

A Administração ressalta que a Operação Verão está em vigor com 400 policiais atuando na Cidade, além do reforço de 50 homens da academia aos finais de semana. Além disso, o efetivo da Guarda Civil Municipal está engajada em auxiliar a PM com ações primárias e preventivas.

Além dos policiais militares, foram enviados agentes da Polícia Civil (dois delegados, cinco escrivães e quatro investigadores) e ainda da Polícia Rodoviária, o Canil, Cavalaria, ROTA, ROCAM, Grupamento Aéreo (Águia) e Resgate Corpo de Bombeiros à cidade.

Vila Zilda - Turista flagrou tentativa de assalto  em túnel (Foto: Reprodução)

Comércio

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Guarujá e Vicente de Carvalho, Hassen Hammoud, afirma que a iniciativa “queima” a imagem do Município. “É ruim para o comércio e para o turismo. Esse é o resultado da falta de policiamento e de segurança”, afirma.

A presidente da Associação Comercial e Empresarial de Guarujá, Dagmar do Carmo, revela que, infelizmente, não há alternativa. “Tem gente que gostaria de fazer o mesmo, mas não tem dinheiro para contratar escolta. É a sociedade assumindo o dever do Estado”.