Escolha da Área Continental para transbordo é contestada em São Vicente

Vereadores questionam definição da Prefeitura para receber unidade de lixo. Entre os parlamentares, há quem defenda a troca do transbordo pela criação de uma usina de lixo

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05 FEV 201511h23

A definição da Prefeitura de São Vicente em instalar a área de transbordo (separação) dos resíduos sólidos na Área Continental não desagradou somente os moradores desta região do Município, mas também alguns vereadores. Entre os parlamentares, há quem defenda a troca do transbordo pela criação de uma usina de lixo.

Segundo o vereador Léo Santos (PSB), a atual Administração Municipal teve dois anos para regularizar a área de transbordo no Parque Ambiental do Sambaiatuba, mas não conseguiu resolver o problema no local. “Agora, o prefeito tem de correr contra o tempo por conta do prazo de 180 dias para cumprir o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado com o Ministério Público”.

Desde o mês passado, a Cetesb, órgão ambiental do Governo do Estado, interditou o Parque Ambiental do Sambaiatuba, onde era feito o transbordo do lixo, a pedido do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (Gaema), órgão do Ministério Público do Estado de São Paulo.

Léo Santos é um dos que defendem a substituição do projeto da área de transbordo pela criação de uma usina de lixo. “Isso precisa ser discutido com a Cetesb. Uma solução definitiva”.

O parlamentar contesta o argumento dado pela Prefeitura de que a Área Continental conta com mais ofertas de terrenos do que a Área Insular para receber o transbordo. “Uma coisa não tem a ver com a outra. Se por acaso ocorrer um problema no transbordo, a área vai acabar virando lixão, como ficou o Sambaiatuba”.

Prefeitura tem de correr contra o tempo para encontrar área de transbordo (Foto: Luiz Torres/DL)

Quem também teme a transformação de um terreno na Área Continental em um novo lixão vicentino é o vereador Pedro Gouvêa (PMDB). “Pode acontecer a mesma coisa que aconteceu no Sambaiatuba. Em um ano, ou dois anos, o local vira um lixão se não for bem administrado”.

Gouvêa lamenta ainda que a Prefeitura não deu prosseguimento aos projetos assistenciais que eram mantidos junto ao Parque Ambiental do Sambaiatuba.

Presente de grego

A decisão de levar para a Área Continental o transbordo também é, segundo Pedro Gouvêa, um presente de grego a quem ajudou o então candidato Luis Cláudio Bili (PP) a se eleger. “Ele foi eleito com muitos votos na Área Continental. As iniciativas positivas do Governo estão indo apenas para a Área Insular”.

O peemedebista defende a ampliação do debate para resolver o problema, inclusive com a avaliação da proposta de outros municípios para receber uma usina regional de lixo. “Até na Área Continental de São Vicente, a usina poderia ser aceita pelos moradores porque se trata de um sistema moderno, com controle dos resíduos”.

Perivaldo Oliveira Santana, o Perivaldo do Gás (PSB), quer tentar convencer na sessão de hoje os demais vereadores a criarem uma frente para discutir, com os moradores da área, a questão do transbordo.

Ao contrário de Pedro Gouvêa, ele diz que a questão do lixo tem de ser resolvida isoladamente em cada município. “Cada cidade tem condições de cuidar de seus resíduos”.
Segundo Perivaldo do Gás, a realização da audiência pública, com técnicos da Cetesb, será essencial para esclarecer as dúvidas dos moradores. “Hoje há muita incerteza, muitas dúvidas. É uma questão que precisa ser esclarecida rapidamente”.
 

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