Escolas municipais de Santos sofrem com descaso

Pais e conselheiros também relatam que as salas de aula da UME Samuel Augusto Leão de Moura e UME Olivia Fernandes amanheceram debaixo d’água depois das fortes chuvas

Comentar
Compartilhar
21 ABR 2018Por Vanessa Pimentel08h30
Estado precário de algumas escolas municipais de Santos tem revoltado pais e conselheirosFoto: Rodrigo Montaldi/DL

O estado precário de algumas escolas municipais de Santos tem revoltado pais e conselheiros de educação. Mato alto, goteiras, infiltração, falta de infraestrutura, pintura, revestimento e atraso da entrega dos kits que contemplam uniforme e material escolar são alguns dos problemas mencionados. Eles relataram também que as salas de aula da UME Samuel Augusto Leão de Moura e UME Olivia Fernandes amanheceram debaixo d’água depois das fortes chuvas que atingiram a região no último fim de semana.

De acordo com o Conselheiro Municipal de Educação, Nelson Melchior, a situação é antiga. “O governo diz que esses problemas são pontuais, mas não são. O que é difícil pra gente entender é que a cidade é referência em educação, recebe títulos que geram verbas para o setor, mas pra onde elas vão? Também ressalto que as obras ou reformas que conseguimos são sempre porque houve uma mobilização dos pais e professores, caso contrário, nada é feito”, explica.

A qualidade das obras também é questionada por ele. Como exemplo, Nelson cita uma área em torno de seis a oito metros quadrados que foi cimentada na Ume Professor Pedro Crescenti, mas o material usado não teria sido adequado. “A área é para as crianças brincarem, mas como o cimento é áspero, acabou ficando perigoso pra elas”.

Há, ainda, pátios escorregadios quando chove, poucos ventiladores e extintores e a falta do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), situação que já foi relata pelo DL em 2015, quando das 80 unidades municipais, apenas 14 apresentaram o documento válido. Este ano um novo levantamento foi feito e mostrou que a situação piorou: das 81 escolas existentes hoje, 77 não possuem AVCB, necessário para garantir que o local tem as condições de segurança necessárias em caso de combate a incêndios.

Wolney Silva Paiva, conselheiro da Escola Municipal Samuel Augusto Leão Moura, na Zona Noroeste de Santos, reclama da dificuldade em conseguir agendar reuniões com o prefeito e os secretários. “Quando eles vêm visitar as escolas não nos avisam e aí fica difícil uma conversa franca sobre os problemas e cobrar uma solução”, diz.

Segundo ele, a falha na gestão das escolas se agrava porque pequenos problemas, como um reparo no telhado, cresce devido à demora em agir do poder público.

“Por exemplo, aqui na Leão de Moura pleiteamos por muito tempo uma reforma no refeitório. Conseguimos e pedimos para que ela fosse feita no período de férias dos alunos, mas houve atrasos e a obra está sendo realizada só agora. Então têm dias que a gente pede para eles pararem por causa do barulho ou odores fortes de alguns produtos e atrasa mais. É tudo errado”, desabafa Wolney.

Corpo docente

Em relação ao corpo docente das escolas, os dois foram unânimes em dizer que os professores e diretores são capacitados e esforçados, o problema é a falta de estrutura para que eles possam trabalhar adequadamente. Também faltam merendeiras e professores substitutos.

A mãe de um dos alunos do Leão de Moura disse que recebeu a informação de que o kit com o uniforme e material escolar tem previsão para ser entregue ainda este mês. As aulas começaram em fevereiro.

Só na Zona Noroeste existem cerca de 28 unidades escolares que abrigam em torno de 15 mil estudantes.

Escola no Caruara também pede atenção

A escola municipal Ricardo Sampaio Cardoso ‘Judoca’, no bairro Caruara, na Área Continental de Santos enfrenta uma situação parecida.  

 

Pedro Rodrigues da Matta e Lenina Bento da Silva, diretores do Sindicato dos Servidores Estatutários (Sindest), visitaram o local e notaram muitos problemas.

De acordo com eles, o muro providenciado pelo diretor municipal da escola para impedir a entrada da água foi demolido pela diretora estadual. Eles desconhecem o motivo da demolição, mas viram que a água do braço de mar que passa atrás da escola invade suas dependências quando chove muito ou a maré sobe.

“Nesses casos”, diz Pedro, “todas as atividades do colégio ficam inviabilizadas”. Lenina ficou “assustada” ao ouvir dos funcionários a respeito das cobras que aparecem na quadra esportiva, vindas com a água. A sindicalista viu que os parafusos e ganchos que seguram as telhas nas vigas estão prestes a se soltar, com risco de desabamento em cima dos alunos, professores e funcionários.

Lenina constatou ainda que a pia da cozinha está na altura da coxa das funcionárias, pois ficou muito baixa quando subiram o piso do local. No banheiro, não há instalação elétrica e a lâmpada precisa de extensão.

Prefeitura

Em entrevista concedida ao Diário do Litoral, o secretário de Educação de Santos, Carlos Alberto Ferreira Mota, afirmou que a zeladoria e manutenção das escolas são feitas em parceria com a Secretaria de Serviços Públicos. “Diariamente as equipes visitam as escolas e executam os serviços básicos necessários, inclusive aos finais de semana”, disse.

Em relação aos alagamentos registrados dentro das salas de aula das escolas Leão de Moura e Olivia Fernandes, informou que a Regional está fazendo um levantamento para verificar as questões de drenagem do primeiro estabelecimento e que o prazo para o resultado é de 90 dias. Já em relação à Olívia Fernandes, afirmou que o telhado da escola já passou por uma revisão e que o forro foi reforçado.  

Afirmou também que a parte elétrica de todas as escolas municipais será revisada para que até dezembro de 2019, 100% das salas sejam climatizadas. Também está prevista a troca das lâmpadas por Led.  

Quanto às falhas apontadas no acabamento do pátio da Professor Pedro Crescenti, declarou que a escola passou por reformas no início do ano passado que contemplaram uma nova cozinha e telhado e que toda obra foi planejada seguindo os parâmetros da legislação. “Caso a unidade apresente um levantamento que mostre que o material utilizado no pátio não foi o adequado, a obra pode passar por revisão”, explicou.

Em relação ao AVCB, disse que desde janeiro deste ano os processos administrativos das 81 unidades foram restaurados e aguardam um novo prazo do Ministério Público para a execução dos serviços necessários.

No que diz respeito aos Kits, explicou que o atraso na entrega foi causado por questionamentos judiciais feitos por empresas que participaram da licitação. Porém, a prefeitura conseguiu comprovar que todos os itens pedidos estavam corretos e a entrega do kit com material escolar foi concluída. Já a entrega dos uniformes será finalizada ainda este mês.

Em referência a escola Ricardo Sampaio Cardoso, no Caruara, disse que a Secretaria de Educação do Estado fez uma intervenção no muro porque ele estava em discordância com as regras de acessibilidade e de segurança, mas a Regional fará uma avaliação na unidade para identificar e sugerir novas soluções para os problemas enfrentados por lá.