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Escolas fecham, mas comércio continua aberto após fuga em massa em Mongaguá

A fuga de 563 detentos do CPP não mudou a rotina de comerciantes e moradores da cidade

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18 MAR 2020Por Nayara Martins07h15
No final da tarde de segunda-feira (16), 563 detentos fugiram do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de MongaguáFoto: Nair Bueno/DL

A fuga de 563 detentos do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Mongaguá não mudou a rotina de comerciantes e moradores do bairro Balneário Arara Vermelha, onde fica localizado o presídio. Mesmo com recomendações de agentes penitenciários, eles continuam andando pelas ruas e com portas abertas.

Foram recapturados 201 detentos até a conclusão desta edição (leia mais em matéria abaixo).

"Uns cinquenta dos que escaparam entraram aqui assim que saíram, mas não pegaram nada. Nos pediram roupas, avisamos que não tínhamos. Trabalhamos há oito anos neste local em família e nunca tivemos problemas", disse Mayra Santos Amaral, 24, proprietária de uma mercearia a cerca de 400 m da penitenciária.

"Aliás, quando tem a saidinha, os policiais sempre checam se estão por aqui bebendo. Até agora, nenhum deles veio perguntar se tivemos alguma ocorrência", completou.

A saída em massa provocou o cancelamento de aulas das creches e escolas da cidade, que retomam hoje as atividades. Além disso, um supermercado da rede Krill também foi fechado.

"Temos muito mais medo das pessoas que estão soltas do que desses. Eles sempre passam, dão bom dia, boa tarde e nos respeitam", diz a comerciante Francisca dos Santos.

Já quem mora no bairro Flórida Mirim, que fica próximo ao CPP, está apreensivo. Para a comerciante Socorro Souza, que mora na rua Atum, no Flórida Mirim, há 26 anos, é uma preocupação constante. "Acho um absurdo isso, temos que ficar trancados dentro de casa, pagamos nossos impostos e quem fica preso somos nós", desabafa. Lembra ainda que nas saídas temporárias de final de ano, os vizinhos são os mais prejudicados, pois não podem entrar com o carro na rua.

"Ontem durante a fuga foi uma correria enorme, eles saíram todos correndo e queriam pegar as nossas roupas para trocar. Sou contra as saídas temporárias. Se eles cometem algum tipo de crime acho que têm que ficar no presídio", completa.

Parentes presos

Diversos familiares de presos ficaram bastante preocupados com os seus parentes que estavam na unidade após a fuga em massa. Isso porque até às 15h30 de ontem (17) eles ainda não tinham nenhuma informação ou a lista de presos que fugiram e nem dos que permaneceram no CPP.

Um exemplo é o casal Mário Sérgio Piza e Josefa da Silva, de Itanhaém, que tem um filho de 24 anos preso no semiaberto do CPP. "Ainda não sabemos nada e nem soltaram a lista dos que ficaram no presídio. Meu filho já passou pelo promotor e já cumpriu o tempo para ser solto", disse Josefa que passou mal ao saber da notícia, ontem à noite.

"Passamos por uma humilhação nas visitas aos finais de semana, eles revistam tudo o que levamos. Os presos têm apenas duas refeições por dia e a comida é muito ruim", comenta o pai Mário Piza.

Cristina Roberta Santana Maia, moradora no bairro Melvi, em Praia Grande, e irmã de um dos presos também foi ao CPP para saber notícias do irmão, de 30 anos, que estava há seis meses no presídio.

"Minha preocupação é grande, pois ainda não sei se ele é um dos fugitivos ou se está no CPP. Nossa mãe ainda nem sabe sobre essa fuga que aconteceu ontem aqui".

Outro lado

A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) afirma que as reclamações feitas por parentes de presos no CPP não procedem. E esclarece que são fornecidas três alimentações (café, almoço e jantar) por dia aos presos. Ainda conforme afirma a SAP, todas as comidas têm cardápio devidamente supervisionado por nutricionistas e a alimentação é balanceada e produzida dentro das normas. (Com informações da Folhapress)