‘Entrego a Prefeitura com a consciência de dever cumprido’, afirma Maria Antonieta

­A prefeita de Guarujá reconheceu que a zeladoria da cidade não foi o seu forte, mas que o aspecto de abandono se deu em função das ­prioridades que teve que optar

A frase é da prefeita Maria Antonieta de Brito (PMDB), que ocupará a cadeira de chefe do Executivo de Guarujá somente até o próximo dia 31, quando “passará o bastão” para o prefeito eleito Valter Suman (PSB). Antonieta governa a cidade desde 2009. Seu antecessor foi Farid Said Madi, então do PDT, hoje PPS. “Eu priorizei as áreas que não podem ter descontinuidade dos serviços à população. As opções que tive não foram as que gostaria, mas as que foram possíveis de serem feitas”, afirma.  

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Em entrevista no Paço Municipal e com o balanço de seus oito anos de governo em mãos, a prefeita Maria Antonieta ­reconheceu que a zeladoria da cidade não foi o seu forte, mas que o aspecto de abandono se deu em função das ­prioridades que teve que optar. “Quando o cobertor é curto, a gente tem que escolher o que é mais necessário. Eu escolhi manter os equipamentos sociais funcionando e não me arrependo da opção. Fiz tudo que estava ao meu alcance”, disse.

Maria Antonieta disse que sua gestão teve problemas, mas sempre enfrentou com muita austeridade os relacionados à saúde e educação. “Um gestor tem que ter prioridade. As minhas foram manter salários e contratos essenciais em dia; abrigos equipados, projetos assistenciais funcionando e garantir investimentos. Mato alto não é bom de ser visto, mas existe problemas que não podem ser negligenciados. Entre o serviço de saúde funcionando e cortar o mato nas ruas, vou escolher atender as pessoas. Tenho 30 bebês órfãos num abrigo que são minha responsabilidade e não pode faltar nada”, exemplifica.

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Certidões

Maria Antonieta afirma que certidões da Prefeitura, que garantem crédito à cidade, estão em dia, a ponto de permitir a obtenção de cerca de R$ 300 milhões em obras em andamento e em processo de licitação, principalmente nas áreas de habitação e infraestrutura. Antonieta mostrou até um mapa das obras. “Suman vai abrir o governo com obras acontecendo em diversos pontos do município. Obras licitadas e outras que terão que ser licitadas. Projetos prontos, aprovados e convênios assinados”, disse.

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Apesar de contestada pela equipe de transição de Suman, a prefeita garante que dívidas com fornecedores e precatórios estão em dia, bem como o parcelamento com a Previdência. Os salários dos seis mil servidores também estão em dia. “Eu nunca atrasei salários, apesar das dificuldades dos últimos dois anos. Vou publicar todas as certidões pagas. Se não estivessem pagas, não conseguiríamos receber verbas e desenvolver projetos”, disse.

Sobre a coleta de lixo, a prefeita garantiu que a cidade não terá problemas. “Só tenho duas parcelas do contrato do lixo abertas, o que considero uma boa situação diante de outros municípios”, revelou. Ela lembra que assumiu o município, em 2009, com um orçamento de R$ 630 milhões e deixará o governo com um de R$ 1,2 bilhão. “Isso é resultado de estímulos aos mecanismos de controle e fiscalização. O Imposto Sobre Serviço (ISS), que estava em quarto lugar em arrecadação, na minha gestão ser tornou o segundo, depois do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU)”, revelou.

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A prefeita Maria Antonieta disse que apesar das dificuldades, está tranquila com relação à situação socioeconômica de Guarujá, fez o melhor que pode e que conseguiu promover inúmeros avanços, sendo que um dos principais deve ocorrer nos próximos dias. “Estamos finalizando a análise dos documentos do aeroporto e devemos abrir os envelopes para a elaboração do projeto de construção. Isso significa que deveremos assinar os contratos de início das obras até o final do ano”.

Sobre o sonho de ter um túnel ligando o município à vizinha Santos, Antonieta disse que é “inevitável. Se o Governo (Estado) vai fazer com recursos próprios ou vai realizar uma concessão em troca da obra eu não sei, mas passando a crise, com certeza o projeto será realizado. Em outros lugares do mundo uma travessia dessa é muito comum. Uma tecnologia até superada. Da minha parte, foram realizados estudos, minimizados conflitos e exigências para garantir a qualidade de vida de quem mora do lado de cá”, disse.

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Sobre uma das mais altas rejeições existentes na região, Antonieta revelou que respeita a avaliação da sociedade, mas “não sinto isso nas ruas. Quando o cidadão entende os reais motivos da Administração não ter asfaltado uma rua ou roçado o mato, começa a entender de outra forma. Reconheço que tivemos um pouco de dificuldades de comunicação. Mas em nenhum momento deixei de fazer o máximo que poderia. Eu já me cobrei muito, até porque sou educadora, mas também aprendi a conhecer mais a sociedade”, finaliza.