O surto de hantavírus no navio de cruzeiro holandês MV Hondius colocou os departamentos de saúde de vários países em alerta. O episódio levantou uma questão que ganhou força desde a pandemia de Covid-19: há risco de um novo desastre mundial?
Mesmo com essa preocupação, especialistas e até a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmaram que o cenário atual é muito distinto do vivido com o coronavírus, e o risco para a população em geral permanece baixo.
O incidente ocorreu durante uma viagem de luxo por regiões remotas da Antártida e do Atlântico Sul, resultando, até o momento, em pelo menos três mortes e cinco casos confirmados, enquanto outros seguem sob investigação
Passageiros infectados foram levados para hospitais na África do Sul e na Europa, e as autoridades ainda estão rastreando aqueles que desembarcaram e viajaram para países como Reino Unido, Países Baixos, Suíça e Estados Unidos.

Características e formas de transmissão
Mesmo com um impacto global significativo, a Organização se recusou a fazer comparações diretas com a Covid-19 ou a gripe, apontando que o hantavírus tem um comportamento de transmissão totalmente diferente.
Trata-se de uma zoonose grave transmitida principalmente pelo contato com partículas na urina, fezes ou saliva de roedores silvestres..
A contaminação ocorre, geralmente, quando se respira poeira contaminada em áreas rurais ou ambientes fechados infestados
No caso do MV Hondius,a suspeita é de que um passageiro tenha embarcado já contaminado após passar pela Patagônia argentina, onde circula a cepa Andes.
Esta é a única variante conhecida capaz de apresentar transmissão entre humanos, mas apenas em situações de contato íntimo e prolongado.

Risco de pandemia ?
Especialistas destacam que, embora o episódio seja inusitado por ocorrer em um navio, ele é insuficiente para gerar uma pandemia. O hantavírus não se espalha tão facilmente em locais públicos ou transportes coletivos.
A infectologista Elba Lemos, pesquisadora da Fiocruz, acrescenta que uma emergência de saúde global como a de 2020 não é uma possibilidade.
No entanto, o caso chama atenção pela alta letalidade da doença, que pode variar entre 20% e 50% dependendo da rapidez do diagnóstico
Os primeiros sintomas imitam uma gripe, com febre alta e dores musculares, antes de progredir para falta de ar aguda, pressão arterial baixa e problemas renais.
Sem vacina ou terapia antiviral direcionada, o cuidado é baseado em tratamento hospitalar intensivo.
Monitoramento e segurança em cruzeiros
O episódio reacendeu o debate sobre a segurança sanitária em navios de cruzeiro. Ambientes fechados e circulação internacional aumentam a prevalência de doenças infecciosas, como nas grandes epidemias vistas durante a pandemia de Covid-19.
Mas o setor agora funciona sob regras muito mais rigorosas em torno de ar condicionado, qualidade da água e monitoramento de passageiros.
Para a Organização Mundial da Saúde, é um momento de vigilância, mas não de pânico.
As autoridades continuam acompanhando os passageiros expostos devido ao longo período de incubação da doença, que pode chegar a seis semanas.
No Brasil, especialistas sugerem que os residentes devem estar vigilantes em áreas rurais e atenção a sintomas respiratórios após viagens para regiões onde o vírus circula.
