Entenda a tecnologia por trás do “superpedágio” da Anchieta que usa raio-X digital para cobrar motoristas

Os pórticos free flow possuem rede de câmeras inteligentes, sensores a laser e antenas capazes de identificar todos os veículos que passam pela rodovia

Previsto para começar a operar em julho, o sistema fará com que os condutores que realizam o trajeto de subida arquem com uma taxa na subida e na descida das rodovias (Divulgação)

Diferentemente do modelo tradicional, o free flow não possui cabines, barreiras ou funcionários realizando cobranças

Quem passa pela Via Anchieta ou pela Rodovia dos Imigrantes já consegue ver as novas estruturas metálicas instaladas sobre as pistas. À primeira vista, elas parecem apenas mais um equipamento de monitoramento, porém, elas representam uma das maiores transformações tecnológicas já implantadas no principal corredor rodoviário entre São Paulo e o litoral.

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Os pórticos do sistema Siga Fácil, conhecido como free flow, entraram na fase final de testes e prometem substituir as tradicionais praças de pedágio por uma rede de câmeras inteligentes, sensores a laser e antenas capazes de identificar automaticamente todos os veículos que passam pela rodovia, mesmo sem reduzir a velocidade.

A expectativa é que o novo sistema comece a operar em julho, após a homologação da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).

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Como funciona o pedágio sem cancelas

Diferentemente do modelo tradicional, o free flow não possui cabines, barreiras ou funcionários realizando cobranças.

No lugar disso, o motorista passa por baixo de um pórtico equipado com uma série de dispositivos eletrônicos capazes de registrar automaticamente a passagem do veículo.

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A cobrança é feita posteriormente, por meio da leitura da tag eletrônica ou da placa do automóvel.

Os equipamentos já estão instalados na Via Anchieta, na altura do quilômetro 33, e na Rodovia dos Imigrantes, no quilômetro 29, em ambos os sentidos. Neste momento, eles operam apenas em fase de testes e ainda não realizam cobranças.

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Os olhos eletrônicos que identificam tudo

O coração do sistema está nas câmeras equipadas com tecnologia OCR, que realiza o reconhecimento óptico de caracteres.

Esse recurso permite a leitura automática das placas dianteiras e traseiras dos veículos em movimento, mesmo em alta velocidade.

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A tecnologia é semelhante à utilizada em sistemas modernos de fiscalização e monitoramento ao redor do mundo.

Além das placas, sensores instalados nos pórticos analisam características físicas dos veículos, como altura, largura, comprimento e quantidade de eixos.

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Isso permite diferenciar automóveis, caminhões, ônibus e veículos de carga pesada, garantindo que a tarifa correta seja aplicada para cada categoria.

O desafio tecnológico contra a neblina da serra

Um dos maiores desafios do projeto é justamente o ambiente onde ele foi instalado visto que a Serra do Mar frequentemente registra neblina intensa, chuva e mudanças bruscas de visibilidade, condições que costumam dificultar o funcionamento de sistemas convencionais de monitoramento.

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Segundo a concessionária, o conjunto de câmeras, sensores e antenas foi projetado exatamente para manter elevados índices de identificação mesmo em condições climáticas adversas e em períodos de tráfego intenso, como feriados prolongados e férias escolares.

Toda vez que um veículo passa pelo pórtico, as informações são enviadas para uma central de processamento onde ocorre o cruzamento dos dados captados pelas câmeras, sensores e antenas.

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O sistema valida as informações, identifica o veículo, verifica sua categoria e calcula automaticamente a tarifa correspondente.

Na prática, especialistas explicam que a tecnologia cria uma espécie de raio-X digital do fluxo rodoviário, registrando em tempo real tudo o que passa pela estrutura.

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O que acontece com os motoristas sem tag?

Uma das dúvidas mais frequentes entre os usuários é como o sistema identifica os veículos que não possuem os dispositivos eletrônicos de pagamento. Nesse caso, a leitura da placa assume o papel principal.

A cobrança fica vinculada ao registro do automóvel e poderá ser consultada posteriormente em plataformas digitais disponibilizadas pela concessionária.

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O pagamento poderá ser realizado de forma simples por meios eletrônicos, como Pix e cartão de crédito.

Nesses casos, atenção será fundamental, pois como não haverá cancela nem cabine física, muitos motoristas podem sequer perceber que passaram por um ponto de cobrança.

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O futuro digital das rodovias paulistas

Embora seja apresentado principalmente como uma mudança na forma de pagamento, o free flow representa um avanço na digitalização das rodovias brasileiras.

Além da cobrança automática, a infraestrutura instalada amplia a capacidade de monitoramento do tráfego, gera informações em tempo real sobre a circulação de veículos e abre caminho para sistemas cada vez mais automatizados de gestão rodoviária.

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Quando entrar em operação definitiva, o Sistema Anchieta-Imigrantes deixará para trás um modelo antigo baseado em cabines físicas e passará a depender de uma inteligência tecnológica capaz de identificar milhões de veículos por ano sem que nenhum deles precise parar.

Para os motoristas, a mudança será quase invisível no dia a dia, mas para o setor de infraestrutura, essa será uma das maiores vitrines de monitoramento inteligente já implantadas nas estradas paulistas.