Ensino bilíngue estimula o desenvolvimento infantil e pode aumentar as chances de sucesso profissional

Especialista explica os benefícios da tendência e como um segundo idioma é melhor absorvido na infância. Em Brasília, ensino já é realidade.

Uma pesquisa do Conselho Britânico revela dados desanimadores sobre a relação dos brasileiros com o inglês. Apesar do trabalho intenso dos cursos do idioma nos últimos 60 anos, apenas 1% dos brasileiros é verdadeiramente fluente em inglês. Outros 4% se relacionam com a língua em vários estágios inferiores ao da fluência plena. A partir desse cenário, muitas escolas bilíngues surgem no país para estimular o aprendizado do novo idioma desde o período de alfabetização e alavancar as possibilidades de cargos de destaque no mercado de trabalho.

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Ao começar o processo de alfabetização, as crianças já têm pleno domínio verbal sobre a língua. A comunicação é feita perfeitamente, mesmo elas não sabendo ler e escrever. Quando os pequenos estudam em um colégio bilíngue, a comunicação no segundo idioma é estabelecida desde cedo. Naturalmente, eles aprendem e fazem as distinções necessárias para o entendimento do português e da nova língua com facilidade.

Segundo a coordenadora pedagógica Tayana Oliveira, quando a criança aprende uma segunda língua desde cedo, ela se torna um sujeito ativo na própria aprendizagem. “Nesta fase, a aquisição de uma segunda língua é muito similar à aquisição da primeira língua. A criança não só repete o que ouve, mas ela produz suas próprias construções linguísticas, vai testando a língua, sentindo o que o interlocutor entende e o que não entende quando ela fala. Perceber-se como autor discursivo é uma aprendizagem muito importante. Uma criança em ambiente bilíngue faz isso naturalmente nas duas línguas. Ela vai construindo o seu próprio conhecimento”, explica.

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Tayana, Mestre em Linguística, explica ainda que a língua não é um organismo isolado, mas faz parte de uma cultura em si. “Quando proporcionamos uma educação bilíngue, promovemos não só a aprendizagem de uma segunda língua, mas um contato com outras culturas. Ao utilizar uma língua, a criança experimenta outras formas de pensar e a ver o mundo de uma outra forma”, esclarece.

“Minha expectativa sincera é que todas as escolas sejam bilíngues. Oportunizar mais conhecimento desde cedo deve ser uma meta real para todos os envolvidos em Educação. Os benefícios dessa educação bilíngue não serão vistos apenas no futuro, com uma atuação profissional melhor e mais abrangente, mas já poderão ser observados mesmo na infância, com crianças mais comunicativas, criativas e críticas”, conclui Oliveira.