Ensino a Distância cresce na Baixada Santista

Semesp aponta aumento de ingressantes, na contramão do cenário nacional

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23 MAR 2017Por Diário do Litoral10h00
Rodrigo Capelato apresentou números durante palestra inaugural da 13ª edição das Jornadas RegionaisRodrigo Capelato apresentou números durante palestra inaugural da 13ª edição das Jornadas RegionaisFoto: Divulgação/Semesp

Enquanto o número de alunos no Ensino a Distância (EaD) apontou queda, tanto no cenário nacional quanto estadual, na Baixada Santista houve o aumento da procura.  É o que aponta um estudo divulgado pelo Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), apresentado ontem durante a 13ª edição das Jornadas Regionais, realizada em Santos.

O estudo apresentou números referentes ao último levantamento do órgão, realizado em 2015.  No EaD, enquanto o País apresentou redução de 2,4% e o estado de São Paulo, diminuição de 11,7% no número de ingressantes na rede privada, a Baixada Santista cresceu 11,9%. Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, classificou a situação como “um ponto fora da curva”.

“A Educação a Distância, na região da Baixada Santista, tem um comportamento diferente das outras regiões. Ela é uma alternativa para as instituições atravessarem esse momento mais difícil, mas também é preciso pensar no presencial porque são públicos diferentes. A gente sabe que no presencial pega mais o jovem e na educação à distância as pessoas que já estão no mercado de trabalho, que já tem família”, analisou o representante do Semesp.

No paronama geral, no entanto, o cenário é de queda no número de alunos que entram no Ensino Superior. Entre as justificativas para essa redução, Capelato apontou a crise e os problemas enfrentados pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), programa do Governo Federal.  Até esta semana, apenas 39% das vagas do Fies foram preenchidas.

“A crise afetou, assim como nos outros setores. Nós tivemos um agravante que foi a crise do financiamento estudantil. Nós registramos uma queda no número de ingressantes já a partir de 2015 porque a economia realmente retraiu e muitas pessoas ficaram desempregadas, ou com receio de ficarem desempregadas, acabaram desistindo ou postergando a decisão de ingressar no ensino superior. E foi agravado com o financiamento estudantil, que foi um dos programas sociais que mais sofreram corte de orçamento, e por meio das regras também que ficaram mais rígidas. Então, somando as duas questões você tem uma queda expressiva de ingressantes em 2015”, comentou o diretor.

A expectativa do Semesp é que essa situação se estabilize neste ano, para que o número de ingressantes volte a subir em 2018.

Outra questão que preocupa é a evasão. Em 2015, a taxa nacional de alunos que interromperam os estudos era de 27%. Na região, dentro da rede privada, o percentual foi de 25,6% para cursos presenciais. No entanto, no EaD, essa taxa foi de 40,8%, a segunda mais alta entre as regiões do estado.

O levantamento apontou uma queda na evasão dentro das matrículas feitas via Fies. Para o membro do Semesp, as instituições precisam achar soluções para o financiamento estudantil.

“É preciso pensar em soluções de financiamento. Muitas instituições estão dando opções para o aluno de financiamento privado ou de crédito educativo próprio. E também revendo o portfólio de cursos. Hoje, a gente sabe que, ao contrário do que aconteceu em 2013 e 2014 em que a procura era muito grande pelas engenharias, principalmente, hoje não temos mais essa procura toda. As instituições precisam entender qual a demanda local, qual a demanda regional. Talvez sejam cursos mais da área de saúde, de graduações tecnológicas, e assim por diante. É preciso ficar atento a tudo isso”, avaliou Capelato.

Mais procurados. Apesar de Rodrigo Capelato ter apontado uma diminuição na busca por engenharia, a vice-presidente do Semesp e presidente da Universidade Santa Cecília (Unisanta), dra. Lúcia Maria Teixeira analisou que o fato é “uma variação normal frente ao mercado de trabalho”.

Na visão de Lúcia, com a crise econômica e os recentes escândalos, as empregadoras deixaram de contratar e isso reflete na procura por cursos. Mas, ela mantém a confiança na retomada do setor.

Na Baixada Santista, os cursos presenciais mais procurados foram Direito, Administração, Engenharia Civil, Pedagogia, Enfermagem, Formação de professor em Educação Física, Arquitetura e Urbanismo, Gestão Logística, Negócios Internacionais e Engenharia de Produção.

Já em EaD, a procura foi maior em Pedagogia, Administração, Gestão Logística, Gestão de Pessoal/Recursos Humanos, Formação de professor de História, Ciências Contábeis, Serviço Social, Formação de professor de Matemática, Empreendedorismo e Engenharia de Produção.

Já em cursos tecnológicos, de menor duração, os mais visados na região foram Gestão Logística, Negócios Internacionais, Gestão de Pessoal/Recursos Humanos, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Curso de Estética e Cosmética, Serviço Portuário, Gastronomia, Empreendedorismo, Tecnologia de Radiologia e Produção de Multimídia.

Para a vice-presidente do Semesp, a procura por cursos na Baixada ainda é muito diversificada. No entanto, ela apontou para uma preferência em carreiras tradicionais.

“As carreiras tradicionais são as que tem o maior número de procura. Aquelas como Direito, Administração, Pedagogia, Engenharia são as que continuam mantendo o maior número de estudantes”, disse Lúcia Teixeira.