Cotidiano

Enfermeiras revelam o maior arrependimento de pacientes no leito de morte e a verdade assusta

No silêncio dos quartos hospitalares, pacientes em estado terminal frequentemente deixam de lado máscaras sociais e passam a falar com uma franqueza rara sobre escolhas, perdas e desejos

Ana Clara Durazzo

Publicado em 29/01/2026 às 10:15

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Um dos arrependimentos mais citados por pacientes em fase terminal é direto e doloroso: ter trabalhado demais / ImageFX

Continua depois da publicidade

O fim da vida costuma impor uma espécie de lucidez inevitável. No silêncio dos quartos hospitalares, pacientes em estado terminal frequentemente deixam de lado máscaras sociais e passam a falar com uma franqueza rara sobre escolhas, perdas e desejos que ficaram pelo caminho.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

E, segundo relatos de profissionais de saúde e estudos científicos, há uma conclusão que se repete: a maior parte dos arrependimentos não nasce dos erros cometidos, mas sim da vida que não foi vivida.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Cientistas revelam a idade em que o corpo humano começa, de fato, a ficar velho

• Quais os sinais que o corpo dá instantes antes da morte? Especialistas revelam

Enfermeiras que acompanham cuidados paliativos descrevem que, nos últimos dias, muitas pessoas não lamentam o que tentaram e falharam. Elas sofrem, sobretudo, por aquilo que deixaram de fazer por medo, prudência excessiva ou por esperar 'o momento certo'.

Trabalhar demais e viver de menos

Um dos arrependimentos mais citados por pacientes em fase terminal é direto e doloroso: ter trabalhado demais.

Continua depois da publicidade

Registros e relatos atribuídos a profissionais como Bronnie Ware — enfermeira australiana conhecida por compilar confissões de pacientes no fim da vida — apontam que muitos doentes percebem tarde demais que:

  • colocaram a carreira acima do convívio familiar;

  • foram ausentes quando ainda havia tempo para estar presente;

    Continua depois da publicidade

  • trocaram afeto e rotina em casa por produtividade.

O resultado, descrito em relatos finais, é uma sensação amarga de que o tempo dedicado ao trabalho não trouxe a satisfação prometida, mas cobrou o preço mais caro: a ausência nas relações que realmente importavam.

O vazio de amizades que se perderam no caminho

Outro ponto recorrente é a fragilidade das conexões humanas.

Continua depois da publicidade

Com o passar dos anos, amizades se desfazem por falta de tempo, distância ou prioridades. Muitos pacientes relatam que, perto do fim, perceberam que:

  • status e dinheiro perdem valor rapidamente;

  • a solidão pesa mais do que qualquer conquista profissional;

    Continua depois da publicidade

  • o que permanece é quem esteve ao lado.

A perda de vínculos sociais aparece como uma ferida silenciosa. Segundo profissionais, pacientes frequentemente lembram de amigos antigos e reconhecem que o afastamento não ocorreu por grandes brigas, mas por algo mais comum — e perigoso: a negligência cotidiana.

As palavras não ditas também viram arrependimento

No fim, não pesa apenas o que não foi feito. Pesa também o que não foi dito.

Continua depois da publicidade

Há doentes que partem com a sensação de terem guardado sentimentos essenciais: pedidos de desculpas, declarações de amor, agradecimentos e reconciliações. Para muitos, o silêncio vira um fardo.

Enfermeiras relatam que é comum pacientes expressarem angústia por:

  • ter engolido emoções para evitar conflitos;

    Continua depois da publicidade

  • não ter demonstrado amor com clareza;

  • deixar conversas importantes “para depois”.

E o “depois”, na maioria das vezes, nunca chegou.

Continua depois da publicidade

Propósito trocado por segurança: o peso dos 'e se'

Entre os arrependimentos mais profundos, está a escolha por uma vida mais segura — porém menos verdadeira.

Pesquisas e relatos indicam que muitos pacientes reconhecem que optaram por caminhos profissionais e pessoais baseados no medo do risco, priorizando estabilidade financeira em detrimento de sonhos e vocações.

A dor não está apenas no que foi perdido, mas na dúvida permanente:

  • E se eu tivesse tentado?

  • E se eu tivesse escolhido diferente?

  • E se eu tivesse vivido de forma mais corajosa?

Segundo pesquisadores, o 'e se' pode ser mais cruel do que o fracasso, porque o fracasso encerra uma tentativa — o ‘e se’ nunca encerra.

A felicidade adiada para um futuro que não chega

Outro padrão recorrente é a procrastinação da alegria.

Muitos pacientes relatam ter passado a vida esperando:

  • o emprego melhor;

  • o dinheiro sobrar;

  • os filhos crescerem;

  • a rotina 'ficar mais tranquila';

  • o momento ideal para ser feliz.

Mas, ao fim, a percepção é dura: a felicidade foi adiada até que o tempo não permitiu mais começar.

O que parecia prudência em vida, vira lamento no último capítulo: a sensação de que viveram no modo automático, acumulando planos, mas esquecendo do presente.

O arrependimento mais impactante: não ter sido autêntico

Entre todas as confissões relatadas por cuidadores, uma se destaca como a mais intensa: não ter vivido com autenticidade.

Pacientes costumam dizer que passaram anos moldando escolhas para agradar:

  • a família;

  • a sociedade;

  • padrões de sucesso;

  • expectativas externas.

E, no fim, percebem que o preço foi alto: uma vida que não refletia a própria essência.

Profissionais relatam que, quando esse arrependimento surge, ele vem acompanhado de uma tristeza profunda — não porque a pessoa falhou, mas porque viveu uma vida que não era dela.

O que o fim da vida ensina aos vivos

Os relatos finais mostram um padrão claro: a maior angústia não está em ter errado, mas em ter sido cauteloso demais, em ter vivido tentando controlar tudo e agradar todos.

A morte, nesses registros, não aparece apenas como despedida — mas como espelho. E nele, muitas pessoas enxergam tarde demais que:

  • tempo vale mais que dinheiro;

  • presença vale mais que sucesso;

  • vínculos valem mais que status;

  • e a vida, para ser plena, precisa ser verdadeira.

No leito de morte, as confissões não falam sobre luxo. Falam sobre coragem.

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software