O Sindicato dos Estivadores de Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão (Sindestiva) e o Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp) conseguiram evitar uma atitude da Santos Port Authority (SPA, leia-se Companhia Docas do Estado de São Paulo – Codesp) que permitiria um arrendamento temporário que poderia prejudicar centenas de trabalhadores e empresas do Porto de Santos. A SPA mudou a estratégia.
A proposta da SPA previa o arrendamento do Cais do Saboó (CS-01), por 60 dias, para a empresa Louis Dreyfus para reparos e transformação de três navios de carga geral em navios de transporte de sucos. Caso isso ocorresse, a partir de maio, a descarga de fertilizantes e granéis sólidos sofreria um grande impacto. A previsão era dos navios atracarem no cais um e dois, sobrando somente o cais três que é inoperante.
O Sindestiva revela que o fato iria deixar uma quantidade enorme de trabalhadores desempregados, além de proporcionar aumento do custo para descarga e embarque desses produtos, levando até a procura de outros portos. A entidade alerta que a SPA poderia estar realizando esse arrendamento nos pontos desativados existentes, como os terminais 33 ao 37, onde era a Libra Terminais, ou no 12, que podem ser fornecidos para reparos sem prejuízos ao Porto de Santos.
“Caso a SPA (Codesp) não revisse a situação, estaria sendo criado mais um problema econômico no Porto, tendo em vista que esses trabalhos são realizados através de rodízio, não somente pela Estiva, como também pela Capatazia, Sindogeesp, Vigia e Bloco, atingindo dessa forma aproximadamente 10 mil trabalhadores avulsos”, explica o presidente do Sindestiva, Nei da Estiva.
No final da tarde de ontem, o Diário obteve a informação do presidente do Sopesp, Regis Gilberto Prunzel, que a SPA mudou de ideia e resolveu atracar o navio da Louis Dreyfus no cais 33, conforme sugeriu o Sindestiva. A SPA não confirmou a mudança até às 18 horas, fechamento da edição.
Empresas
A Conport Afretamentos Marítimos e a Rodrimar Terminais Portuários e Armazéns Gerais também manifestaram preocupação com a situação. O diretor da Rodrimar, Antonio dos Santos Carvalhal, chegou a enviar um ofício ao presidente interino da SPA, Fernando Biral, ao diretor de Operações, Marcelo Ribeiro e ao Superintendente de Operações Portuárias, Valter Barros Barbosa, mostrando preocupação com a questão.
“Se tal fato vir a ocorrer, a safra desses produtos de importação, com início em maio/2020, sofrerá um impacto negativo de extrema relevância em suas descargas com volumes elevados. Sugerimos à que esses navios, necessitados de reparos/transformações, fossem programados pela área de Atracação da SPA em outros berços que hoje se encontram disponíveis no Porto de Santos, citamos como exemplo o da ex-Libra, ora em processo de arrendamento para ser ocupado, provavelmente no segundo semestre de 2020, pelo cluster de celulose”, afirma Carvalhal.
Outro ponto importante a ser ressaltado, segundo o diretor, é a possibilidade de retorno das cargas que foram desviadas nos últimos anos, sendo uma das metas de Planejamento Estratégico Operacional para o Porto de Santos.
“Esta autoridade poderá facilmente comprovar, através de levantamento dos volumes operados nos últimos meses, principalmente de cargas a granel importação nos mencionados pontos de atracação, cujas operações efetuadas naquela localidade do porto, foi expressiva, gerando assim resultados positivos para a SPA”, finaliza.
Vale lembrar que a SPA vem tentando uma gestão que contempla a reestruturação administrativa, o planejamento de suas ações e a adoção de indicadores de gestão que permitam monitorar, avaliar e decidir com precisão as operações, para acompanhar o desenvolvimento do Porto de Santos.
