Empresário e vereador socorrem crianças na UPA Central de Santos

Nove crianças estavam internadas de forma irregular na Unidade de Pronto Atendimento

Comentar
Compartilhar
28 ABR 2018Por Carlos Ratton08h30
Ontem, na UPA, tinham 25 crianças somente no setor de esperaFoto: Rodrigo Montaldi/DL

O empenho do empresário Alexandre Dellaringa e a pressão do vereador Fabrício Cardoso (PSB) foram responsáveis pela transferência de nove crianças que, até ontem, estavam internadas de forma irregular na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central de Santos.

Por volta das 17 horas, a direção da unidade disse à Reportagem que as vagas necessárias foram obtidas junto à Central Municipal Regulação de Vagas e as transferências para o Hospital Guilherme Álvaro (HGA) e Santa Casa de Misericórdia de Santos já estavam autorizadas.

Drama

O drama das crianças foi descoberto porque Dellaringa não se conformou com a situação da neta de sua funcionária, de nove meses de vida. Ele estava desde a noite da última quinta-feira tentando a transferência da criança que sofria de bronquiolite (uma infecção comum em crianças que gera acúmulo de líquidos nos pulmões) e estava internada na UPA junto com as demais crianças em situação ainda pior.

“A bebê já está há cinco dias na UPA aguardando vaga, num lugar inadequado e emergencial. Eu vim tentar resolver e me deparei com outras crianças com problemas mais graves, dividindo o mesmo espaço e sem local para dar banho. Crianças com meningite e icterícia no mesmo cômodo. Isso é absurdo e não podemos aceitar. A lei é clara: se não há vaga, que o Município pague por uma num hospital particular”, disse o empresário, que já havia acionado outros cidadãos e até pessoas ligadas ao Judiciário. Ele não escondeu a possibilidade de processar os responsáveis pelo não atendimento adequado.   

Lotado

Ontem, na UPA, tinham 25 crianças somente no setor de espera lotado, dividindo espaço com adultos e idosos. Andreia Ramalho dos Santos disse que não há pediatras e clínicos gerais na Policlínica do Jardim Castelo. Miguel de Souza Ribeiro estava desde às 7 horas aguardando o resultado do atendimento de seu bebê de seis meses. “Eu e minha esposa estamos até agora sem comer”, disse.

UTI urgente

Silene Aparecida Ramos Pereira, mãe da criança de 10 dias de vida e com icterícia e precisava de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. “Vim de Itanhaém e lá não fomos atendidas. Tivemos que vir para cá e estamos até agora buscando uma vaga. Sem tratamento ela pode ter sequelas. Estou com os pontos da minha cesariana infeccionados”, disse.

Vereador

Fabricio Cardoso disse que é comum toda sexta-feira fazer uma vistoria na UPA Central, que vem absorvendo todo a atendimento pediátrico de Santos.

“Falta profissionais na Zona Noroeste, na Leste e a Santa Casa está com problemas de leitos. A pressão é que descentralize o atendimento. É preciso contratar médicos e arrumar os aparelhos de Raio X. Não dá para ficar assim, na base do aperto. As pessoas estão sofrendo muito. Aqui só absorve quatro crianças com permanência máxima de 48 horas. O Hospital dos Estivadores custa R$ 5,2 milhões por mês e não consegue absorver essa demanda. Há um caos na saúde. Não importa a falta de repasses, de onde vem as pessoas, elas têm que ser atendidas com dignidade e não pode faltar profissionais para atendê-las”, afirmou o parlamentar, que já denunciou várias situação semelhantes.