Empreendedores desenvolvem produtos e serviços nos setores criativos com o objetivo de transformação social

Para comemorar, Instituto Procomum realiza evento gratuito e aberto ao público

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10 MAR 2020Por Da Reportagem12h00
Será anunciado durante o evento o lançamento da chamada pública da segunda edição da Colaboradora, que vai selecionar 20 novos empreendedores e empreendedoras para participarem do projeto.Será anunciado durante o evento o lançamento da chamada pública da segunda edição da Colaboradora, que vai selecionar 20 novos empreendedores e empreendedoras para participarem do projeto.Foto: Juliana de Freitas/Divulgação

O articulador socioambiental André Leandro empreende no projeto Óleo Noel Recycla, que incentiva a coleta de óleo de cozinha e outros recicláveis nas periferias de Santos e oferece consultoria sobre novas tecnologias sociais por meio de oficinas e jogos lúdicos. A artesã Camila Araújo criou a Chinua, que confecciona acessórios com tecido africano e tem como missão empoderar suas clientes.

Vilene Lacerda é ativista da causa da mulher negra e periférica. Atualmente, reside em Bertioga, onde iniciou sua trajetória como empreendedora social comercializando chocolates eróticos “Flavour Sex” nas baladas noturnas e bares do município e hoje realiza a Feira Preta da cidade, fortalecendo empreendedoras negras da região. Luana Camargo, de 29 anos e mãe de três filhos, criou a Empadinhas Luana para conquistar sua autonomia como mãe de três crianças. Na comunidade que reside, na Bacia do Mercado, em Santos, colabora com o GT Hacker, clube para desenvolvimento de novas tecnologias para otimizar o processo de produção artesanal, que impulsiona seu trabalho. 

Esses são apenas alguns exemplos de empreendedores da região que desenvolveram produtos e serviços nos setores criativos com o objetivo de impacto e transformação social. Ao longo de 2019, eles e mais 20 empreendedores fizeram parte do projeto Colaboradora -  Empreender e Transformar, do Instituto Procomum, cujo primeiro ciclo chega ao fim com uma celebração no próximo dia 14, a partir das 15 horas, no LAB Procomum (Rua Sete de Setembro, 52).

O evento é gratuito e aberto ao público e contará com atrações culturais, pitch dos empreendedores, roda de experiências sobre economia criativa e impacto social, além de happy hour e feirinha dos empreendedores.

Na ocasião, também será anunciado o lançamento da chamada pública da segunda edição da Colaboradora, que vai selecionar 20 novos empreendedores e empreendedoras para participarem do projeto. Na primeira turma, realizada em 2019, 25 empreendedores foram selecionados para um ciclo de um ano que envolveu oficinas, vivências, participação em feiras e eventos e mentorias. 

Durante o evento, os empreendedores farão apresentação dos seus negócios, no formato de pitch para uma banca formada por empreendedoras e profissionais com vasta experiência e relevância como Adriana Barbosa, da Feira Preta, que este mês foi destaque na Revista Forbes como uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil. A banca dará conselhos e recomendações aos participantes visando a continuação de seu desenvolvimento. 

O encontro também contará com potenciais parceiros e outros empreendedores criativos da região objetivando propiciar as trocas e sinergias entre os realizadores e movimentando o ecossistema da região.

“No ano passado, a Colaboradora encarou o desafio de formar a primeira turma de empreendedores sociais do setor criativo em sua escola livre, processo que envolveu o mapeamento de iniciativas deste perfil e também da promoção da identificação dos realizadores como empreendedores criativos”, explica a diretora do Instituto Procomum, Georgia Haddad Nicolau, que no passado já ocupou o cargo de diretora e secretária-substituta de Economia Criativa do Ministério da Cultura.

 

Foram 200 horas de formação, 48 horas de mentoria e sete vivências em locais fora da Baixada Santista. Dos 80 empreendedores e empreendedoras que se inscreveram e 25 que passaram na seleção, 18 seguiram até o final o processo.

“Nosso ponto de partida foi o reconhecimento de que pessoas que fazem parte do que chamamos de populações sub-representadas têm menos oportunidades de acesso ao conhecimento e de adentrar e se estabelecer no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, essas populações desenvolvem diariamente inúmeras tecnologias de cooperação e inovação cidadã. Essas tecnologias precisam ser consideradas ao se estruturar um projeto a partir da lógica do comum, que é nossa base aqui no Instituto Procomum”.

Georgia lembra que, em 2020, Santos, reconhecida com o selo de cidade criativa do Audiovisual pela UNESCO, será sede do Encontro Mundial de Cidades Criativas. “E temos buscado justamente demonstrar que uma cidade criativa é feita por cidadãos criativos, mas para isso é preciso formação, acesso a repertório e redes para quebrar o ciclo de desigualdade”, enfatiza a diretora do IP.

A Colaboradora é realizada pelo Instituto Procomum, uma associação sem fins lucrativos com sede na região da Bacia do Mercado, em Santos. O Instituto é uma organização que acredita na força das comunidades em rede e que promove e incentiva a transformação social e o desenvolvimento por meio da arte, da cultura, da criatividade e da inovação social. A aposta da organização é que um mundo comum entre diferentes é não só possível, como necessário. 

Segundo Georgia, a falta de conhecimento sobre as ferramentas de gestão, dos mecanismos de financiamento, e de redes de trocas de serviços e apoio mútuo entre os empreendedores iniciantes configuram-se como um dos principais entraves a manutenção e expansão de negócios.

Programação

15h - Chegança - Com Associação Cultural Quiloa 
15h30 - Abertura - Instituto Procomum e British Council
15h40 -  Pitch dos empreendimentos da Colaboradora-Empreender e Transformar  (Banca avaliadora: Adriana Barbosa- Ceo do Preta hub e idealizadora do Festival Feira Preta, reconhecido como o maior evento de cultura negra da América Latina; Barbara Trugillo -Produtora e gestora cultural e atual coordenadora de formação da SPCine, a empresa de cinema e audiovisual do município de São Paulo; Jamir Lopes- Gestor e Produtor Cultural da Prefeitura de Santos e Diretor do Santos Jazz Festival e Niva Silva- Designer e educador. Mestre em design, atua como professor na São Judas, onde coordena o espaço de inovação social nima Lab). 
17h20 - Palco Colab (apresentações artísticas dos Colaboradores- participantes do projeto) 
17h25 - Roda de experiências Criatividade que Transforma: transformação social e desenvolvimento territorial por meio da criatividade e da inovação cidadã. 
Participantes: 
Andrelissa Ruiz, Galpão Inova ZL/ Fundação Tide Setubal  (SP)
Dj Bola, A Banca/Anip (SP) 
Flávia Saad, Juicy Santos (Santos)
Mariana Soares Ribeiro, Soma Cidadania Criativa (DF) 
Rodrigo Montaldi, fotógrafo (Santos) 
Isabel Pato, Instituto Jatobás (SP)  
Bárbara Trugillo, SPcine (SP)
Danilo Tavares, Zoppi Criativo (Santos) 
Adriana Barbosa, Feira Preta (SP)
Dani Gabriel, Dume (SP) 
Renato Azevedo, Casa de cultura afro-brasileira de Vicente de Carvalho (Guarujá)
Mediação: Fabiana Oliveira, Jornalista
18h30 - Fala de encerramento: Catherine Rogers, parceira britânica do projeto, diretora do Haarlem Artspace/ Selley Storino Encontro Rede Cidades Criativas da Unesco (Prefeitura de Santos)
18h40 - Palco Colab (projeções + batalha) 
19h20 Pocket show - Maria Sil, participante da Colaboradora- Empreender e Transformar; É cantora, atriz e produtora.  Atualmente, está circulando com a apresentação musical "A carne, a língua o vírus" que entre poesias e canções traz um olhar sobre travestilidade, Aids, e Direitos Humanos no Brasil de 2020.  O espetáculo já foi apresentado em diferentes unidades do SESC SP.
20h- Dj Profana (Santos)