“Vocês estão atendendo?”, pergunta a Reportagem. “Os médicos estão em greve. Só caso de emergência”, responde a recepcionista do Hospital Municipal de São Vicente, o antigo Crei. O diálogo não é novo e se arrasta nos últimos anos entre funcionários e pessoas que procuram a unidade em busca de socorro. Ontem (28), o local, que em dias normais registra longo tempo de espera, estava vazio, com poucos – e insistentes – pacientes na recepção. Movimento mesmo apenas no repouso, que está lotado.
“Disseram que estão atendendo apenas emergência. Quem chega de ambulância. Estou com gripe forte, faltando fôlego. Falaram para eu ir na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), mas não falaram onde é. Estou aqui sentada pensando no que vou fazer”, disse a dona de casa Lourdes Silva, de 87 anos.
A Reportagem encontrou dona Lourdes sentada na parte externa do hospital – na mureta que protege o jardim. Lamentou o fato de não ter sido orientada corretamente sobre os locais que poderia buscar auxílio médico. “Onde é a UPA?”, perguntou. A UPA da Cidade Náutica, erguida nas instalações do pronto-socorro, local mais próximo ao Hospital Municipal, está em obras há dois anos e não tem previsão de abertura.
Outra mulher que aguardava atendimento disse: “Se a gente tivesse dinheiro para pagar médico e plano de saúde, a gente não estava aqui. Estão mandando as pessoas irem para o Hospital da Zona Noroeste”. A recepcionista do antigo Crei também orientou à Reportagem – que simulou precisar de atendimento – a procurar a unidade, que é pública e fica em Santos, município vizinho.
Paralisação
Nos últimos anos foram muitas as vezes que os médicos do Hospital Municipal de São Vicente, motivados pelo atraso no pagamento de salários e benefícios, paralisaram suas atividades.
No início deste mês a Prefeitura prometeu o pagamento das pagamento das horas extras dos médicos e demais funcionários do antigo Crei, após dois meses de atraso. Em relação às gratificações de produtividade referentes ao mês de julho, a Administração Municipal informou que os profissionais receberiam o montante até o último dia 12 de setembro.
Ontem o Diário do Litoral entrou em contato com a Prefeitura solicitando informações sobre o atendimento parcial e orientação às pessoas que procuram o hospital, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.
