Em época de ofertas, é bom manter a mão fechada e os olhos abertos

A gratificação de Natal começou a ser paga ontem, mas especialista em finanças alerta sobre as tentações do comércio para quem não planeja seus gastos

Comentar
Compartilhar
20 JAN 201316h00

O 13º salário, cuja primeira parcela começou a ser paga ontem, deverá injetar na economia R$ 84,6 bilhões. A gratificação de Natal do brasileiro teve aumento de 8,5% este ano, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Com reajuste de salário, apelo de preços mais baixos de móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos decorrentes do corte no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e compra parcelada sem juros a perder de vista, todo cuidado é pouco. O Natal gordo de 2009 poderá se transformar num 2010 de vacas magras. Esse é o alerta do contador e especialista em finanças, Marcelo Rocha. 

Consultado pelo Diário do Litoral, Rocha explica que, de um modo geral, as pessoas têm a “falsa sensação de estar com dinheiro no bolso”, ou seja, com a entrada do 13º salário, a pessoa gasta o dinheiro hoje e falta amanhã para as contas de janeiro, porque não planejou suas contas.

Rocha orienta que quem planeja sua receita e despesa, consegue poupar dinheiro para comprar um produto à vista e até com desconto, ou fazer aquela viagem sonhada nas férias.

Mas, para quem não planejou seu orçamento e tem dívidas com cartão de crédito e cheque especial, cujos juros são altos, de 10% a 13%, Rocha indica que o ideal é priorizar e saldar esses débitos, amortizando ou quitando a bola de neve, com o 13º salário.

O especialista em finanças recomenda ainda guardar o extra de Natal para pagar as contas de janeiro, que acabam salgando o orçamento familiar após o bacalhau das festas de fim de ano. “Em janeiro tem IPTU, IPVA, matrícula escolar, então é bom guardar esse dinheiro para essas despesas”.

Já para quem planejou suas contas e está realmente com esse dinheiro sobrando, Rocha aconselha aplicação de curto prazo, como a poupança, por exemplo, ou comprar “mimos” de Natal para agradar os familiares.

De olho no 13º terceiro dos assalariados que fazem girar a economia, o comércio, impulsionado pelo espírito natalino, abre um leque de promoções sedutoras para conquistar o bolso do cliente. E nesse clima de brindes, venda a prazo sem juros, descontos e a performance envolvente dos vendedores, é que a população economicamente ativa cai na armadilha da pequena prestação a perder de vista.

“Não pode se deixar envolver pelo valor da parcela de R$ 160, por exemplo, porque essa parcela vai ser encaixada no seu orçamento mensal. O que acontece com quem não planeja seu orçamento é que com essa parcela de R$ 160, pode faltar dinheiro que poderia ser alocado em outra coisa. E aí, se não pagar a prestação o nome vai para o SPC ou Serasa”.

O planejamento das finanças, segundo Rocha, traz uma série de vantagens, uma delas é ter “lastro” para comprar um produto à vista e com desconto. Rocha disse que é possível negociar, em média, até 8% de desconto nas compras à vista.

Rocha explica que as empresas, de um modo geral, embutem no preço do produto os encargos, os custos de manutenção e funcionários, a margem de lucro e a margem de desconto. “Se o preço de um produto à vista pode ser pago em 12 vezes, sem juros, o consumidor que quer comprar à vista pode e deve pechinchar, pois a margem de desconto está incluída naquele valor”.

Perguntado sobre a situação em que a loja não concede desconto no pagamento à vista, Rocha afirma que a compra parcelada compensa, desde que o consumidor faça um planejamento de seu orçamento mensal para caber essa prestação.

13º salário

Conforme a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) a primeira e a segunda parcelas do 13º salário, ou a gratificação integral, devem ser pagas até o dia 20 de dezembro.