Em dez anos, uso de bicicleta triplica na Baixada Santista

Região conta com um milhão de ciclistas, segundo a Associação Brasileira de Ciclistas, que neste mês faz dez anos

No mês de fevereiro, a Associação Brasileira de Ciclistas (ABC) completa 10 anos.  Para o presidente da entidade, Jessé Teixeira Felix, a data merece ser comemorada. “Quando comecei acreditava que algo podia ser mudado e foi”, afirma.  

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Segundo ele, o número de pessoas adeptas à bicicleta como meio de transporte na região triplicou em dez anos e já alcança um milhão.

Outro dado relevante abordado por Jessé foi a queda no número de mortes de ciclistas, uma das principais bandeiras levantadas pelo grupo. De acordo com ele, antes da construção das ciclovias, em meados de 2006, ­chegavam a ser registradas 32 mortes, a maioria nos municípios de ­Guarujá e São Vicente. Com a construção das ciclovias, os óbitos caíram, chegando a três no ano passado.  

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A associação se originou em São Vicente, quando um grupo de ciclistas, preocupado com o número de acidentes que aconteciam na Avenida Presidente Wilson, conhecida também como “tapetão”, decidiu se reunir.

“Começamos a fazer panfletagem no semáforo da Divisa para chamar a atenção, tanto da sociedade, quanto do poder público”, conta.

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Segundo Jessé, uma das campanhas de maior sucesso chamava-se “Motorista Olha o Ciclista”. Com uma faixa em mãos e dados que escancaravam a necessidade da construção de uma malha cicloviária em toda a  região metropolitana, a associação começou a fazer barulho e a conquistar o apoio da sociedade. “Foi uma novidade até para os ciclistas, que nunca tinham visto um protesto em favor deles”, explica.

Na época, o apelo pela mudança de postura dos ciclistas fez com que eles passassem a enxergar a bicicleta como um meio de transporte e, consequentemente, cuidarem melhor dele. A ABC, em parceria com o mecânico Geraldo Celio da Silveira, o dono do contêiner Ponto do Cliclista, em São Vicente, passaram a distribuir e instalar gratuitamente as sapatas de freio a quem solicitasse o serviço. “Era costume para quem andava de bicicleta frear com o pé. Isso causava muitos acidentes, por isso o trabalho foi importante”, justifica Jessé.

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Conquistas

Com o decorrer dos anos, a Associação Brasileira de Ciclistas (ABC) conseguiu se estabelecer junto ao poder público e à população da Baixada Santista. “Nesses dez anos, conseguimos reverter esse paradigma que quem tem bicicleta é pobre. Hoje, quem tem bicicleta é visto como uma pessoa que pensa no futuro, nos filhos, contribui com o planeta e com a sua própria saúde”.  

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Jessé diz que se orgulha dessa visão, onde não se contempla apenas o lazer, mas um bem necessário e já parte da rotina de muitos.

Melhorias

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Apesar do espaço que os ciclistas têm conquistado a nível nacional, para a região, segundo Jessé faltam bicicletários públicos e apoio por parte dos empresários. “O shopping da Praia Grande é o único que possui bicicletário. As empresas também precisam começar a disponibilizar um local para que as pessoas possam guardar as bicicletas”, ­sugere.

Outra luta é pela construção de um velódromo para que os atletas tenham um lugar para treinar com mais segurança e pela conclusão das ciclovias da Zona Noroeste que, de acordo com a Prefeitura, caminham para o término no segundo semestre de 2017. Segundo a Administração, a obra localizada na Av. Eleonor Roosevelt está 97% concluída. Já a da Av. Jovino de Melo tem 50%.

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Plano Cicloviário Metropolitano segue sem andamento

De acordo com o presidente da Associação, a Baixada Santista conta com um milhão de ciclistas. Em contrapartida, o sistema cicloviário da região está longe de atender toda esta demanda. “A Agem (Agência Metropolitana da Baixada Santista) tem um plano ­cicloviário ­metropolitano que está enterrado há dez anos”, cita Jessé.

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Para ele, com tanta gente se locomovendo de bicicleta, inclusive para trabalhar em outros municípios, já passou da hora da obra ser realizada. Outro ponto é a falta de padronização das ciclovias entre as cidades.

Agem. Por meio de nota, a Agência ­Metropolitana da Baixada Santista informou que o Plano Cicloviário Metropolitano foi elaborado em 2007 e, na época, havia pouco mais de 143 km de ciclovias na região. A meta era chegar em 2016 com cerca de 500 km, porém o plano não teve andamento em razão da política de contenção de gastos do Governo do Estado. Em 2015, a obra estava orçada em R$ 1,5 milhão.
Atualmente, a Baixada Santista conta com cerca de 300 km de malha cicloviária.