O debate dos candidatos à Prefeitura de Cubatão, promovido ontem (5) pelo Sistema Santa Cecília de Comunicação, foi pautado pela necessidade de melhor gestão do município. Os cinco prefeituráveis evitaram o confronto pessoal. Com exceção de Fábio Inácio (PT), eles fizeram duras críticas à atual Administração. Temas como saúde, habitação, segurança, cultura, educação, emprego e funcionalismo público foram abordados. A situação do Hospital Municipal também foi elencada.
“Saúde é o tema mais falado na cidade. Conseguiram fechar o Hospital Modelo e o pronto socorro. Isso é efeito da má gestão. Vivemos uma gestão que sangra. Deram um calote eleitoral com o Quarteirão da Saúde”, afirmou o candidato Ademário Oliveira (PSDB). Ele disse que, se eleito, pretende implantar o ‘Poupatempo da Saúde’, fazendo uma alusão ao programa do Governo do Estado que reúne no mesmo local diversos serviços.
Dinho Heliodoro (SD) ressaltou as denúncias que fez ao Ministério Público. “Denunciamos a falta de médicos, de ambulâncias. Está tudo documentado. Agora vamos ter a oportunidade de ter a caneta. No nosso governo vamos criar o Plano de Saúde do Cubatense, com cartão magnético de saúde”, afirmou.
Membro do partido da prefeita Marcia Rosa, o PT, o candidato Fábio Inácio foi algumas vezes questionado sobre a gestão, assim como Dinho e Wagner Moura, que também atuaram como secretários na atual Administração e foram filiados à mesma sigla da chefe do Executivo cubatense.
“Muita gente querendo olhar para o retrovisor. Eu quero olhar para a frente. A gente está aqui para discutir propostas. Para saber como vamos avançar. A população quer saber de soluções e de iniciativas”, disse Fábio Inácio. “Na minha gestão teve apenas uma paralisação. Ninguém apaga a minha história. Tudo o que fiz e o meu trabalho”, disse ele ao responder o candidato Doda, que afirmou que ele, quando secretário de Educação fechou as portas aos servidores.
Os candidatos também falaram sobre arrecadação e as dívidas que o município possui. “Dívida é coisa de má gestão. Quando o governo deixa dívidas para outro é que não sabe administrar. Vamos zelar pela coisa pública. Essa crise nada mais é fruto da má gestão”, afirmou Doda (PSB).
Wagner Moura (PMDB) rebateu. “É uma situação complicada. Questão de gestão e relacionamento. É preciso buscar parcerias. Reabrir o hospital, depois a biblioteca e concluir as obras. É importante manter um bom relacionamento com o Governo do Estado, com os vereadores e o Ministério Público”, disse ao citar, também, que vai apelar ao presidente recém-empossado Michel Temer, que é de seu partido.
Emprego
O desemprego e a crise agravada pelo fechamento de indústrias na cidade foram abordados pelos prefeituráveis. Fábio Inácio disse que pretende investir no empreendedorismo, no apoio a continuidade de produção de aço na Usiminas e na geração de emprego e renda por meio do turismo, além de mudanças no gerenciamento no Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT). Dinho sugeriu a municipalização do órgão, que hoje é ligado ao sistema do Governo do Estado.
Habitação
O candidato do PSDB, Ademário, ressaltou as obras realizadas no setor de Habitação pelo Governo do Estado, como a remoção de parte das famílias da Serra do Mar. “Cubatão tem a cultura de investir em moradia popular, mas quem tem acesso são pessoas das áreas de risco. Pessoas que pagam aluguel e não tiveram coragem de invadir áreas de proteção ambiental também terão acesso a moradias em nosso governo”, destacou.
Educação
Wagner Moura afirmou que, se eleito, dará prioridade a educação em período integral. “Está em nosso programa de governo. Formação e qualificação profissional, com estágio no polo industrial e parceria com as indústrias”.
Cultura
Doda destacou investimentos na área de cultura. “O teatro municipal está abandonado há mais de 25 anos. Vamos investir no espaço atrás da prefeitura e criar o Centro de Tradições Nordestinas”.
Denúncia
Apesar de evitar o confronto pessoal, no penúltimo bloco do debate, o candidato Dinho Heliodoro disse, ao levantar papéis, que Ademário ocupou um cargo fantasma na gestão do ex-prefeito Clermont Castor.
“Discurso bonito é bonito, mas a prática é diferente. Tem medo da verdade. Em um programa na TV disse que não fez parte do governo Clermont. Mas foi funcionário fantasma. Não trabalhou. Está no portal da transparência. Eu não preciso de fake eu falo a verdade”, disse Dinho.
Ademário rebateu a acusação. “Se sabia por que não entrou no Ministério Público?”. Já no último bloco, nas considerações finais, ele voltou ao assunto: “Ocupei sim, junto com o vice-prefeito Pinheiro, por aproximadamente seis meses, mas eu trabalhei”.
