Em Cubatão, intimação de desocupação não é entregue

Segundo a Prefeitura, um oficial de Justiça deve levar hoje o documento para retirada de famílias

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01 MAR 201312h20

As famílias que ocuparam residências do Bolsão 9, em Cubatão, após serem atingidas pela forte chuva que castigou a região na última semana, ganharam mais uma noite de descanso nas residências.

Isso foi possível porque nenhum oficial de Justiça levando a intimação para a desocupação das propriedades esteve no local ontem. Segundo a Prefeitura de Cubatão, nesta sexta-feira (1º) um oficial deve levar o documento assinado pelo juiz Sérgio Ludovico Martins. Após o recebimento da intimação, os ocupantes terão 24 horas para saírem. Dessa maneira, o local só deve ser desocupado na segunda-feira (4).

Segundo a dona de casa Sandra Beatriz Capra, de 46 anos, que perdeu sua casa no bairro de Pilões e invadiu um dos imóveis, a decisão de desocupação será acatada. “Não iremos enfrentar a polícia como foi falado anteriormente. Pelo contrário, iremos sair numa boa. Vamos caminhar daqui (Bolsão 9) até a Prefeitura para protestar por moradias dignas”, explica.

Cubatão - Casas invadidas no Bolsão 9 ainda não tiveram suas obras finalizadas (Foto: Luiz Torres/ DL)

As residências ocupadas são compostas por 597 unidades habitacionais de responsabilidade do Governo de São Paulo e 173 unidades da Prefeitura. Quarenta e quatro moradias seriam entregues nesta semana por famílias cadastradas no programa Imigrantes II.

“Podendo ficar aqui, nós vamos lutar, trabalhar e se esforçar para terminar essas casas. Só queremos ter uma moradia, perdemos tudo, não temos para onde ir”, pontua Sandra.

De acordo com a desempregada Daiana Cordeiro dos Santos, de 27 anos, as famílias que entraram nos imóveis estão sofrendo retaliações por parte da Prefeitura. “Não chega nada para nós aqui. Água, comida e roupas da doação param nas outras casas do Bolsão. A gente não tem recebido nada”, afirma.

Na tarde de quarta-feira (27), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) esteve no bairro da Água Fria e prometeu a construção de 1.200 apartamentos para as famílias que perderem suas casas com a chuva.