Pesquisadores analisam as defesas genéticas das matilhas para identificar caminhos inéditos na medicina humana / Freepik
Continua depois da publicidade
Como predadores no topo da cadeia alimentar, os lobos de Chernobyl enfrentam um desafio duplo que envolve a radiação do ambiente e a acumulação de contaminantes ao comerem presas infectadas.
Mesmo expostos a níveis altíssimos de estresse radioativo, um estudo publicado na revista Cancer Research revela que esses animais não apenas sobrevivem, mas apresentam mecanismos adaptativos únicos para lidar com a exposição contínua.
Continua depois da publicidade
Para compreender essa realidade, pesquisadores da Universidade de Princeton acompanharam os lobos por vários anos dentro da zona de exclusão.
A equipe liderada por Cara N. Love e Shane Campbell-Staton utilizou tecnologia de ponta para coletar dados precisos sobre a saúde dos animais.
Continua depois da publicidade
Os cientistas aplicaram dosímetros portáteis nos predadores para medir a quantidade exata de radiação acumulada em seus corpos ao longo do tempo.
Esses registros foram fundamentais para cruzar as informações ambientais com as respostas biológicas encontradas nas amostras de sangue.
Veja também: Cientistas descobrem mutação genética rara que pode transformar estudos sobre o sono.
Continua depois da publicidade
A análise detalhada identificou uma assinatura biológica específica que demonstra mudanças profundas no sistema imunológico desses grupos selvagens.
Esse mecanismo ajuda o organismo a resistir melhor aos tumores que já se desenvolveram e a combater novas ameaças celulares.
Os resultados indicam que o organismo dos lobos pode ter desenvolvido meios naturais para gerenciar o estresse radioativo severo da região.
Continua depois da publicidade
Os autores do estudo ponderam que essas evidências de adaptação não significam que os lobos sejam imunes aos perigos da radiação. Eles afirmam que ainda não é possível falar em uma cura definitiva encontrada naturalmente por esses canídeos.
Além da genética, o isolamento geográfico e a organização das famílias dentro da área influenciam a resistência das populações.
Veja também: Peixe raro, com genética única, pode ser vendido por mais que um carro popular.
Continua depois da publicidade
A falta de pessoas transformou a zona de exclusão em um refúgio com densidade populacional superior à de muitas reservas protegidas.
O biólogo Shane Campbell-Staton observou que a ausência de caçadores acaba compensando os danos provocados pelo acidente nuclear.
A separação forçada dos seres humanos parece oferecer uma vantagem de sobrevivência maior do que os riscos da própria doença.
Continua depois da publicidade
Esse paradoxo mostra que a interferência humana constante pode ser prejudicial para a conservação da vida selvagem.
A ciência agora tenta entender se esses mecanismos naturais de defesa poderiam inspirar novos tratamentos para pacientes no futuro.
Para isso, pesquisadores têm estabelecido parcerias com o setor de biotecnologia, que auxilia na interpretação dessa grande quantidade de dados genéticos e no estudo mais detalhado do sistema imunológico.
Continua depois da publicidade