Cotidiano

Eles não morrem de câncer: A mutação dos lobos de Chernobyl que a ciência quer copiar

Estudo revela como a resistência desses animais à radiação pode ajudar na descoberta de novos tratamentos contra o câncer

Agência Diário

Publicado em 14/02/2026 às 19:02

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Pesquisadores analisam as defesas genéticas das matilhas para identificar caminhos inéditos na medicina humana / Freepik

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Como predadores no topo da cadeia alimentar, os lobos de Chernobyl enfrentam um desafio duplo que envolve a radiação do ambiente e a acumulação de contaminantes ao comerem presas infectadas. 

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Mesmo expostos a níveis altíssimos de estresse radioativo, um estudo publicado na revista Cancer Research revela que esses animais não apenas sobrevivem, mas apresentam mecanismos adaptativos únicos para lidar com a exposição contínua.

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Lobos que vivem na região de Chernobyl despertam interesse científico devido à exposição prolongada à radiação / Pixabay
Lobos que vivem na região de Chernobyl despertam interesse científico devido à exposição prolongada à radiação / Pixabay
Pesquisas investigam possíveis adaptações genéticas desenvolvidas ao longo das gerações / Pixabay
Pesquisas investigam possíveis adaptações genéticas desenvolvidas ao longo das gerações / Pixabay
Estudos apontam que alguns animais da área apresentam alterações no sistema imunológico / Pixabay
Estudos apontam que alguns animais da área apresentam alterações no sistema imunológico / Pixabay
A zona de exclusão se tornou um laboratório natural para analisar os efeitos da radiação na fauna / Pixabay
A zona de exclusão se tornou um laboratório natural para analisar os efeitos da radiação na fauna / Pixabay
Apesar da radiação, a população de lobos na região cresceu nas últimas décadas / Pixabay
Apesar da radiação, a população de lobos na região cresceu nas últimas décadas / Pixabay
Cientistas continuam monitorando os lobos de Chernobyl para entender impactos e mecanismos de sobrevivência / Pixabay
Cientistas continuam monitorando os lobos de Chernobyl para entender impactos e mecanismos de sobrevivência / Pixabay

Monitoramento da radiação em campo

Para compreender essa realidade, pesquisadores da Universidade de Princeton acompanharam os lobos por vários anos dentro da zona de exclusão. 

A equipe liderada por Cara N. Love e Shane Campbell-Staton utilizou tecnologia de ponta para coletar dados precisos sobre a saúde dos animais.

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Os cientistas aplicaram dosímetros portáteis nos predadores para medir a quantidade exata de radiação acumulada em seus corpos ao longo do tempo. 

Esses registros foram fundamentais para cruzar as informações ambientais com as respostas biológicas encontradas nas amostras de sangue.

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Adaptações no sistema imunológico

A análise detalhada identificou uma assinatura biológica específica que demonstra mudanças profundas no sistema imunológico desses grupos selvagens. 

Esse mecanismo ajuda o organismo a resistir melhor aos tumores que já se desenvolveram e a combater novas ameaças celulares.

Os resultados indicam que o organismo dos lobos pode ter desenvolvido meios naturais para gerenciar o estresse radioativo severo da região.

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Fatores externos e genéticos

Os autores do estudo ponderam que essas evidências de adaptação não significam que os lobos sejam imunes aos perigos da radiação. Eles afirmam que ainda não é possível falar em uma cura definitiva encontrada naturalmente por esses canídeos.

Além da genética, o isolamento geográfico e a organização das famílias dentro da área influenciam a resistência das populações. 

Veja também: Peixe raro, com genética única, pode ser vendido por mais que um carro popular.

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O benefício do isolamento humano

A falta de pessoas transformou a zona de exclusão em um refúgio com densidade populacional superior à de muitas reservas protegidas. 

O biólogo Shane Campbell-Staton observou que a ausência de caçadores acaba compensando os danos provocados pelo acidente nuclear.

A separação forçada dos seres humanos parece oferecer uma vantagem de sobrevivência maior do que os riscos da própria doença. 

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Esse paradoxo mostra que a interferência humana constante pode ser prejudicial para a conservação da vida selvagem.

Perspectivas para tratamentos futuros

A ciência agora tenta entender se esses mecanismos naturais de defesa poderiam inspirar novos tratamentos para pacientes no futuro.

Para isso, pesquisadores têm estabelecido parcerias com o setor de biotecnologia, que auxilia na interpretação dessa grande quantidade de dados genéticos e no estudo mais detalhado do sistema imunológico.

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