Cotidiano

Ele trocou carreira internacional em 9 países para virar jardineiro no centro de SP

Aos 50 anos, ex-designer têxtil vendeu o carro e mudou de vida para plantar uma floresta no meio do asfalto da República

Giovanna Camiotto

Publicado em 20/02/2026 às 18:52

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Um ex-designer têxtil decidiu recuperar os canteiros de São Paulo com espécies da Mata Atlântica / Divulgação/Prefeitura de São Paulo

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Uma iniciativa independente tem alterado a paisagem de áreas centrais da capital paulista ao introduzir espécies da Mata Atlântica em canteiros urbanos. Batizado de Pazipê, o projeto foi criado pelo ex-designer têxtil Eduardo Paziam e propõe a recuperação simbólica da vegetação nativa em meio ao concreto da cidade.

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As intervenções já podem ser vistas em pontos como a Avenida São Luís e na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua Basílio Gomes, nas proximidades da estação República do Metrô. Nos espaços revitalizados, espécies como iresines, clúsias, ora-pro-nóbis e ipê-amarelo passaram a ocupar áreas antes marcadas predominantemente por cimento e pouca diversidade vegetal.

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A ação conta com apoio institucional da Prefeitura de São Paulo e da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, além da colaboração de comerciantes e moradores da região. Ainda assim, segundo o idealizador, o projeto enfrenta limitações orçamentárias para expandir as áreas plantadas e manter os espaços já implantados.

“Quando você chega no jardim, você sente já uma coisa diferente. Tudo muda”, afirma Paziam, explicando que a presença de espécies nativas contribui para a estética urbana e a reconexão da população com a vegetação original do território.

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Natural de Araçatuba (SP), Paziam construiu carreira de quase 30 anos no setor têxtil, com passagens por 25 fábricas em nove países da Europa e da Ásia. A mudança de trajetória ocorreu em 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando decidiu deixar a China e retornar ao Brasil.

Ação busca ampliar a presença de plantas da Mata Atlântica em meio ao concreto da capital paulista/Instagram
Ação busca ampliar a presença de plantas da Mata Atlântica em meio ao concreto da capital paulista/Instagram
Projeto leva espécies nativas da Mata Atlântica para canteiros do centro de São Paulo, promovendo reconexão entre cidade e natureza/Divulgação/Prefeitura de São Paulo
Projeto leva espécies nativas da Mata Atlântica para canteiros do centro de São Paulo, promovendo reconexão entre cidade e natureza/Divulgação/Prefeitura de São Paulo
Iniciativa transforma pequenos espaços urbanos em áreas com vegetação típica da Mata Atlântica/Divulgação/Prefeitura de São Paulo
Iniciativa transforma pequenos espaços urbanos em áreas com vegetação típica da Mata Atlântica/Divulgação/Prefeitura de São Paulo
Canteiros revitalizados recebem ipê-amarelo, ora-pro-nóbis e outras espécies nativas do bioma/Divulgação/Prefeitura de São Paulo
Canteiros revitalizados recebem ipê-amarelo, ora-pro-nóbis e outras espécies nativas do bioma/Divulgação/Prefeitura de São Paulo
Projeto aposta na criação de pequenas florestas urbanas com espécies 100% nativas/Instagram
Projeto aposta na criação de pequenas florestas urbanas com espécies 100% nativas/Instagram

Aos 50 anos, optou por encerrar a carreira corporativa. Após um período no interior paulista e uma temporada na Europa, incluindo um ano em Londres, aprofundou estudos na área de botânica em cursos realizados no Jardim Botânico da capital britânica. Lá, teve contato com conceitos de jardins de chuva e manejo de espécies nativas.

Embora o Pazipê tenha sido formalizado em 2023, o envolvimento com o plantio urbano começou antes. Desde 2017, Paziam já cultivava ipês na região central de São Paulo. Segundo ele, uma das mudas permaneceu por 15 anos em sua varanda antes de ser transplantada para um dos canteiros do projeto.

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A proposta ganhou novo direcionamento após a parceria com o jardineiro paisagista venezuelano Francisco Alejandro. “Ele era apaixonado pela Mata Atlântica e virou mais meu professor do que meu assistente. Ele falou: ‘Vamos fazer uma floresta, mas só com espécies nativas da Mata Atlântica’”, relata.

O objetivo declarado é ampliar gradualmente o número de canteiros e consolidar pequenas “ilhas” de vegetação nativa no centro expandido da capital. A iniciativa dialoga com dados da Fundação SOS Mata Atlântica, que apontam que cerca de 24% da cobertura original do bioma ainda existe no país, sendo pouco mais de 12% em estágio considerado bem preservado.

Paziam explica que o projeto busca provocar reflexão sobre o papel da natureza no espaço urbano. “A cidade pode conviver com a floresta”, afirma. A expectativa é que novas parcerias viabilizem a expansão do modelo e fortaleçam a presença de espécies nativas no cotidiano paulistano.

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