Cotidiano

Ele diz não dormir há mais de 60 anos, intriga médicos e desafia a ciência

Aos 80 anos, um agricultor do interior do Vietnã diz que não dorme desde 1962, mas especialistas apontam hipóteses como microssonos e insônia crônica

Giovanna Camiotto

Publicado em 04/03/2026 às 20:40

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Este homem afirma que não costuma dormir desde a década de 1960 / Freepik

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Em uma pequena aldeia rural no sul do Vietnã, vive um senhor cuja rotina parece desafiar um dos pilares básicos da biologia humana: o sono. Ngọc Thái, hoje com 80 anos, afirma que não dorme desde 1962. Agricultor e produtor artesanal de vinho de arroz, ele se tornou protagonista de uma das histórias mais intrigantes já associadas à privação de sono prolongada.

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Segundo o próprio Thai, tudo começou após uma febre intensa, ainda na juventude. Desde então, relata que nunca mais conseguiu ter uma noite de sono “de verdade”. O caso atravessou décadas, ganhou fama regional e passou a atrair visitantes curiosos, repórteres e criadores de conteúdo interessados em observar de perto sua rotina incomum.

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A origem do relato

De acordo com Thai, depois do episódio febril ele simplesmente perdeu a capacidade de adormecer. No início, acreditou que fosse algo temporário. No entanto, os dias viraram semanas, as semanas se transformaram em meses e, segundo ele, o sono jamais retornou.

Moradores da comunidade afirmam que raramente o veem deitado por longos períodos ou com os olhos fechados por tempo prolongado. A história se espalhou ao longo dos anos, tornando-se quase um folclore local, embora o próprio agricultor trate o tema com naturalidade.

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Rotina ativa aos 80 anos

Apesar da alegação de mais de seis décadas sem dormir, Thai mantém uma rotina considerada intensa até para pessoas mais jovens. Durante o dia, trabalha na lavoura. À noite, produz vinho de arroz artesanal, atividade que complementa a renda da família. Nos momentos livres, assiste televisão, consome chá verde regularmente e bebe pequenas quantidades do próprio vinho.

Visitantes que passaram a noite em sua casa relatam que, enquanto todos dormiam, ele permanecia ativo, caminhando pelo quintal, organizando ferramentas ou assistindo TV. Questionado sobre cansaço, responde que sente apenas “um pouco de fadiga”, mas nada que o impeça de trabalhar. Afirma também que gostaria de voltar a dormir, embora diga já estar acostumado à condição.

Guerra, trauma e possíveis explicações

Uma das hipóteses levantadas por observadores envolve o contexto histórico em que Thai viveu. Ele atravessou o período da Guerra do Vietnã, conflito que marcou gerações e deixou profundas cicatrizes emocionais na população.

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Especialistas apontam que o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) pode provocar quadros severos de insônia, com sono fragmentado e dificuldade persistente para adormecer. Em alguns casos, a pessoa tem a percepção de não ter dormido, mesmo apresentando episódios breves de repouso.

Ainda assim, não há laudos públicos detalhados que comprovem clinicamente o que ocorre com Thai, o que mantém o caso no campo das hipóteses.

Privação total de sono por décadas é considerada biologicamente improvável pela ciência /Freepik
Privação total de sono por décadas é considerada biologicamente improvável pela ciência /Freepik
Microssonos podem durar segundos e passar despercebidos pela própria pessoa /Freepik
Microssonos podem durar segundos e passar despercebidos pela própria pessoa /Freepik
Insônia crônica grave pode causar percepção de que o indivíduo não dormiu nada /Freepik
Insônia crônica grave pode causar percepção de que o indivíduo não dormiu nada /Freepik
Transtorno de estresse pós-traumático está associado a distúrbios severos do sono /Freepik
Transtorno de estresse pós-traumático está associado a distúrbios severos do sono /Freepik
Especialistas afirmam que o corpo humano necessita de ciclos regulares de sono para manter funções vitais /Freepik
Especialistas afirmam que o corpo humano necessita de ciclos regulares de sono para manter funções vitais /Freepik

Ele realmente não dorme?

Do ponto de vista científico, permanecer totalmente acordado por décadas é considerado praticamente impossível. A privação total de sono por períodos prolongados costuma gerar graves prejuízos cognitivos, alterações metabólicas e riscos significativos à saúde.

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Entre as explicações mais aceitas para casos como o de Thai estão:

  • Insônia crônica grave, com pouquíssimas horas de sono distribuídas ao longo da semana;

  • Microssonos involuntários, que duram segundos ou minutos e podem passar despercebidos pelo próprio indivíduo;

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  • Percepção subjetiva alterada, em que a pessoa acredita não ter dormido, apesar de apresentar episódios curtos de sono.

O que chama atenção é que exames básicos já realizados nele não indicaram danos graves compatíveis com privação absoluta de sono por tantas décadas.

Um enigma que permanece

A ciência não reconhece oficialmente nenhum caso comprovado de ser humano que tenha passado décadas completamente sem dormir. O maior registro documentado de vigília contínua envolveu apenas alguns dias, não anos.

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Mesmo assim, Thai segue como um caso curioso e emblemático. Aos 80 anos, continua trabalhando na agricultura, produzindo vinho e mantendo atividades tanto durante o dia quanto à noite.

Se sua história representa um fenômeno neurológico raro, episódios frequentes de microssono invisível ou uma forma extrema de insônia crônica, ainda é tema de debate entre especialistas.

O fato é que, em uma casa simples no interior do Vietnã, vive um homem que afirma nunca fechar os olhos e cujo relato continua a provocar questionamentos sobre os limites do corpo humano e tudo o que ainda não se compreende completamente sobre o sono.

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