Cotidiano

Ela trocou a Inglaterra pelo 'fim do mundo' por amor e hoje vive onde ninguém tranca a porta

Britânica trocou o agito do sudeste da Inglaterra pelo arquipélago de Tristão da Cunha, oficialmente reconhecido como o lugar habitado mais remoto da Terra

Ana Clara Durazzo

Publicado em 07/02/2026 às 20:01

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Hoje, o casal cria dois filhos em uma comunidade de menos de 300 pessoas, onde a rotina parece parada no tempo. / TikTok/tristandacunhakg

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Imagine viver em um lugar onde o único mercado do bairro fecha por um mês inteiro e o 'vizinho' mais próximo está a milhares de quilômetros de distância, no meio do oceano. Parece o enredo de um filme de ficção científica, mas é a realidade de Kelly Green, de 35 anos.

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Ela trocou o agito do sudeste da Inglaterra pelo arquipélago de Tristão da Cunha, oficialmente reconhecido como o lugar habitado mais remoto da Terra.

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Um encontro de cinema no fim do mundo

A mudança de Kelly não foi planejada. Ela viajou para a ilha apenas para visitar os pais, mas o destino tinha outros planos. Ao desembarcar do bote — única forma de chegar ao local —, ela foi ajudada por Shane, um carpinteiro local.

O encontro 'nas docas' virou um casamento de cinema. Hoje, o casal cria dois filhos em uma comunidade de menos de 300 pessoas, onde a rotina parece parada no tempo. 'É como viver em uma novela rural: todo mundo conhece todo mundo', revela Kelly.

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30 dias de isolamento total: A regra da sobrevivência

Viver em Tristão da Cunha exige um espírito de resiliência que poucos teriam. A logística da ilha é um desafio constante:

  • O 'Apagão' do Comércio: Durante o inverno, a administração e o único mercado fecham as portas por 30 dias seguidos. Nesse período, não há reposição de estoque.

  • Cardápio de Luxo (Obrigatório): Sem aplicativos de entrega, a dieta base consiste em carne de carneiro e batatas cultivadas na ilha. Curiosamente, a lagosta — um item de luxo no resto do mundo — é o alimento mais abundante e a base da exportação local.

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  • Viagem Infinita: Não há aeroporto. Para chegar ou sair, depende-se de navios que partem da Cidade do Cabo. A jornada pode levar até 15 dias em mar aberto.

'Se você esqueceu de comprar açúcar, não tem para onde correr. Ou você planta, ou você pesca, ou você espera o próximo navio', diz a rotina da ilha.

Onde o crime não existe e as portas não têm chaves

O isolamento extremo trouxe um 'efeito colateral' invejável: a segurança absoluta. No único assentamento da ilha, o Edimburgo dos Sete Mares, a criminalidade é estatisticamente zero. A confiança entre os moradores é tamanha que trancar as portas de casa é um hábito praticamente inexistente.

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Um santuário vulcânico

Tristão da Cunha é um território britânico ultramarino de origem vulcânica. Além da ilha principal, o arquipélago abriga a Ilha Inacessível e a Ilha Gough, um Patrimônio Mundial da UNESCO.

Para Kelly e sua família, o que muitos veriam como uma 'prisão geográfica' é, na verdade, a liberdade definitiva. Em um mundo hiperconectado e barulhento, ela encontrou o lar onde o silêncio é a trilha sonora e a única rede social que importa é o aperto de mão do vizinho.

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