Cotidiano

Eita! O endereço mais perigoso da Terra será lacrado em 2026 e 'apagado' do mapa

O projeto Onkalo desafia a lógica e cria caverna eterna para material que emite radiação por 100 mil anos; entenda mais

Giovanna Camiotto

Publicado em 03/03/2026 às 21:12

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Esse lugar é proibido para humanos e projetado para esconder rejeitos nucleares / ImageFX

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Existe um lugar no mundo onde nenhum ser humano deverá pisar por pelo menos 100 mil anos. O "endereço" fica na Finlândia e foi projetado para armazenar combustível nuclear já utilizado, um material altamente perigoso para o meio ambiente e para a vida.

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O espaço, chamado Onkalo, é considerado o primeiro depósito geológico profundo definitivo do planeta para rejeitos nucleares. O projeto é desenvolvido pela empresa Posiva Oy e representa um marco na gestão de resíduos da energia nuclear.

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A estrutura está sendo construída a mais de 400 metros de profundidade, em uma formação rochosa no sudoeste do país. Ali, o combustível atômico esgotado será colocado em cápsulas resistentes, fabricadas principalmente com cobre, material escolhido pela durabilidade e capacidade de isolamento.

A previsão é que o complexo entre em operação até 2026. Quando estiver ativo, os resíduos serão selados e enterrados em túneis escavados na rocha, formando uma espécie de “caverna permanente” projetada para resistir por dezenas de milhares de anos.

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A construção do começaram em junho de 2004 e o local está localizado em Olkiluoto, Eurajoki/Posiva/Divulgação
A construção do começaram em junho de 2004 e o local está localizado em Olkiluoto, Eurajoki/Posiva/Divulgação
A Posiva desenvolveu o Onkalo com foco exclusivo na segurança do descarte final, atraindo o interesse internacional /Posiva/Divulgação
A Posiva desenvolveu o Onkalo com foco exclusivo na segurança do descarte final, atraindo o interesse internacional /Posiva/Divulgação
A escavação do Onkalo utilizou perfuração e detonação, com constantes aprimoramentos e desenvolvimento de tecnologias inéditas no mundo / Posiva/Divulgação
A escavação do Onkalo utilizou perfuração e detonação, com constantes aprimoramentos e desenvolvimento de tecnologias inéditas no mundo / Posiva/Divulgação
O protótipo Sanna foi utilizado nos testes FISST para perfurar os primeiros furos de deposição, validando a tecnologia desenvolvida / Posiva/Divulgação
O protótipo Sanna foi utilizado nos testes FISST para perfurar os primeiros furos de deposição, validando a tecnologia desenvolvida / Posiva/Divulgação
A Máquina de Perfuração de Furos de Deposição (DHBM) garante precisão de até 25 mm em furos de 8 metros de profundidade, exigência essencial para o descarte final seguro / Posiva/Divulgação
A Máquina de Perfuração de Furos de Deposição (DHBM) garante precisão de até 25 mm em furos de 8 metros de profundidade, exigência essencial para o descarte final seguro / Posiva/Divulgação
O veículo KSAA é responsável por transportar e instalar os canisters de cobre com combustível irradiado nos poços subterrâneos / Posiva/Divulgação
O veículo KSAA é responsável por transportar e instalar os canisters de cobre com combustível irradiado nos poços subterrâneos / Posiva/Divulgação

Mais detalhes do lugar oculto do mapa

O desafio de armazenar lixo nuclear acompanha a humanidade desde o início da era nuclear, há mais de meio século. Esses resíduos emitem radiação por períodos extremamente longos e exigem soluções que ultrapassam gerações.

A Finlândia começou a estruturar seu programa de gestão de rejeitos em 1983, criando depósitos temporários. Em 1995, o governo fundou a Posiva Oy para desenvolver uma solução definitiva. Após anos de estudos e pesquisas geológicas, o projeto Onkalo ganhou forma, com escavações iniciadas em 2004 e avanços estruturais intensificados a partir de 2021.

Especialistas da World Nuclear Association apontam o armazenamento geológico profundo como a alternativa mais segura já desenvolvida. Em outros países, como os Estados Unidos, grande parte do material ainda permanece armazenada em recipientes reforçados dentro das próprias usinas, enquanto soluções permanentes seguem em debate.

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Onkalo simboliza uma decisão que atravessa gerações: criar um espaço que precisará permanecer intacto por um período maior do que a própria história da civilização moderna.

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