Ecosurf instala uma barreira no Rio do Poço para evitar a chegada de lixo no mar em Itanhaém / Divulgação
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Trabalhar para conscientizar a população a não descartar lixo no mar e contribuir para a preservação do oceano. Essa é a meta do Instituto Ecosurf, de Itanhaém, que há 25 anos vem promovendo campanhas e projetos para que as pessoas tenham mais consciência e ajudem a preservar o ambiente em que vivem.
O presidente do Instituto Ecosurf, o jornalista e ambientalista João Malavolta, fala sobre as principais ações e campanhas que a entidade promove neste sentido.
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Fundado no dia 5 de julho de 2000, a entidade começou a ser formada a partir de 1998, com um grupo de surfistas de Itanhaém. Uma das preocupações era a poluição das praias no litoral, em especial na alta temporada, e sobre a valorização do patrimônio histórico e cultural de Itanhaém.
“O Ecosurf começou com as limpezas nas praias com a participação de voluntários. Apesar de o acesso à informação de qualidade ser mais difícil, a maioria dos integrantes estava entrando na universidade e começou a trazer mais informação à instituição”, explica.
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João, que na época estudava jornalismo, lembra que as discussões iniciais eram sobre sustentabilidade, educação ambiental e lixo no mar.
“Começamos a fazer ações de limpeza nas praias e nos manguezais em Itanhaém e a fotografar. Ao mostrar as fotos aos colegas e professores na universidade, a ação começou a virar pauta e matéria para os jornais impressos e as emissoras de televisão da região”, salienta.
As ações de limpeza tiveram repercussão na época e a entidade ficou bastante conhecida.
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“As pessoas ficavam curiosas em saber quem são esses surfistas que cuidam do meio ambiente e por que eles estão fazendo essas ações. A ideia era de trazer os surfistas para assumir essa responsabilidade de cuidar do lugar que ele passar a maior parte da vida, que é o mar e a zona costeira marinha”, conta.
A entidade foi convidada para participar do Comitê de Bacias Hidrográficas da Baixada Santista (CBH-BS), em 2010, resultando em um aprendizado sobre políticas públicas para preservar o meio ambiente.
Um dos focos da entidade é a educação ambiental. O Ecosurf foi o cofundador da Rede de Educação Ambiental da Baixada Santista, além de participar de outras redes estaduais e de conferências da juventude pelo País.
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Atualmente, a entidade defende a discussão de políticas públicas na área ambiental nos três níveis - municipal, estadual e federal. Atua ainda em consultoria junto às empresas, na parte de ESG, sobre o meio ambiente, o social e a governança.
“Participamos de palestras a convite de organizações institucionais, de empresas e nas escolas para falar de nossa experiência na área ambiental”, frisa.
Entre os principais desafios está o despertar a consciência das pessoas em não descartar os resíduos em local inadequado.
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Em Itanhaém, o Ecosurf instalou o Projeto Ecobarreira no Rio do Poço, um afluente do Rio Itanhaém, no bairro Belas Artes. É um estudo de 12 meses para acompanhar a entrada de resíduos descartados no local e os tipos de materiais. Iniciada em setembro de 2025, a primeira coleta foi feita no mês de dezembro.
Trata-se de uma ação efetiva para a prevenção da chegada do lixo no mar. E integra a Missão Oceano, uma iniciativa da Ocean Drop em parceria com o Instituto Ecosurf.
Além da barreira, o projeto envolve o monitoramento contínuo, gestão dos resíduos coletados e ações de conscientização ambiental junto à comunidade local.
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Em 2025, a Missão Oceano evitou que 12 toneladas de plástico fossem parar no oceano.
Outra ação é a campanha “Pare o Tsunami Plástico”, realizada pela entidade Oceana, com a participação de mais de 90 organizações no País.
A campanha é para aprovar o projeto de lei 2524 de 2022. O objetivo é propor a economia circular do plástico para que não se transforme em lixo. Já está em discussão no Senado Federal há dois anos.
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O Ecosurf atua ainda nas diversas ações de mobilização e educação ambiental, como os mutirões de limpeza nas praias do litoral sul de São Paulo e do Brasil.
João Malavolta esteve na COP 30, em Belém, em novembro de 2025. Diz que a polarização política no Brasil é uma realidade e quando se fala sobre a questão ambiental são rotulados como de esquerda, dificultando bastante a abordagem com as pessoas.
Outro desafio é cobrar o poder público sobre a adoção de políticas públicas e o planejamento das ações na área ambiental.
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“O gestor público precisa entender que o meio ambiente deve estar no eixo central de qualquer estratégia política, seja nas áreas de infraestrutura, turismo, saúde e outras”, conclui.