Economia criativa tem 62 mil na Baixada Santista

Maioria de profissionais criativos da Baixada Santista é mulher.

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19 AGO 2019Por Lincoln Spada08h12
Julliana Azevedo prepara, durante as tardes, bolos e doces que são comercializados em seu projeto pessoal, o Wonder Candies.Foto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

Das horas matinais focando na pós-graduação em Gestão e Negócios em Gastronomia até noite adentro como cozinheira de um restaurante de comida japonesa, Julliana Azevedo prepara, durante as tardes, bolos e doces que são comercializados em seu projeto pessoal, o Wonder Candies.

Logo, a jovem de 23 anos do Morro São Bento dedica-se para se estabilizar no universo da Economia Criativa, setor que oscila positivamente na Baixada Santista e na contramão da recessão econômica nacional. "É fato, gastronomia é uma área que sempre gera dinheiro e empregos", diz ela.

Bom planejamento e mão-de-obra qualificada são fundamentais para empreender e se destacar no ramo, segundo Julliana. Como ela, há mais de 62 mil profissionais registrados que orbitam no setor criativo na região - 91,7% são microempreendedores individuais (MEIs), 64% são mulheres e 19% atuam na área de gastronomia, conforme Governo Federal.

CARTEIRA ASSINADA

Dados do mapeamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) apontam que, de 2013 a 2017, o setor na Baixada Santista cresceu em 3,27% em trabalho com carteira assinada - taxa superior aos níveis estadual (1,1%) e nacional (-1,5%).

Nesse recorte de 5.050 postos regionais em 2017, segundo a Secretaria Nacional do Trabalho, quase dois terços estão situados em Santos. No período do mapeamento da Firjan, foram novas 416 vagas na cidade.

"Estamos investindo bastante nessa área, com as Vilas Criativas, oferecendo cursos nos morros, na Vila Nova, na Zona Noroeste", explica o prefeito Paulo Alexandre Barbosa. "É importante potencializar os talentos da cidade, para que possam gerar renda e emprego", argumentando que também prevê ampliar vagas do setor por meio do futuro programa Santos Criativa, que prevê incentivos fiscais para estabelecimentos no centro da Cidade.

MAPEAMENTO

Entre os setores, destacam-se áreas de publicidade e marketing, pesquisa e desenvolvimento, e gastronomia. Exemplos de santistas em reality shows na TV, como Bruno Justo ('The Taste', GNT), Dário Costa ('MasterChef', Band) e Maísa Campos ('Cozinheiros em Ação', GNT) contribuem para o aumento de interessados nesta área, segundo Fernanda Peixoto Coelho.

Professora Mestre em Economia da Universidade Metropolitana de Santos, ela observa que "alimentar-se é uma questão fisiológica, então este é um ramo sempre crescente, ainda mais quando o produto é aliado às experiências", como ir a um restaurante confraternizando com família e amigos. Além disso, existe o fator cultural e até turístico associado à culinária.

Já outros segmentos criativos diminuíram na Baixada Santista durante 2013 e 2017.

"Essas estatísticas são como um álbum de fotografias", diz Fernanda relacionando a queda de 271 postos na arquitetura e design às expectativas e ao boom imobiliário da era pré-sal, além da redução de empregos do Polo Industrial afetando em 272 vagas indústria criativa de Cubatão.

EXPANSÃO CRIATIVA

Outro dado distinto no mapeamento da Firjan é a diferença salarial dos postos criativos da Baixada Santista em comparação aos níveis estadual e federal.

Em vista de que maioria dos profissionais estão em capitais, Fernanda indica que isso se deve também ao custo de vida de cada região.

De todo modo, a economista estima ampliação no setor, já que observa cursos relacionados a esse mercado ganharem preferência nas universidades. "Também devido à economia criativa envolver o capital intelectual para produção de bens e serviços, além de sua versatilidade para aplicação, mesmo que no trabalho informal".

Em seguida, cita de bolos de pote até alimentação fitness.

De fato, a economia criativa abrange quatro vertentes: consumo, mídias, cultura e tecnologia. Das artes até biotecnologia, o amplo leque de profissões em nível nacional gera nos últimos anos um montante equivalente a 2,6% do PIB no Brasil.

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