Doria diz que ficará impopular, mas precisa restringir SP ou saúde irá colapsar; vídeo

Em suas redes sociais, governador explicou que não tem escolha a não ser restringir ainda mais o comércio frente a colapso inevitável do sistema de saúde

Mirando um potencial colapso do sistema de saúde em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) vai anunciar nesta quinta-feira (11) o endurecimento das medidas de distanciamento social no estado.

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“Nossos hospitais estão chegando no limite máximo de ocupação. Temos de adotar medidas mais duras de distanciamento social”, afirmou Doria em vídeo distribuído em suas redes.

“Vou honrar o cargo que ocupo, mesmo que isso custe minha popularidade. Vocês me elegeram para cuidar de vocês, não para cuidar de mim”, afirmou.

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Ele não detalhou as medidas, que estão sendo discutidas em reunião no Palácio dos Bandeirantes. Na mesa estão itens como maior restrição para circulação de pessoas, toque de recolher, restrição ao horário dos serviços essenciais, fechamento de escolas, suspensão de atividades como jogos de futebol e cultos religiosos e a criação de um comitê de emergência para a crise.

Hoje há um Centro de Contingência, com 20 especialistas e autoridades, com caráter consultivo. Há sempre divisão no colegiado, com médicos pedindo medidas mais duras, como lockdown, que sofre grande resistência da área política do governo.

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O estado está desde sábado (6) na chamada fase vermelha do Plano SP de reabertura econômica, na qual apenas serviços essenciais permanecem abertos e há restrições para atividades. Até aqui, não foi suficiente para parar o contágio do novo coronavírus.

“É uma decisão dura, impopular, difícil. Me solidarizo com todos. O Brasil está colapsando, e se nós não frearmos o vírus, não será diferente em São Paulo”, disse o governador.

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O endurecimento das medidas é consequência do colapso em curso no sistema de saúde paulista, um dos mais avançados do país, sob o peso do aumento de casos e óbitos relacionados à circulação de variantes mais transmissíveis e talvez letais do Sars-CoV-2.

A Covid-19 galopa pelo país, onde ceifou mais de 2.300 vidas, recorde na pandemia, na quarta (10). Em São Paulo, foram 469 óbitos no dia, após o topo de 517 mortos registrados na véspera.

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Ao todo, o estado já teve 62.570 mortes desde o começo da pandemia, declarada como tal há exato um ano pela Organização Munidal da Saúde.

A situação foi definida por Doria como “dramática”. Em duas semanas, o número de pessoas internadas em terapia intensiva salto de 6.657 para 8.872, apontando para uma saturação da rede. O tucano determinou a abertura de novos leitos em regime de urgência, mas o temor é de que eles não cheguem a tempo.

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A ocupação de UTIs no estado todo está em 83%, segundo dados do governo, taxa que cai a 67,1% dos leitos de enfermaria. A situação é semelhante na Grande São Paulo, que tem mais gente internada fora da terapia intensiva: 74,9%.

A tragédia sanitária atingiu o país de forma uniforme em 2021, diferentemente de 2020, quando as ondas se sucediam de forma diferente em cada região. São Paulo, como “hub” do país, centro de circulação de pessoas e mercadorias, vinha segurando o risco de um colapso até aqui.

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Mas a velocidade maior de transmissão de variantes como a P.1, originária de Manaus, mudou o quadro. Além disso, a evidência empírica é a de que pessoas mais jovens são afetadas, e demoram mais para sair de UTIs, congestionando o sistema.

A falta de comprometimento da população com medidas restritivas em épocas de festas recentes, como Natal e Carnaval, piorou a situação. Há também resistência por parte do comércio não essencial, que tenta driblar as restrições.

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Na terça (9), já sob a fase vermelha desde o sábado, apenas 43% dos paulistas estavam isolados, segundo o rastreamento por dados celulares do governo.

Para epidemiologistas, 60% é um índice desejável para coibir a circulação do vírus -índice que nunca foi atingido, fora em alguns dias, desde o começo da pandemia no estado. O Palácio dos Bandeirantes se diz satisfeito se conseguir chegar a 50%.

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Concorre para piorar a situação a lentidão da vacinação, cortesia da falta de iniciativa e coordenação por parte do governo Jair Bolsonaro, ao menos até agora -o presidente prega como convertido, ciente do dano eleitoral que seu negacionismo trouxe, e diz estar atrás de imunizantes.

O problema é que isso deveria ter sido feito há meses, quando laboratórios como o Butantan e a Pfizer ofertaram vacinas ao Brasil. Agora, o mercado vive escassez dos produtos e de seus insumos.