O governador João Doria (PSDB) retornou à Baixada Santista nesta quinta-feira (5) para se reunir com prefeitos da Região e anunciou, na sequência, novas medidas de apoio contra os danos causados chuva. Segundo ele, as famílias desabrigadas receberão apoio financeiro com pagamento de R$ 1 mil para cada uma, além de R$ 500 por mês para arcar com gastos de aluguel até que uma solução definitiva seja decidida.
Ao lado dos prefeitos Paulo Alexandre Barbosa, Pedro Gouvêa e Valter Suman, Doria afirmou que já autorizou um repasse de R$ 50 milhões para a Baixada Santista destinado aos municípios mais afetados pelos efeitos catastróficos das chuvas que atingiram a Região na primeira semana de março.
“Este dinheiro será destinado aos municípios e será administrado pelas próprias prefeituras durante as próximas semanas. A cifra será distribuída de maneira proporcional aos estragos e prejuízos pelos quais cada uma das cidades passou”, explicou Doria.
As famílias afetadas pela chuva e que estiverem cadastradas junto aos órgãos públicos receberão os valores por meio da Defesa Civil de suas cidades. Doria destacou que desde pessoas que perderam tudo durante as chuvas e que estão hoje em abrigos receberão o auxilio. Da mesma maneira, todos os moradores que estão em casas de parentes também terão ajuda.
“Todas essas pessoas cadastradas em Santos, São Vicente e Guarujá que forem às unidades do restaurante Bom Prato não pagarão nada por suas refeições pelo período de um mês ao menos. Da mesma maneira, as pessoas que perderam seus entes queridos também receberão auxilio para arcar com os custos dos funerais. Precisamos ajudar estas pessoas da maneira mais respeitosa possível”, disse.
O pagamento único de R$ 1 mil para cada família será retirado da verba de R$ 50 milhões destinada pelo Estado. Já o pagamento de auxilio aluguel de R$ 500 deverá durar pelo menos um ano, até que estas famílias sejam encaminhadas para programas sociais que as ajude na aquisição de um imóvel próprio.
Doria afirmou também que pediu ajuda ao ministro Rogério Marinho para que o Governo Federal envie ajuda à Baixada Santista.
“Lamento profundamente o presidente Jair Bolsonaro não ter efetuado uma única ligação para nós para prestar solidariedade”, conclui.
Atualmente, a Baixada Santista já conta com o apoio de cerca de 200 policiais civis, militares, técnico-científicos e bombeiros que atuam desde terça-feira (3) nos municípios de Guarujá, Santos e São Vicente.
Relembre
As fortes chuvas que atingiram a Baixada Santista começaram nas primeiras horas da noite de segunda-feira (2) e prosseguiram durante toda a madrugada de terça-feira (3). As três cidades mais atingidas foram Guarujá, Santos e São Vicente.
Em 72 horas, as chuvas em Guarujá atingiram o acumulado de 405 mm, sendo 282 mm só nas primeiras 12 horas, número superior ao previsto para todo o mês de março. Segundo a Defesa Civil do Estado de São Paulo, é um volume extremamente alto, considerando-se as medidas históricas no Estado.
Já em Santos, as autoridades registraram, em um período de 72 horas, um acumulado de 316,4 mm – também mais do que os 293,8 mm esperados para o mês de março, com base na média das precipitações dos últimos 25 anos. Em São Vicente, a prefeitura divulgou que o acumulado de chuvas durante três dias ficou na marca de 330 mm.
Ao todo, foram registrados 27 óbitos e outras 22 pessoas seguem desaparecidas em toda a Baixada Santista. Destes números, foram contabilizadas 22 mortes em Guarujá, dois óbitos em São Vicente e três corpos foram encontrados em Santos até o momento.
O número atual de desabrigados é de 151 no Guarujá, três em São Vicente, 150 em Santos e 102 em Peruíbe. Já foram disponibilizadas 19,5 toneladas de materiais de ajuda humanitária aos municípios afetados. Devido à forte chuva, ao menos sete morros foram atingidos, com ocorrências como deslizamentos de terra, em Guarujá, sendo dois com maior gravidade: o da Barreira do João Guarda e o da Bela Vista (Macaco Molhado).
Em Santos, os moradores dos morros São Bento, Tetéu e Pacheco também passaram por momentos de apreensão e algumas residências foram derrubadas pela terra. O Instituto Médico Legal informou que 15 corpos de vítimas dos deslizamentos na Baixada Santista haviam sido liberados até a manhã desta quarta-feira (4).
