Donos da Cava da Pedreira não receberam proposta

Vereador afirma que Sabesp "empurra" problema Vicente de Carvalho

No início do ano passado, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) anunciou que pretendia utilizar a Cava da Pedreira na temporada entre 2019 e 2020. Ela seria transformada num mega reservatório e colocaria fim à falta de água no Distrito de Vicente de Carvalho.

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A estatal havia garantido que parte das licenças de descomissionamento da Cava da Pedreira estava em fase final e o projeto executivo já estava pronto, faltando licitação para a execução e o início das obras, previstas para primeiro semestre do ano passado.

No entanto, segundo o vereador José Nilton Lima de Oliveira, o Doidão (PSB), os donos da Pedreira Engebrita sequer receberam uma proposta da Sabesp.

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“Estão enganando a população há anos. Eu estive conversando com os proprietários da pedreira e eles não aceitam nem mais falar sobre isso, tamanha decepção. A compra e uso da Cava está no contrato da Sabesp com a Prefeitura”, desabafa Doidão, que luta pelo uso da Cava da Pedreira há pelo menos uma década.

Procurada, a direção da Engebrita confirmou que não recebeu qualquer proposta da Sabesp.

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O vereador é presidente da Comissão de Assuntos Relevantes, criada na última terça-feira, na Câmara, para discutir e cobrar da Sabesp a falta de água no Município. Ele pretende convocar a direção da Sabesp, membros do Executivo Municipal e sociedade civil organizada, para cobrar providências da estatal, entre eles a compra da Cava da Pedreira. A Comissão terá 120 dias para apresentar um relatório final e, se necessário, definir as medidas cabíveis. “Não dá mais para aguentar. A população, principalmente a mais vulnerável, está sofrendo muito”, dispara Doidão.

Prefeitura

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Mês passado, o prefeito Válter Suman (PSB) cobrou providências do secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, no sentido de agilizar o processo de aquisição da chamada Cava da Pedreira.

Localizada às margens da Rodovia Cônego Domenico Rangoni, a cava tem capacidade para armazenar até 2,3 bilhões de litros de água, o que diminuiria as chances de desabastecimento da Cidade em períodos de estiagem como ocorre atualmente.

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A escassez atinge todo o Distrito de Vicente de Carvalho, como os bairros do Paecará, Jardim Boa Esperança, Santana, Prainha, Vila Áurea, Sítio do Outeiro, na Vila Lígia, no Jardim Progresso e Vila Alice. Também já começou a atingir a Enseada, Perequê e bairros próximos da orla. A população não aguenta mais as privações causadas pela falta do líquido.

A estiagem, que afetou a vazão da água captada dos rios Jurubatuba e Jurubatuba Mirim, é a causa apontada pela Sabesp para justificar o desabastecimento de água em Guarujá, uma vez que o sistema Jurubatuba, que alimenta a Cidade provém de água desse sistema.

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MP

As falhas no atendimento da Sabesp são alvo de investigação em Inquérito Civil do Ministério Público, que leva em conta relatório elaborado pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) que aponta más condições nos reservatórios da empresa na Cidade e a diminuição de mais de 30% na oferta de água entre os anos de 2018 e 2019.

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Sabesp

A Sabesp confirmou que os prazos tiveram que ser prorrogados, mas está acelerando as tratativas e processos administrativos. “Já está em contratação o Relatório de Impacto Ambiental (RIA), conforme parecer da Cetesb em consulta prévia em março de 2020, bem como a ação de produção antecipada de provas para a apuração por perito judicial da indenização e o pedido de bloqueio da lavra junto à Agência Nacional de Mineração, protocolado em sistema em 30 de julho último.

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Segundo a empresa, o ajuizamento de ações judiciais de desapropriação para obter a imissão na posse das duas áreas onde será implantado o reservatório foram peticionadas em três e quatro de agosto últimos, o que possibilitará a contratação das obras civis.

A Sabesp garante que cumpre ao estabelecido em Plano de Investimentos constante no contrato firmado entre os órgãos, que prevê melhorias em torno de R$ 780 milhões em 30 anos.

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Estão sendo implantados 37,7 km de novas tubulações no Centro de Guarujá e 21,5 km em Vicente de Carvalho, para reforço das redes de distribuição de água. A empresa ainda construirá o Centro de Reservação de Morrinhos, beneficiando diretamente Morrinhos I, II e III, Jardim Brasil, Vila Zilda, Cachoeira, Vila Edna e Vila Selma.

Lembrando que em meio à maior estiagem em 20 anos, iniciada em março/2020, a Empresa disponibiliza caminhões-tanque para atendimento dos moradores e reservatórios em travessas da Rua São Paulo, no Sítio Conceiçãozinha, onde também foram distribuídas gratuitamente caixas-d´água a famílias do bairro.

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Deputados

Ontem, o Governo do Estado de São Paulo informou à deputada federal Rosana Valle e ao deputado estadual Caio França, ambos do PSB, que providenciará a liberação da cava.

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Rosana e Caio cobraram, nesta segunda-feira (17), o secretário de Meio Ambiente do Estado, Marcos Penido, e o diretor de Sistemas Regionais da Sabesp, Ricardo Borsari, quais medidas estavam sendo adotadas em relação ao problema que tem castigado a população de Guarujá.

Segundo o diretor Borsari, trata-se do primeiro caso no País de uso de uma cava de mineradora para implantar um reservatório para abastecimento. Esclareceu que este é, hoje, o único local possível para tal providência, lembrando que o abastecimento de Guarujá se dá pelo sistema “fio de água”, como os técnicos chamam a captação diretamente no curso do rio.