Dono da moto aquática é ouvido em audiência

Empresário e candidato a deputado federal, José Cardoso Filho diz que não autorizou uso do veículo

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11 SET 201410h35

O dono da moto aquática que matou a menina Grazielly Almeida Lames, de três anos, em fevereiro de 2012, foi interrogado em audiência realizada na última terça-feira, dia 9, no Fórum da Barra Funda, em São Paulo. O empresário e candidato a deputado federal pelo PRB, José Augusto Cardoso Filho, afirmou que “o veículo estava parado porque apresentava um problema anterior” e que “o adolescente de 13 anos não foi autorizado a usar a motonáutica e nem o caseiro da família recebeu ordens de colocá-la na água”.

As informações foram divulgadas ontem pelo escritório de advocacia Armando de Mattos Júnior Advogados Associados, responsável pela defesa do empresário. “O interrogatório do proprietário da moto aquática que atingiu e matou uma menina de três anos ajudou a esclarecer alguns pontos controvertidos durante esses mais de dois anos de processo”, informa, em nota.

Para o advogado da família de Grazielly, José Beraldo, José Augusto Cardoso Filho se contradisse em diversos momentos do depoimento. “Ele estava muito nervoso e parecia estar passando mal. Ele disse que não deu autorização para o menino pilotar o veículo, mas o menino afirmou que sim”, comentou.

Acidente que matou Grazielly Almeida Lames, de 3 anos, aconteceu na Praia de Guaratuba, em Bertioga (Foto: Divulgação)

Beraldo também afirmou que o empresário não respondeu nenhuma questão feita pela defesa. “Ele sempre me respondia: ‘prefiro não responder’. Para o juiz, quando ele foi questionado sobre o porquê de não ter dado atenção à família no dia do acidente, ele respondeu que estava ocupado com tratativas políticas. Não é à toa que hoje ele é candidato”, disse o advogado, acrescentando ainda que o processo deve ter uma sentença final ainda este ano. “Com este depoimento, o empresário provou que é o maior responsável pela morte da criança. Colocá-lo no banco dos réus já foi uma vitória”.

A próxima etapa do processo é aguardar o cumprimento das cartas precatórias direcionadas a testemunhas que presenciaram o acidente. Após esses depoimentos, será aberto um prazo para a apresentação dos memoriais escritos do Ministério Público e, depois, das defesas. A expectativa é que logo após esse passo, aconteça a prolação da sentença dos réus. “Todos já foram ouvidos. Eu espero que todos os envolvidos respondam pelo o que fizeram”, diz Beraldo.

O caso

O acidente aconteceu no dia 18 de fevereiro de 2012, sábado de Carnaval, em Guaratuba, praia de Bertioga. De acordo com informações de testemunhas, o veículo era conduzido por uma adolescente de 13 anos em alta velocidade. Grazielly, que brincava na beira d’água perto da mãe, foi atingida na cabeça pela moto aquática. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu. O corpo da menina foi enterrado em Arthur Nogueira, no interior de São Paulo, onde morava com os pais.