Cotidiano

Do vício à inovação: Engenheiro transforma 500 vapes descartados em energia para carro elétrico

O engenheiro britânico Chris Doel conseguiu transformar 500 cigarros eletrônicos descartados em uma bateria funcional capaz de alimentar um carro elétrico

Ana Clara Durazzo

Publicado em 30/03/2026 às 09:15

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A iniciativa utiliza células de íon-lítio retiradas de vapes descartáveis, que normalmente seriam jogados em aterros sanitários, mesmo contendo componentes reutilizáveis / Reprodução

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Um projeto inusitado chamou a atenção no mundo da tecnologia e da sustentabilidade. O engenheiro britânico Chris Doel conseguiu transformar 500 cigarros eletrônicos descartados em uma bateria funcional capaz de alimentar um carro elétrico, mostrando, na prática, o potencial escondido no lixo eletrônico.

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A iniciativa utiliza células de íon-lítio retiradas de vapes descartáveis, que normalmente seriam jogados em aterros sanitários, mesmo contendo componentes reutilizáveis.

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Do lixo ao motor: como funciona o projeto

Para colocar a ideia em prática, Doel desmontou centenas de dispositivos e reaproveitou suas baterias internas. O resultado foi um conjunto com cerca de 2,5 kWh de capacidade, operando em aproximadamente 50 volts — compatível com sistemas simples de veículos elétricos.

A bateria foi instalada em um G-Wiz, um microcarro elétrico conhecido por sua estrutura simples. A escolha do modelo não foi por acaso: ao contrário de veículos modernos, ele não exige sistemas eletrônicos complexos, o que facilita adaptações experimentais.

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Desempenho limitado, mas funcional

Apesar de inovador, o sistema foi projetado com cautela. Para evitar superaquecimento e riscos, a corrente foi limitada, reduzindo o desempenho do veículo.

Nos testes, o carro alcançou:

  • velocidade máxima de cerca de 56 km/h
  • autonomia aproximada de 29 km por carga
  • potência reduzida em comparação ao modelo original

Mesmo com limitações, o experimento mostrou que o reaproveitamento de baterias pode gerar soluções reais para mobilidade elétrica.

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Ideia nasceu de um problema crescente

O projeto surgiu após o engenheiro perceber a quantidade de vapes descartados diariamente, mesmo contendo baterias recarregáveis.

No Reino Unido, milhões desses dispositivos são jogados fora regularmente, contribuindo para o aumento do lixo eletrônico e até incêndios em centros de reciclagem.

Esses aparelhos, embora vendidos como descartáveis, utilizam a mesma tecnologia de baterias presente em celulares e notebook, o que levanta críticas sobre o desperdício de recursos.

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Engenharia de reaproveitamento

O processo exigiu meses de trabalho. Doel levou cerca de seis meses apenas para extrair e selecionar as células utilizáveis, que depois foram conectadas em série e paralelo para formar uma bateria maior.

Além disso, o sistema contou com:

  • fusíveis individuais para evitar curto-circuito
  • estrutura personalizada para acomodar as células
  • adaptação ao sistema elétrico do veículo

O carro também manteve a frenagem regenerativa, que devolve parte da energia para a bateria durante a desaceleração.

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Sustentabilidade com ressalvas

Apesar do potencial ambiental, o próprio criador faz um alerta: o manuseio de baterias de lítio sem conhecimento técnico pode ser perigoso e causar incêndios.

Especialistas reforçam que projetos como esse não devem ser replicados sem equipamentos adequados e formação na área.

Debate sobre consumo e descarte

O experimento também levanta uma discussão maior sobre o consumo de produtos descartáveis.

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Estudos indicam que centenas de milhares de vapes são descartados diariamente em alguns países, desperdiçando materiais valiosos como lítio e metais raros.

Para especialistas, iniciativas como essa ajudam a expor o problema e reforçam a necessidade de:

  • políticas de reciclagem mais eficientes
  • redução de produtos descartáveis
  • incentivo ao reaproveitamento de componentes

Tecnologia do futuro ou alerta ambiental?

Embora ainda experimental, o projeto mostra que soluções criativas podem transformar resíduos em energia útil.

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Mais do que um carro movido a “lixo eletrônico”, a iniciativa evidencia um problema global: o desperdício de tecnologia que poderia ser reaproveitada.

No fim, a pergunta que fica é simples e urgente: quanto potencial ainda está sendo jogado fora todos os dias?

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