Um convidado impressionante e único foi avistado nas águas de São Paulo e chamou a atenção dos pesquisadores de conservação marinha.
A maior espécie de raia do planeta, a raia-manta oceânica, cujo nome científico é Mobula birostris, foi avistada em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, durante uma expedição do Projeto Mantas do Brasil.
Este encontro ocorreu no Parcel Dom Pedro, uma área marinha muito conhecida entre mergulhadores, e oficialmente deu início à temporada de monitoramento da espécie em 2026.
Batizada de Moana, a nova gigante catalogada pelos pesquisadores tem uma envergadura de quase 6 metros, uma distância aproximadamente equivalente à largura de um pequeno caminhão, e pode pesar mais de uma tonelada.
A descoberta emocionou a equipe, principalmente porque o objetivo da saída de campo era justamente encontrar raias-manta, mas ninguém imaginava que a missão seria cumprida logo no primeiro mergulho.
Luiza Gomes, assistente de pesquisa do trabalho e pesquisadora responsável por registrar o animal, disse que a raia com a qual a equipe se deparou foi vista no minuto em que desceram na água.
Após estudar as imagens, os pesquisadores decidiram que se tratava de um indivíduo que ainda não tinha sido catalogado, e permitiram que Luiza escolhesse o nome do novo membro do banco de dados científico da organização, nomeando-a Moana.
A coordenadora do projeto Mantas do Brasil, Paula Romano, descreveu o momento como indescritível, destacando a emoção de avistar uma raia-manta no próprio litoral, considerado o quintal de casa da equipe.
Mitos e características da maior raia do mundo
Mobula birostris, que é considerada a maior raia existente, tem espécimes que podem atingir até 7 m de envergadura e pesar mais de 1.300 kg.
Apesar de seu tamanho assustador, o animal é totalmente inofensivo para os humanos, alimentando-se principalmente de plâncton, pequenos peixes e criaturas microscópicas filtradas da água.
O que mais desperta curiosidade é exatamente o que lhe falta.
Diferentemente do que muita gente imagina ao pensar em arraias, a raia-manta não possui ferrão nem veneno, tendo como principais mecanismos de defesa o seu porte avantajado e a sua velocidade.
Os pesquisadores também observam que ela não possui uma estrutura de ferrão de alta ordem como os mamíferos; em vez disso, o animal tem uma pequena estrutura calcificada na base da cauda que ajuda a fazer a conexão evolutiva de que teve um ferrão pelo menos no passado.
Comportamento de Moana e as marcas de interação humana
Durante a observação, os pesquisadores descobriram que Moana havia perdido sua cauda.
Segundo especialistas, esse tipo de lesão é comum em raias mantas e pode estar ligado ao contato humano, particularmente à pesca incidental onde os animais são capturados acidentalmente em redes destinadas a outras espécies.
O comportamento do animal também foi uma preocupação para os membros da equipe.
Enquanto muitas raias mantas são conhecidas por terem curiosidade em relação aos mergulhadores, Moana era mais arisca, mantendo certa distância naquele encontro.
Mesmo assim, os cientistas conseguiram tirar imagens chave para identificação científica.
Cada raia-manta possui um padrão único de manchas na região ventral, ou seja, na barriga do animal, que funciona como uma espécie de impressão digital natural.
É exatamente por isso que os pesquisadores pedem assistência a mergulhadores, pescadores e visitantes que têm a sorte de encontrar um desses gigantes na costa brasileira.
Fotografias feitas de baixo para cima, mostrando com nitidez a parte inferior do animal, ajudam os pesquisadores a identificar indivíduos já registrados ou a catalogar novos exemplares.
Além de fotografias, data, hora, local, comportamento, condições do mar e a existência de quaisquer lesões também têm grande valor para os pesquisadores que buscam novas direções de pesquisa.
Papel estratégico de São Paulo na conservação marinha
O litoral de São Paulo está entre as raras áreas brasileiras com as aparições mais frequentes, tornando cada registro de extrema importância para pesquisas sobre deslocamento, comportamento e conservação.
Atualmente, a IUCN classifica a raia manta oceânica como ameaçada de extinção.
Além disso, a presença desses gigantes funciona como um excelente indicador ambiental. Por dependerem de águas produtivas e saudáveis para encontrar alimento, as raias-manta acabam atuando como um termômetro da qualidade do ecossistema marinho.
Portanto, a aparição de Moana em Itanhaém não é apenas um evento raro, mas também um bom sinal de que pelo menos parte da costa de São Paulo ainda abriga as melhores condições para que uma das criaturas mais magníficas do oceano sobreviva.






