Diretor da Maramar critica projeto para a Ponta da Praia, em Santos

Fabricio Gandini afirma que está sendo ignorada a história e luta dos pescadores

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01 FEV 2019Por Carlos Ratton08h20
O oceanógrafo afirma que não se fala na reestruturação do TPPS e a necessidade de proporcionar melhorias à pesca da CidadeFoto: Nair Bueno/DL

O oceanógrafo e diretor do Instituto Maramar, Fabrício Gandini, afirma que o projeto viário e turístico que será implementado na Ponta da Praia, apresentado pela Prefeitura de Santos, envolvendo, entre outras medidas, a construção de um centro de convenções na área do Terminal Público de Pesqueiro de Santos (TPPS), ignora totalmente a história pesqueira do Município e a busca a luta de centenas de pescadores e profissionais ligados à pesca por melhores condições no trabalho que sustenta de centenas de ­famílias.  

“No o projeto, criado em gabinete, não se fala na reestruturação do TPPS e a necessidade de proporcionar uma infraestrutura melhor para a pesca na Cidade, que já sediou o maior entreposto pesqueiro do País e que hoje está completamente sucateado, não fornecendo condições para desembarque da pesca artesanal, responsável pela maior quantidade e maior diversidade de pescados na região”, desabafa ­Gandini.   

O oceanógrafo lembra que são produtos frescos que o comércio e o mercado precisam e não “é qualquer perfumaria ou um mercado bonito que trará qualidade e bom preço ao pescado. Atualmente, com essa estrutura precarizada, a grande maioria do pescado que consumimos vêm de outras regiões do Estado e do País, o que não garante o mesmo frescor do alimento”.  

Desde 2017, o Instituto Maramar luta para que o TPPS seja revitalizado e se transforme novamente em referência no setor, com novas unidades de beneficiamento do pescado, uma fábrica de gelo, local apropriado para atracação de barcos e demais estruturas para a todos que atuam no setor pesqueiro. “Isso, além de gerar empregos, melhoraria significantemente a qualidade do pescado comercializado e consumido na nossa região”, afirma Gandini.

Ele finaliza enfatizando que é fundamental que a Prefeitura discuta melhor o projeto e que o transforme em algo que traga um benefício real para a economia e a estrutura pesqueira de Santos. “Ao levar tudo isso em conta, o poder público estará fazendo o seu real papel que é garantir a geração de emprego, renda e a qualidade do pescado comercializado e consumido na Baixada ­Santista”.

Vale lembrar que o centro de convenções será bancado pela iniciativa privada, num investimento de R$ 40 milhões de um total de R$ 130 milhões. O Grupo Mendes vai construir outro mercado de peixe e financiar duas obras de infraestrutura na Cidade.