Cotidiano

Dieta fatal: má alimentação causou 4 milhões de mortes por doenças do coração em um ano

Análise em 204 países aponta que baixo consumo de frutas e excesso de sal geraram perda de 97 milhões de anos de vida saudável

Luna Almeida

Publicado em 02/04/2026 às 13:37

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Dietas inadequadas foram responsáveis por mais de 4 milhões de mortes por cardiopatia isquêmica / Pexels/Polina Tankilevitch

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Uma dieta inadequada continua sendo um dos principais fatores de risco para a cardiopatia isquêmica, doença causada pela redução do fluxo sanguíneo nas artérias coronárias. De acordo com uma análise de 30 anos realizada em 204 países, a condição é uma das maiores causas de morte no mundo, sendo a má alimentação um dos fatores evitáveis mais significativos para reverter esse quadro.

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Os dados mostram que homens e idosos lideram as mortes cardíacas por má alimentação, cenário agravado por um salto de até 361% no consumo de bebidas açucaradas e carnes processadas em regiões da Ásia e África entre 1990 e 2023.

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O trabalho, publicado na revista Nature Medicine, faz parte do estudo Carga Global de Doenças (GBD), uma colaboração internacional liderada pela Universidade de Washington. 

Analisando dados da literatura médica e estatísticas oficiais, o grupo utilizou modelos computacionais para compreender os fatores de risco e a mortalidade cardiovascular.

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Perda de qualidade de vida

Segundo a estimativa, só em 2023, dietas inadequadas foram responsáveis por mais de 4 milhões de mortes por cardiopatia isquêmica. Além disso, foram perdidos quase 97 milhões de Anos de Vida Ajustados por Incapacidade (DALYs), medida que representa anos "perdidos" devido a incapacitações e redução da qualidade de vida.

Os principais componentes dietéticos associados à mortalidade foram:

Excesso de sódio: Dietas com alto teor de sal permanecem como um risco crítico.

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Baixo consumo de protetores: A falta de nozes, sementes, grãos integrais e frutas na rotina alimentar.

Carência de gorduras essenciais: Baixa presença de ácidos graxos poli-insaturados ômega-6, fundamentais para a saúde celular e o sistema imune.

O professor Itamar de Souza Santos, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e um dos autores do artigo, explica ao Jornal da USP que o alto consumo de ultraprocessados é um perfil comum a essas dietas de risco. 

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Ele também integra o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa-Brasil), cujos dados serviram de modelo para estudar a relação entre fatores de risco e desfechos clínicos negativos. Aproveite a Semana Santa e conheça o peixe português considerado mais saudável do que o salmão.

Análise regional

Os dados mostram que homens e idosos lideram as mortes cardíacas por má alimentaçãoOs dados mostram que homens e idosos lideram as mortes cardíacas por má alimentação / Imagem gerada por IA

A pesquisa selecionou 13 fatores dietéticos para estimar a carga da doença entre 1990 e 2023. Embora o número absoluto de casos tenha aumentado com o crescimento populacional, as taxas por idade diminuíram 44% globalmente, sugerindo melhorias gerais na saúde. No entanto, as disparidades regionais são acentuadas:

Reduções significativas: Australásia, Europa Ocidental e América do Norte apresentaram as maiores quedas nas mortes atribuíveis à dieta desde 1990.

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Aumentos preocupantes: A África Subsaariana Central registrou um aumento de 21% no mesmo período.

Consumo de processados: O impacto das bebidas açucaradas cresceu 361% na Ásia Oriental e 332% na África Subsaariana Ocidental.

Para Itamar de Souza Santos, essas variações seguem uma lógica econômica e de renda, que determina desde o acesso a comida saudável até a qualidade do tratamento. 

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O professor ressalta que o Brasil dispõe de dados robustos, o que evita a necessidade de "importar" estatísticas externas para entender a realidade local.

O papel das políticas públicas

O estudo reforça que países em desenvolvimento enfrentam o fardo da doença ligado à desnutrição e falta de acesso a alimentos protetores, enquanto países desenvolvidos sofrem com o consumo excessivo de itens prejudiciais.

Para contornar o problema, o especialista da USP defende o investimento no letramento em saúde e em políticas públicas que obriguem a redução de componentes nocivos ou alertem claramente o consumidor. 

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Escolhas mais conscientes e o uso estratégico das informações nutricionais são considerados passos fundamentais para reduzir a exposição aos riscos sem a necessidade de intervenções extremas, mas com foco na prevenção de longo prazo.

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