Dia Mundial da Água: A árdua tarefa de conter a poluição em mares e rios

O DL conversou com representantes de algumas instituições para explicar a importância dos trabalhos que realizam e como eles chamam a atenção para as consequências do descarte incorreto do lixo

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22 MAR 2018Por Vanessa Pimentel12h00
Organizações ambientais da região trabalham para tentar conter a poluição que chega aos rios e maresOrganizações ambientais da região trabalham para tentar conter a poluição que chega aos rios e maresFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Quilos de lixo recolhidos a cada ação; aulas que ensinam aos mais novos o amor e o cuidado com o meio ambiente; gráficos que demonstram como os hábitos de consumo impactam a natureza; incansáveis caminhadas pelas praias da Região recolhendo resíduos que não deveriam estar ali. É assim, com uma vontade invejável, que as organizações ambientais da Baixada Santista trabalham para tentar conter a poluição que chega aos rios e mares.

Para o Dia Mundial da Água, o DL conversou com representantes de algumas instituições para explicar a importância dos trabalhos que realizam e como eles chamam a atenção dos munícipes para as consequências do descarte incorreto do lixo.

Ong Ecomov

A Ong Ecomov (Ecológico em Movimento) atua, principalmente em Santos e São Vicente, realizando mutirões de limpeza e pesquisas sobre a origem dos resíduos nas praias, além de ações durante a temporada de verão que visam conscientizar os turistas e munícipes sobre a importância de não deixar lixo na areia.

”Os resíduos jogados nas praias vão para o mar e os animais acabam confundindo com alimentos. O plástico, por exemplo, é um dos responsáveis pela morte de muitas tartarugas”, explica o presidente da Ecomov, Rodrigo Azambuja.

Em um dos estudos da ong, os dados levantados de julho a novembro do ano passado revelaram que 56% dos resíduos encontrados nas praias vem do consumo doméstico, ou seja, foram descartados de forma irregular em áreas próximas ao estuário. Já 17% vem do consumo feito nas próprias praias, o chamado ”lixo do verão”.

”É necessário que as pessoas entendam que o lixo precisa sempre ser descartado de forma correta, por isso nós fazemos um trabalho de prevenção em escolas próximas aos manguezais e junto aos comerciantes da praia para evitar o uso de embalagens plásticas”, explica Rodrigo.

Instituto Mar Azul

O desejo de lutar pela preservação dos mares fez nascer em 2012 o Instituto Mar Azul. Com atuação em Santos, a entidade realiza mutirões de limpeza mensais pelas praias da cidade com o projeto Microlixo.

Após cada coleta, os voluntários fazem a triagem dos materiais para identificar quais os tipos de resíduos mais encontrados e as possíveis soluções para minimizar o problema, além de estudar propostas efetivas de melhoria da qualidade ambiental das praias.

Em uma das ações, o IMA identificou, por exemplo, que o Canal 3 tem a maior concentração de bitucas de cigarro da orla de Santos.

“Nós queremos diagnosticar o motivo dessa concentração ser maior entre o canal 3 e 4, mas de qualquer forma o dado é alarmante porque mostra que a sociedade ainda não enxerga o que sobra do cigarro como lixo”, alerta o presidente do IMA, Hailton Santos.

Ele destaca também que nas últimas décadas, o desmatamento de encostas, matas ciliares e o uso inadequado dos solos têm contribuído para a diminuição do volume e da qualidade da água.

“Daí a importância da preservação dos rios e mares. E algumas simples mudanças de hábitos ajudam a mantê-los sempre em bom estado. Você já chegou a pensar que o lixo jogado nas rodovias quase sempre é conduzido para os rios? Portanto, não custa nada guardá-lo dentro do veículo. O hábito de jogar bitucas de cigarro nas praias também pode ocasionar a contaminação e a poluição da areia e da água e afetar a vida marinha”, explica Santos.

Projeto Albatroz

Já o Albatroz tem, como uma das linhas de atuação, a promoção de ações de educação ambiental junto aos pescadores e às escolas. Em um projeto piloto em Cabo Frio, são trabalhadas propostas que conscientizam os pescadores a trazer de volta as embalagens do que foi consumido durante a temporada de pesca, evitando o descarte de lixo no mar. Mas, o foco principal do projeto são os pescadores que usam a técnica de pesca de espinhel.

Isso porque os albatrozes e petréis - aves marinhas migratórias que passam a maior parte de sua vida em alto mar - interagem com este tipo de pesca e, incidentalmente, podem acabar fisgados.

Nas escolas, os alunos aprendem sobre a importância da preservação dos albatrozes e como o lixo que vai parar no mar atinge as colônias reprodutivas dessas aves.  
O Albatroz conta com o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. É ele que mantém os investimentos na área de pesquisas científicas, políticas públicas e educação ambiental.

Ecomov

Campanha Verão Limpo, realizada entre  os dias 21, 24/01 e 04/03 (1º etapa). Porcentagem dos Resíduos encontrados:

56,01% - Almimentos, embalagens e fragmentos.
41,6% - Tabaco/bitucas de cigarro
2,35%  - Fármacos/metais e brinquedos

Instituto Mar Azul

Resultados do 9º mutirão de limpeza de praia em área delimitada, no mês passado.

1º lugar - Bitucas/pontas de cigarro: 4.157
2º lugar - Plásticos moles não identificados: 3.190
3º lugar - Plásticos rígidos não identificados: 2.052

12 quilos de resíduos coletados; aproximadamente 50 tipos de resíduos diferentes encontrados

Projeto Albatroz

Em uma ação realizada em 2015 no Festival Albatroz, foram coletadas tampinhas (tipo de lixo que é ingerido pelos albatrozes e muitas vezes os leva à morte). A quantidade foi tão grande que encheu uma piscina de 1000L e alertou os visitantes sobre os perigos da poluição marinha.