Dia do Autismo é comemorado com piquenique e ação de conscientização em SV

Cerca de 80 alunos vão celebrar a data com um piquenique e entrega de panfletos às 9h e às 14h

Comentar
Compartilhar
29 MAR 2018Por Da Reportagem16h17
Atuando há 20 anos, a escola situada na Avenida João Francisco Bensdorp, 201 – Cidade Náutica, atende alunos dos 6 aos 18 anos com autismo, paralisia cerebral e deficiências intelectuaisFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Em comemoração ao Dia Mundial do Autismo, a Praça Vinte e Dois de Janeiro recebe na segunda-feira (2) os alunos da EMEF Ana Lucia Almeida de Oliveira do Numaa (Núcleo Municipal de Atendimento ao Autista), em uma ação para conscientizar a população sobre o transtorno. Cerca de 80 alunos vão celebrar a data com um piquenique e entrega de panfletos às 9h e às 14h. Ainda à tarde haverá caminhada, chamando a atenção para a importância da inclusão.

Atuando há 20 anos, a escola situada na Avenida João Francisco Bensdorp, 201 – Cidade Náutica, atende alunos dos 6 aos 18 anos com autismo, paralisia cerebral e deficiências intelectuais. Dentre as atividades oferecidas estão oficinas de dança, culinária, arte, educação física, além de toda parte pedagógica, buscando inseri-los na sociedade. Após completarem 18 anos, os alunos são encaminhados para os serviços especiais I e II, da rede municipal.

Com um time composto por 26 professores especialistas, além de profissionais da área da arte e educação física, a unidade conta com um setor de fonoaudiologia e enfermeiras para ministrar medicação e atuar em demais situações.

A matrícula pode ser realizada apresentando um laudo psicológico atualizado, expedido por neurologista ou psiquiatra. O documento deve conter a Classificação Internacional de Doenças (CID) e a documentação padrão exigida pela escola.

Saúde

Maria José Alcalá Cravo, chefe de departamento de Saúde Mental, fala da importância de diagnosticar o transtorno o quanto antes. “O diagnóstico proporciona a estimulação. Permite que a criança tenha mais tempo para ser estimulada ainda pequena e receba um acompanhamento adequado”.

O acompanhamento pode ser procurado pela população no Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil I (CAPSi), na Rua Visconde de Tamandaré, 410 – Centro. O espaço oferece atendimento social, psicológico e psiquiátrico, terapia ocupacional e em grupo para incentivo à socialização, grupos de orientação para os familiares. 

O responsável pela criança ou jovem deve procurar o CAPSi com o laudo psicológico para usufruir dessa prestação de serviço. Casos mais severos são encaminhados para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Vicente (APAE).

História de Gabriel e Renata

“Quando recebi o diagnóstico de autismo do Gabriel, eu já esperava pelo comportamento dele. Não falava muito, sem muita interação... Mas aos poucos a gente vai se adaptando com a situação”, disse a mãe do pequeno Gabriel, que frequenta a APAE (Rua Feliciana Marcondes da Silva, 208), e recebe todo atendimento de profissionais, com interação e atividades ao ar livre. A coordenação da unidade é feita por Lúcia Lela, que trabalha na área há mais de 20 anos.

Renata Chemalle Martins, mãe de Gabriel, era professora em academia e estudava. Porém, ao dizer sua atual profissão é convicta. “Eu sou mãe 24 horas. Porque a gente não pode deixá-los sozinhos e a nossa vida acaba sendo voltada toda para eles”.

A mãe também falou sobre a rotina do filho. “Ele passa por todo atendimento e no mesmo horário das outras crianças – não tem diferença. E a atividade que mais gosta é correr. Eu também corro nas horas vagas e tudo que envolve essa atividade ele gosta, assim como as outras crianças com o espectro”, aponta Renata. Entretanto, não só as crianças ganham esse serviço: os pais também têm uma atenção especial. Toda terça-feira eles passam por aulas de yoga que duram aproximadamente uma hora e depois uma seção com a psicóloga, que dá dicas e ajuda no convívio entre família.

Coordenação 

Lúcia Lela trabalha há mais de 20 anos com esse serviço e explica que a unidade atende máximo de 50 crianças. “Nós realizamos o trabalho com crianças de 2 até 12 anos”. Lúcia também apontou que a predominância é de meninos, pelo fato de o espectro atingir mais este perfil.

A coordenadora destacou que a presença dos pais é importante e que eles ajudam muito, em caminhadas e na angariação de fundos, como a venda de camisas. Além das atividades dentro e fora do local, a escola fornece profissionais de saúde para os pequenos como Fisioterapeuta, Fonoaudióloga, Terapeuta Ocupacional, Psicólogo, Psico Pedagogo, Psiquiatra e Neurologista. Ela ainda declarou que é feita uma avaliação semestral, e partir disso é dado alta. Todavia, não há uma idade certa, sendo que há casos de 7 e 12 anos que conseguiram evoluir na integração.

Durante a semana eles seguem um cronograma que auxilia no desenvolvimento.

Cronograma de Atividades

Segunda – Avaliação das crianças e visitas a escolas

Terça – Exercícios na quadra com o Fisioterapeuta

Quarta – Atendimento com os profissionais de saúde

Quinta – De 15 em 15 dias é feita uma atividade voltada para a culinária para desenvolver a coordenação motora

Sexta- Atividades com a presença dos pais e fora da escola, como ir ao cinema e parques.