Ao contrário do que previu o Sindicato do Comércio Varejista da Baixada Santista, o movimento para os lojistas no Centro de Santos não foi dos melhores nas semanas que antecedem o Dia das Mães. Segundo os comerciantes, o cenário está ainda pior do que no ano passado.
Em pesquisa divulgada em abril, 44% dos empresários da região tinham a expectativa de que as vendas em 2016 deveriam se manter no mesmo nível do ano passado. Já para 38%, o desempenho deveria ser melhor, enquanto 18% dos comerciantes acreditavam na diminuição do faturamento.
“Quando esfriou o tempo, melhorou. Mas agora as lojas estão vazias. Estamos trabalhando com descontos, mas os consumidores estão pesquisando muito antes de comprar”, explica a gerente da loja de roupas Mamô, Thays Helena Moura.
O mesmo acredita a gerente da loja de roupas Villa de Outlet, Vanessa Alves Fernandes. “O movimento já deveria estar melhor desde segunda-feira. Espero que sábado (hoje), dê uma melhora”, comenta. É o que espera também a comerciante Camila Pinheiro, proprietária do box Boneca de Pano, no Mini Shopping. “As pessoas estão com medo de gastar, mas sábado ainda pode melhorar um pouco. Sempre deixam tudo para a última hora”.
A gerente da loja Grão Pimenta, Daniela Fernandim, também não está esperançosa. “Está muito fraco, não tem movimento este ano. É muita gente desempregada. Nenhum dia ‘bombou’. Acredito que nem sábado terá movimento aqui no Centro”, lamenta. Já para o comerciante Ângelo Carlos Micheletti, proprietário da loja de sapatos Key, a esperança é o quinto dia útil (ontem). “O movimento está pior do que no ano passado, mas acredito que melhore um pouco após esta sexta-feira. A gente já não teve Natal, não vai ter Dia das Mães, muito menos Namorados e Dia dos Pais”, acredita o comerciante.
Previsão. Esse ano deverá ser pior a receita do comércio com os presentes do Dia das Mães do que ocorreu em 2015. A retração do varejo, aliás, já vinha afetando a indústria, explica o coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina (FASM), Reginaldo Gonçalves.
A indústria e o comércio continuam sofrendo com os juros altos, desemprego e a mudança nos hábitos de consumo em função da crise. Tudo isso delineia um cenário complicado. De acordo com a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), as vendas do Dia das Mães deverão sofrer queda de 4,1% em relação a 2015.
Segundo o professor da FASM, a confiança do consumidor está ligada diretamente à instabilidade econômica e política do País, que se reflete na contração das vendas no comércio em geral e também nas vagas de emprego. Em março, a CNC mostrou que a intenção de consumo das famílias teve queda de 1,6%.
