Comunidade é essencial para mudar Dia das Crianças de quem vive em abrigos

A participação da sociedade é fundamental para crianças e adolescentes e reforça esperança de um amanhã melhor.

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12 OUT 2019Por Caroline Souza08h28
Foto: RODRIGO MONTALDI/ARQUIVO/DIÁRIO DO LITORAL

"Me sinto amada por todos". É dessa forma que uma jovem de 12 anos, acolhida no Arco-Íris, em São Vicente, define como se sente nas festas de Dia das Crianças proporcionadas pela Casa. Antes de ir para o local, ela nunca havia participado de uma comemoração neste dia.

A comunidade tem papel fundamental no Dia das Crianças de quem está abrigado em serviços de acolhimento. Além do presente, a presença das pessoas é o que faz a diferença.

"Celebrar é importante em qualquer dimensão. Para essas crianças, na maioria das vezes nunca houve celebração, nunca houve festa, e é isso que tentamos resgatar com a comunidade", explica o coordenador do Serviço de Acolhimento Arco-Íris, João Carlos dos Santos.

"Você vê as crianças transbordando de alegria por algo que para muitos de nós é corriqueiro. Elas veem as pessoas reunidas por causa delas, para festejar". Para o coordenador, a presença da comunidade reforça a esperança de um amanhã melhor.

As 18 crianças - de um a 17 anos - acolhidas atualmente no Arco-Íris tiveram seis comemorações ao longo da última semana, todas ofertadas pela comunidade. "A população assume esse papel de estar junto com as crianças, de trocar valores e experiências".

O projeto com a sociedade tem funcionado tanto, que João precisou recusar algumas festas, pois a agenda já estava completa.

Para conquistar crianças e adolescentes de todas as idades, a maioria das comemorações conta com brincadeiras e gincanas, além da entrega de presentes.

"Foi muito legal para mim, teve brincadeira, comida e presentes", declara outra jovem de 13 anos.

Além das datas comemorativas, as Casas de Acolhimento costumam receber visitantes aos finais de semana. Mas para Elizabeth Rovai, diretora-presidente da Casa Vó Benedita, em Santos, as crianças são mais lembradas em festas como o Dia das Crianças e o Natal. "Dia 12 sempre aparece gente que gosta da Casa, é uma data em que as crianças recebem mais visitas do que o habitual".

A diretora explica que a Casa Vó Benedita busca manter o contato das crianças com a comunidade promovendo visitas abertas à entidade. Vinte e duas crianças de seis meses a 16 anos estão acolhidas atualmente no local.

A Casa também conta com um projeto de Apadrinhamento Afetivo. "Quem quer fazer parte preenche um cadastro de voluntário, é visitado pela equipe técnica, passa um tempo na Vó Benedita e só depois a gente libera para sair com a criança, por questões de confiança e de criar laços", esclarece Elizabeth. Mesmo sendo permitida a saída em dias como o Das Crianças, a diretora conta que o mais comum é que os padrinhos venham para a Casa comemorar junto com todos.

De acordo com João Carlos, a cidade de São Vicente ainda está implantando o Apadrinhamento Afetivo. De todo modo, ele ressalta a importância do projeto. "É um carinho personalizado, individual".

A menina que começa dizendo que se sente amada por todos nas festas, explica: "porque vocês não fazem por vocês, fazem para agradar a gente".